
Questões humanas
Psicologia não é ciência exata, nunca foi, nunca será. E por uma única razão: os seres humanos têm suas razões muito próprias, pessoais mesmo, o que temos em comum entre nós são as aparências, nada mais. Cada um teve sua história pessoal escrita por outras pessoas, na primeira infância, e, mais tarde, nós, pessoalmente, damos as restantes pinceladas no quadro da nossa vida. E se insisto em dizer que Psicologia não é ciência exata é porque a cada dia mais me convenço de que cada um de nós tem suas intrigas interiores, todavia…
Todos precisamos de um mesmo “oxigênio” para viver ou continuar vivendo. Nos primeiros momentos da vida queremos crescer, ter, viver intensamente… A medida que vamos “crescendo”, não digo envelhecendo, vamos mudando a rota da vida, o que nos era muito significativo hoje não é muito ou, talvez, nem sentido tenha mais…
Venho a esta conversa, leitora/or, porque leio vários jornais por dia e um dos títulos que mais me chamam a atenção é Obituário. Leio os obituários para saber de três coisas: que idade tinha a pessoa, do que morreu e o que fazia na vida… Dessas três perguntas e respostas muito se pode inferir sobre a pessoa e a vida dela…
Tenho nos meus arquivos temáticos, de que me valho para as diversas palestras e necessidades de comunicador, o tema Suicídios. É importante saber qual a razão levou a pessoa ao suicídio, há razões razoáveis e há outras extremamente enigmáticas…
Tenho observado, de uns tempos a esta parte, que pessoas bem situadas na vida, famosas até, sem sobressaltos econômicos e até então bem de saúde, morrendo de uma hora para outra… Como? Por quê?
Sabendo um pouco mais sobre essas pessoas e suas mortes “surpreendentes”, chegamos a pontos de reticência ou de interrogação muito intrigantes…
Mais das vezes, inferi que tais mortes se devem a um tipo especial de desilusão, de desencanto com a vida… As pessoas já conquistaram o que desejavam, sabem que muito mais não vão ter, o dinheiro para o suficiente na vida já foi juntado, os horizontes, em razão da idade, são mais estreitos e os sonhos… os sonhos rarearam ou simplesmente desapareceram, com certeza. E é esse embotamento, essa perda da cor nos horizontes da vida, que leva muitas pessoas a se desmobilizarem por dentro e, perdendo o ânimo vital dos sonhos e das lutas, morrem de uma hora para outra, ainda que estivessem doentes mas, com certeza, essa doença não lhes ia matar tão cedo, se matasse… Sem ânimo para sonhar e lutar, qualquer um pode sentar-se para ver a Sessão da Tarde e nunca mais levantar. Desanimar é mortal…
PERGUNTA
Emprego, desemprego, dia destes me perguntaram o que penso do trabalho. Digo o que sempre disse: o trabalho é o maior anestésico contra a consciência que temos da finitude, da morte. O trabalho nos dignifica, dá-nos o pão nosso de cada dia e faz-nos parte do jogo humano, nada parecido. Trabalho é vida. Os vadios dizem que não. Coitados.
RIQUEZAS
Não estou inventando, apenas dou testemunho. Conheço ricos muito ricos e infelizes; conheço pobres muito pobres e felizes. Felicidade não depende de nada fora de nós, graça a Deus! Você escolhe: lutar para ter tudo ou lutar para ser feliz? Desculpe, para ser feliz não é preciso lutar…
FALTA DIZER
Os humoristas/imitadores têm uma virtude: fazem os imitados ter consciência do ridículo. Dia destes, ouvi um colega me imitando quando estou “furioso” na TV. Foi na rádio CBN de Florianópolis. Santo Deus, me vi no espelho do ridículo. “Acho” que vou mudar.
































