Coluna do Prates – 06/04

Um cansaço

O que nos encanta num primeiro momento pode não ser algo a valer a pena alguns dias depois. Encantamentos repentinos costumam ser gerados por expectativas ou desejos que temos nos porões do subconsciente. A garota insegura, frustrada em família ou na escola vai à balada e encontra lá num canto um sujeito que a faz prender a respiração: – “É ele, pensa ela”. E em seguida, levada por suas frustrações cotidianas, passa a ver no sujeito alguém extremamente interessante. Não é. Mas a predisposição altera a percepção. Como ela estava “sedenta” por encontrar alguém que a fizesse sentir-se valorosa, merecedora de afeto, amor, pronto, está aberta a porta para um equivocado romance. O encantamento da moça não passa de uma desesperada fuga para encontrar uma “boia” salvadora: ele, fosse quem fosse.

Acabei de ler o meu horóscopo, já disse que o leio por curiosidade, afinal, as mensagens psicológicas podem ser interessantes, as de hoje eram… Diziam assim, entre outras coisas:

– “Os relacionamentos não se sustentam nem se desintegram por uma só razão. As pessoas são complexas o suficiente para se relacionarem por meio dessa complexidade…”. E quem não sabe disso? Todos nós somos um somatório de virtudes e defeitos. Alguns defeitos são toleráveis, passam… Mas, não podem ser impeditivos de uma relação mais calma e a justificar os sacrifícios que uma relação conjugal, por exemplo, exige. No passado, os jovens namoravam, isto é, iniciavam um relacionamento de mútuos conhecimentos, descobertas sobre um e outro. O namoro acabou, hoje existem os “encontros”, muita cama, muito sexo já ao início do “namorinho”, e não me venham com ingenuidades a dizer que não é assim. Ora bolas…

Depois do namoro, namoros de antigamente, vinha o noivado, outro período de mais e mais próximas descobertas entre um e outro dos futuros cônjuges, começam a comprar, com vagar, as coisas para a futura casa, aquelas coisas… Hoje não. Hoje vão direto para o ajuntamento. Não há tempo para que um e outro descubra os graves defeitos de “fábrica” dele e dela. Os “namorados/amantes” de hoje saem do “encantamento” para o ajuntamento, claro que não pode dar certo. E não vai dar. Isso sem falar que para cada um dos divorciados há uma fila de “pretendentes” logo ali, na esquina. Todos sabem disso, mais uma razão para a seriedade, o comprometimento, os empenhos do caráter deixarem de somar pontos na hora de encontrar alguém. O mercado é farto. Um cansaço.

ELA

Foi dia destes, num desses estúpidos festivais de “música” sertaneja/rock, esses horrores, que uma apresentadora de televisão soltou o verbo contra um DJ. – Ah, pra quê, ela foi duramente criticada. E o que ela fez? Criticou a letra de uma música cantada por um boçal DJ israelense que na letra da tal “música” dizia: – “Você pode agir como uma vadia, mas tem que lavar a louça primeiro”. E por aí seguia a estupidez. A moça reagiu chamando o cara, no ar, de machista, babaca, burro… Ficaram contra ela. Certas mulheres, as que a criticaram, merecem, ah, se “merecem”…

PERGUNTA

Não ouvi um único repórter(zinho) perguntar a quem de direito se a qualidade da carne exportada pelo Brasil é “a mesma”, igualzinha em tudo, a que é consumida pelos brasileiros, pelo operariado, aqui dentro do país. Os consumidores lá de fora são exigentes, os daqui são babacas, opa, desculpe-me, quis dizer descuidados.

FALTA DIZER

Dúvidas sobre a carne? De minha parte, nenhuma. Só certezas, as piores. E sobre remédios, qualidade, confiabilidade? É uma aposta no escuro. E agora começam a falar sobre os agrotóxicos venenosos usados nas lavouras… Pobre povo indefeso.

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