Coluna do Prates – por Luiz Carlos Prates

Inquietações    

Puxa, eu devia ter feito! Droga, eu devia ter aproveitado aquele momento… Chatice, ah, se eu pudesse voltar atrás… Se eu tiver de novo aquela chance…

Frases inúteis, inúteis mas que nos queimam por dentro, elas nos colocam outra vez no passado, e do passado só nos devem sobrar lições, nada mais. É perda de tempo e, quase sempre,  sofrimento.

Outro modo de sofrer é nos jogarmos no futuro: – Meu Deus, como será? Será que vou me dar bem? E se não der? Vou depender de alguém, mas de quem? De novo, inutilidades, mas agora com uma diferença: algumas coisas podem ser feitas em relação a esse futuro incerto, vago, impreciso. Um exemplo é a questão financeira. Se você não poupar hoje, não investir hoje, não melhorar sua performance no trabalho com esforços despendidos hoje, nada feito… Seu futuro, quase certo, será uma danação. Um cansaço esses nossos vínculos inúteis com o passado e angústias diante de um futuro que pode nem existir… São inquietações que nos vão minar a saúde. Saída? A melhor de todas é a velha pregação do “não esquente, desapegue-se”.

Esse desapegue-se, muito pregado por religiões e gurus, é bem pouco entendido pela maioria que anda por aí. Um bom exemplo de desapego pode estar em suas gavetas, nas minhas também, com certeza. Quanto de inútil temos nessas gavetas e guarda-roupas caseiros? Muitíssimo. E por não limpamos essas gavetas, armários e guarda-roupas? Porque nos apegamos, estamos presos ao que de muito pouco ainda nos serve, se é que ainda servem ou servirão? Essas nossas gavetas entupidas inutilidades de toda sorte se confundem com nossa memória, entulhadas de lembranças doloridas ou gravemente inúteis. E há quem pense que isso não nos incomoda a saúde da mente e do corpo físico, mais que tudo… Essas lembranças nos tiram entusiasmo e vida, e as juntando aos medos e ansiedades sobre o futuro, pronto, o prato está cheio para que saiamos às ruas em busca de ansiolíticos e antidepressivos. E dizendo isso, lembro de um médico meu amigo, de Porto Alegre. Uma vez ele me disse que as pessoas só se dão conta dessas sujeiras da memória e dos medos do futuro quando estão na UTI, conscientes… Mas aí, não raro, é muito tarde…

 

ANSIEDADE

Poucos têm ideia clara sobre ansiedade. Muitos sabem daquela “pedra” sobre o peito, uma inquietação que nos tira do sério, mas raros sabem que ansiedade é medo, medo de algo vago, impreciso no amanhã… E é aí que o bicho nos pega. Quem se garante no amanhã? Um dos melhores remédios contra a ansiedade é a honestidade, é a pessoa ser moralmente saudável. No mais, é um medo inútil do amanhã, o amanhã que só a Deus pertence. Ninguém se garante no amanhã, nem o Papa… Vivamos o aqui e agora e mandemos a ansiedade ao devido lugar, aquele…

 

ELA

É estatístico, as pessoas ansiosas acabam por ter problemas na alimentação, alguma coisa lhes vai acontecer, ou comer demais ou pisar no freio, mas que vão se incomodar, vão… E a razão é simples: comer é um prazer, nos alivia as pressões geradas pela ansiedade; ou nos provoca sentimentos de culpa… No primeiro caso, a geladeira acaba sendo uma boa amiga para nós… Mas podemos também comer e vomitar logo depois, a ansiedade é uma sórdida vilã.

 

FALTA DIZER

Há quem diga que para que algo novo entre positivamente em nossa vida algo velho que sair… Interessante, mas quem tem essa coragem? Queremos mais e mais sem abrir mão do que já temos, ainda que seja um traste. Vale para o amor? 

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