Cabeça sã, corpo são
Antes de iniciar a nossa conversa, levante a mão aí quem tenha uma cabeça sã… Hummm, deixe-me ver… De fato, ninguém, todas as mãos abaixadas. Verdade. Agora, podemos começar a nossa conversa.
Acabei de ler uma entrevista com um monge budista, num jornal de São Paulo. O cara é brasileiro, tem 69 anos e vive mais lá fora do que aqui no Brasil. No começo de sua vida adulta formou-se em Engenharia Elétrica. Mas seus “parafusos” não deviam estar bem apertados, acabou abandonando fios e tomadas e meteu-se numa daquelas roupas alaranjadas, típicas dos monges budistas. Não viria ao assunto não fosse pelo que ele disse a certa altura da tal entrevista de que falei.
O monge, de nome Segyu Choepel, nome “artistico” adotado após o ingresso dele na “congregação” budista do Nepal, disse exatamente o seguinte: – “A meditação está sendo usada para diminuir o colesterol, melhorar a pressão alta, ou o sistema imunológico. Nós não somos um corpo. O corpo é o veículo da mente. Melhore a qualidade da sua mente e você terá mente e corpo plenos”. Eu creio muito nisso, aliás, é só no que creio. Só.
O diacho é que muita gente quer milagres, faz orações, vai a templos, bebe, trai maridos, mulheres, pinta e borda fora do riscado no trabalho, fura a fila da vida e quer paz, quer deitar e dormir, quer ser feliz. Graças a deus, nem a pau, Juvenal. É preciso semear bem para colher bem…
Coisa desagradável ter que dizer que é impossível ter um corpo forte, saudável, tendo uma cabeça doente, cheia de teias de aranha, com modos errados de pensar e reagir… E muitos que com isso concordam, concordam, mas fazem o que em Psicologia se chama de Dissonância Cognitiva, isto é, o descompasso entre o que sabemos e o que fazemos. O difícil é chegar à opulência, à riqueza, e ter ou manter uma cabeça equilibrada, em paz, sem as zoeiras dos mundanismos de ter e consumir para ser…
E dito isso, mais uma vez surge a necessidade do desapego, impossível ser tranquilo e feliz com a cabeça cheia de desejos por sabidas inutilidades. Inutilidades sim. Maior parte do que temos ou desejamos não nos faz falta ou serve para nos fazer calmos e felizes… Sabemos de tudo, mas nos obstinamos na estupidez. Paciência, mas que não percamos tempo com rezas inúteis…
VENENOS
Observe, com olhos bem abertos e cabeça arejada, esta informação do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: – “Analfabetismo atinge 15% dos agricultores que manipulam pesticidas”. Pesticidas são venenos da lavora. Leia de novo e veja o horror que colocamos sobre a mesa. Sem falar nos semianalfabetos… Só ingênuos ou gravemente ignorantes para desdenhar dessa informação.
RECORDE
Aleluia! A apresentadora Maria Júlia Coutinho, da Globo, estava apresentando um telejornal quando disse que “um récord tinha sido quebrado e coisa e tal…”. Ela parou, pediu desculpas e corrigiu-se: recorde. Bravos, garota. A quase totalidade dos repórteres e apresentadores pelo Brasil dizem “récord”, quando a palavra portuguesa correta é recorde. Cumprimentos pela coragem da correção.
FALTA DIZER
Só para não cair no esquecimento. Norte-americanos quando trabalham dizem que estão – making money – fazendo dinheiro. Já os latinos, frouxos das canelas, dizem – ganhar dinheiro. Nós ganhamos dinheiro, eles fazem dinheiro. Sutil a diferença? Tanto quanto o sol da lua…
































