Entre aspas

Francielle Furtado

No fim das contas, a culpa é de quem?
Acima, nesta página, retratamos a matéria sobre a iniciativa da PM e do Conselho de Segurança de Pomerode (Conseg), em realizar uma palestra sobre segurança no comércio local. Pois bem. Eu fui pessoalmente até esta palestra e infelizmente o resultado de público me gerou uma mistura entre tristeza e decepção. Por que? Pois os empresários e comerciantes não se fizeram presentes. Poucos deles, mesmo com todo o apoio das entidades de classe e participação dos presidentes da Associação Empresarial de Pomerode (Acip) e Câmara de Dirigentes Lojistas de Pomerode (CDL), poucos participaram da oportunidade onde foram mostrados números sobre a segurança pública em Pomerode, que infelizmente não são motivos de orgulho. Afinal, criminalidade, por menor que ela seja, nunca será orgulho. Essa palestra foi divulgada pelos meios de comunicação da cidade, e, inclusive, o Testo Notícias publicou no site e nas suas redes sociais sobre este evento que era de extrema importância para Pomerode. Acredito que outros veículos também o divulgaram.
Sempre levanto a bandeira de que Pomerode é uma cidade muito tranquila comparada com cidades aqui da região. Porém, a criminalidade no município existe e prova disso são as ocorrências relatadas nas páginas de segurança desta edição, novamente. Ela existe e se continuarmos nós, cidadãos, achando que Pomerode não é uma cidade suscetível aos criminosos, sofreremos as consequências. Pagaremos com o nosso sossego e com o nosso dinheiro. 
O fato é que na oportunidade da palestra foram feitos cadastros dos comerciantes interessados em que um policial, com conhecimento técnico na área de segurança patrimonial, indique o que pode ser melhorado em cada estabelecimento a fim de evitar que crimes sejam registrados no local. As sugestões serão dadas, porém, cada comerciante ou empresário faz as alterações que  julgar necessário. É importante frisar que este trabalho de análise do estabelecimento comercial realizado pela PM será gratuito. 
As oportunidades para melhorar e contribuir com a segurança pública muitas vezes são oferecidas a nós, cidadãos, através de ferramentas simples como esta, em uma oportunidade de esclarecimento e conversas entre as entidades de classe, PM, comerciantes e empresários. Em conversa com algumas pessoas que participaram do evento, estas gostaram e avaliaram a iniciativa como muito positiva para o bem da comunidade, Infelizmente, quem não foi perdeu essa chance de saber mais sobre os dados da criminalidade em Pomerode e de fazer o cadastro para a visita do policial. A oportunidade foi dada e primeiramente os comércios cadastrados naquela ocasião serão atendidos. Depois será montada uma nova estratégia para atender demais comerciantes que perderam essa oportunidade.
Essa é mais uma ferramenta de combate à criminalidade oferecida e poucos, dessa vez, souberam aproveitá-la. O grande problema é que quem pode se aproveitar dessas “brechas” são as pessoas mal intencionadas, os criminosos. E hoje, diante do cenário da criminalidade, não se pode mais dizer que ninguém está sujeito a não passar por uma experiência negativa de um roubo ou um assalto. Os bandidos estão cada vez mais “corajosos”, mais antenados, sem respeito e sem medo. Isso mesmo! Quando eu era criança, as ocorrências de crime em Pomerode eram registradas à noite, ou quando as pessoas viajavam por longos períodos. Agora, não! Eles têm a “cara de pau”, não tem mais horário. Não importa se o estabelecimento está movimentado ou não, se a casa está vazia ou não. A bandidagem perdeu o medo e boa parte da culpa, ou a maior parte dela, é a falta de políticas punitivas para esses meliantes. Mas, este não é o assunto da coluna de hoje. Acredito que é preciso nos conscientizar de que a criminalidade é uma consequência negativa do crescimento e do desenvolvimento e progresso da nossa cidade. Porém esse tripé é o que gera sustento e trabalho às famílias pomerodenses.
Então, é preciso entender que não estamos mais ligados ao passado de Pomerode em que a cidade era plenamente calma e pacata. A criminalidade existe e é preciso inibí-la. Não adianta reclamar do trabalho da polícia, da falta de policiamento, do aumento da criminalidade se enquanto pomerodenses não fazemos nada para mudar. As ferramentas, como esse cadastro estão aí para contribuir com isso. 
E, diante disso tudo, pergunto: No fim das contas, a culpa é de quem?

 

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