Luiz Carlos Prates – Fim de Semana

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Ser e não ser velho

Olhei a foto no jornal e pensei, – “Puxa, era um velho, eu não o imaginava tão velho”! Não era um velho, fazia-se de velho, isto é, era um desleixado existencial ou um sujeito fazendo um tipo… Bem provável a segunda hipótese, fazia um tipo. E aí fica a velha história, não somos, mais das vezes, o que parecemos ser, somos outras pessoas… Julgar pelas aparências sempre foi um risco, e toda vez que digo isso lembro do sarcástico Oscar Wilde, o irlandês filósofo, que dizia que – “Só os idiotas não julgam pelas aparências”… Enfim…

Fiz essas digressões todas nem sei porquê. Ah, acho que lembrei. Foi uma frase que li ontem e que fiquei de passar para a minha caixa de sapato de frases e acabei esquecendo. A frase diz assim: – “Viva sua vida e esqueça sua idade”. Bom conselho, magnífico, mas… É difícil de pô-lo em prática, sabes por quê? Porque vivemos numa era em que “todos” precisamos ser jovens, como se ser jovem fosse sinônimo de saúde, inteligência, equilíbrio emocional, vida, enfim… A sociedade em que vivemos cobra-nos uma cara lisa, sem rugas, um corpo afinado como o dos melhores modelos, isso e mais aquilo. A mesma sociedade não cobra ética, sabedoria, prudência, educação, ser gente, enfim. Não, isso não é cobrado.

E diante das posturas do coletivo da sociedade, quem não for muito disciplinado consigo mesmo acabará seguindo o rebanho dos estúpidos, isto é, da maioria que anda por aí, da maioria mesmo.

Agora, que fique claro, o conselho, como disse, é bom, magnífico mesmo, mas é preciso um certo cuidado com ele… Atirar-se, não se cuidar, andar como melhor lhe convém é coisa para gente repugnante. Viver a vida e não a idade significa esqueça o calendário, viva a juventude que você realmente sente, e se não for juventude, a vida que for, mas sua, independente do que lhe pedem e esperam. Mas que fique claro, sempre dentro da decência de qualquer idade.

A figura a que me referi lá em cima e que parecia a de um velho, já disse, não era um velho, não para receber esse título, mas… Era uma pessoa bizarra, atirara-se na vida muito cedo, fez um tipo e aí não tinha mais chances de mudar: morreu como um velho (na aparência) e não era um velho. Mas a grande pergunta não posso responder: será que foi feliz como era?

 

Cansaço

Na capa da revista a manchete: – “Por que você anda tão cansado”? Eu perguntaria no plural, por que andamos tão cansados? Ah, companheira/o, não é pelo trabalho, por duro que ele seja. Do cansaço do trabalho nos recuperamos com algumas horas de sono… O duro é nos recuperarmos dos cansaços emocionais, aí é parada dura. E os nossos cansaços emocionais vêm das nossas inquietações e loucuras. Já digo mais…

 

Loucuras?

Sim, loucuras, não somos ingênuos, sabemos que andamos correndo atrás dos ventos, que somos uns otários existenciais, sabemos ou intuímos isso. Os valores ditados pela sociedade e tontamente por nós seguidos nos exaurem, sabemos que são tontices mas “é preciso” segui-los, ser como os outros, não queremos ficar fora do rebanho. Só que os outros vivem mentindo, para eles mesmos e para nós. E nós, estúpidos, nos cansamos com tolices que só serão reconhecidas como tolices na… UTI. Ainda é tempo de escapar. Será?

 

Falta dizer

Se o que fazemos está dentro da lei e não tira pedaços de ninguém, por que mudar o rumo? As mudanças só devem ser no rumo profissional, para melhorá-lo. O mais é rebanho. Burrice pura.

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