Luiz Carlos Prates – 20/04

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Ingênuo ou tolo?

Peguei uma balança, imaginária, acabei de construí-la, e lhe dei o nome de balança da vida. Eu queria um “balanço” do que venho fazendo ao longo do tempo, muitas e antigas encrencas, (ou seriam arrependimentos?) me incomodando, não digo tirando o sono, mas… Quase.

Comecei cedo a tropeçar, já no primeiro dia de trabalho de que me lembro, e faz tempo isso. Muitas conquistas, júbilos existenciais inesquecíveis, mas… Logo adiante um tropeço. Tropeço feio, desses de rogar pragas.

De onde veio o tropeço? Do mesmo lugar de onde vieram todos os outros, inúmeros. Falo da vida profissional, a linha de apoio dos homens, pelo menos da maioria que conheço. Sim, mas de onde veio o primeiro tropeço, e os outros, aparentados, parecidos? Veio, o primeiro, de mim. E todos os outros, de mim. Sempre de mim. E era aqui que eu queria chegar. Todos os nossos erros são só nossos. – “Ah, Prates, mas aquele safado me enganou, me fez pensar que ele era uma coisa e era outra, aquele desgraçado me fez…”. – Pare, leitor, pare! É duro dizer isso, mas a culpa foi sua. Foi você quem o escolheu. Se você não tivesse dito sim a ele num certo momento, ele teria ido procurar outra freguesia…

Vale para todos os nossos tropeços na vida. Na minha vida profissional fui “ingênuo” em incontáveis momentos… – Ah, coitadinho, foi ingênuo, conta outra, Prates! Está bem, está bem, fui burro, pronto.

Ajeitei, sem me dar conta, várias e várias vezes, a “escada” para outros subirem, confiei em outros tantos quando devia ter ficado quieto, acreditei, por exemplo, que só o talento, a competência, garante sucesso e promoção garantida na estrada profissional, que baita engano! E tanto isso é verdade que de uma feita, na sala de um diretor de uma das grandes rádios por que passei, me queixando da injustiça de uma escala de narração de futebol, eu era narrador, ouvi uma frase inesquecível – “Tu queres entrar na escala só por competência, Prates”? E a seguir ouvi que a competência faz parte, mas não decide por si mesma… Cruzes!

Todos os meus queixumes profissionais tiveram uma única origem: eu mesmo. Vale para tudo na vida e para todos. Sem essa de que fui ingênuo e, se foste, foste antes muito burro/a. Meu caso. E a balança dos erros e acertos da vida me disse que se não fossem meus erros, eu teria sido um pateta do sucesso. Consolo?

 

Fortificante

Para as adolescentes, aos 15 anos, dentre os presentes do papai e da mamãe, uma assinatura de jornal… E para crianças, guris e gurias, ao completarem 5 anos, um livro. O primeiro de muitos na vida. Um livro, eu disse. É uma espécie de fortificante a favor de tudo o que é bom na vida, um livro, ouviste bem, “papai”, ouviste, “mamãe?”, livros para os pequenos, jornais para os adolescentes. Ah, claro, isso para quem quer que os filhos cresçam para serem gente; gente forte, com ideias e fascínios… O fortificante das leituras tem todas as “vitaminas”…

 

Lotação

Vagabundos se queixado de presídios lotados, falta de banho, de visitas, isso e aquilo… E por que não escolheram o caminho dos estudos, do trabalho, do bem, hein, vagabundos? E a sociedade beata lamenta, faz críticas. Falsos, hipócritas, eu queria vê-los incandescentes na defesa de bandidos se suas filhas tivessem sido estupradas, ordinários.

 

Falta dizer

Manchete: – “Astrólogo empresarial atrai investidores com mapa astral da economia”. Um abobado que acredite nisso merece que sua empresa vá à falência. O destino de uma empresa está na cabeça do seu dono, não na lua…

 

 

 

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