Vinhos – Por Douglas Würz

Vinhos de Altitude Catarinense: como tudo começou

A viticultura é uma atividade tradicional em algumas regiões, com destaque para a região Nordeste do Rio Grande do Sul, também conhecida como Serra Gaúcha, que representa boa parte de todo vinho produzido no Brasil. Esta é considerada, no Brasil, como a região tradicional de produção. Porém, a partir dos anos 1990 novas regiões vêm ganhando destaque no cenário nacional e internacional, e entre as novas áreas vitícolas destaca-se a região de altitude de Santa Catarina. Esse polo produtor está voltado ao cultivo de Vitis vinífera L. para a elaboração de espumantes e vinhos finos.
Santa Catarina passou a fazer parte do contexto dessa busca por novas regiões produtoras quando, em 1990, a Estação Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Estado – Epagri, sediada no município de Videira, deu início a um projeto de pesquisa para identificar as áreas do estado com maior potencial para implantar o cultivo de uvas viníferas com a finalidade de elaboração de vinhos finos.
O engenheiro agrônomo Cangussu Silveira Matos plantou uma coleção de nove variedades de uvas na Estação Experimental de São Joaquim. Essa ação fazia parte de um projeto desenvolvido numa parceria entre a Estação Experimental de Videira, localizada no Meio-Oeste catarinense e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para identificar as regiões do estado de Santa Catarina com maior aptidão para o cultivo da videira. 
O experimento passou por uma fase que foi deixada em segundo plano por dois motivos: o primeiro, a descontinuidade do repasse de recursos pela CNPq, e o segundo motivo e mais grave, depois de um inverno rigoroso, a coleção foi dízima, restante apenas três exemplares da variedade Cabernet Sauvignon.
Depois de alguns anos, em 1997, estas três videiras chamaram a atenção do pesquisador Jean Pierre Ducroquet, quando trabalhava em outro experimento de goiaba serrana na estação experimental de São Joaquim. Ele observou que as uvas que haviam frutificado, apresentavam um comportamento bem diferente daquelas que conhecia na estação experimental de Videira. Em abril, as frutas ainda estavam amadurecendo e a qualidade era superior, tanto na questão fenólica quanto na questão sanitária.
O pesquisador Ducroquet colheu as uvas e as levou para a estação experimental de Videira que foram entregues para o enólogo Jean Pierre Rosier, que as vinificou. O resultado surpreendeu a todos pela qualidade do vinho. No ano seguinte, em 1998, novamente as uvas foram vinificadas, e o vinho elaborado mostrou o potencial da região para a vitivinicultura.
Os resultados promissores alcançados com a uva Cabernet Sauvignon deram início à formação de investimentos em vinhedos comerciais em São Joaquim. Em decorrência disso, a região dos vinhos de altitude passou do anonimato do mapa vitícola brasileiro, e passou a ser considerada referência na elaboração de vinhos e espumantes de qualidade diferenciada.

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