A história do espumante
Ao analisarmos o histórico do mercado nacional de vinhos finos e espumantes nos últimos anos, observa-se grande destaque para os espumantes. Em 2002, o consumo de espumante nacional era de 4,2 milhões de litros. Em 2014 esse número saltou para 16,7 milhões de litros. Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), em torno de 75% do espumante consumido no país é brasileiro.
A história do espumante tem seu início na França, no século XVII, na região de Champagne. Essa região sempre foi produtora de vinhos tranquilos na França, brancos e tintos. Nessa época os vinhos eram comercializados em tonéis, e como fator de desvalorização, caracterizavam-se por apresentar uma tendência efervescente, que era um grande entrave para a conservação e para o transporte a locais mais distantes. Com a invenção das garrafas em 1680 pelos ingleses, a comercialização dos vinhos ganhou maior praticidade. A partir desse momento, começaram os problemas para os vinhos da Champagne, que sofriam uma segunda fermentação na garrafa, pressurizando e lançando as rolhas e explodindo as garrafas (Souza, S. I.).
Don Pérignon, monge beneditino e tesoureiro da abadia de Hautvillers, era responsável pelos vinhos e teve a missão de solucionar esse problema dessa segunda fermentação. Sendo assim, ele começou a estudar esse fenômeno e compreendeu que o que ocorria era devido ao gás carbônico (CO2), recomendando assim, que as garrafas fossem reforçadas. Segundo a tradição, conta-se que, ao abrir uma garrafa, arrolhada, Don Pérignon foi surpreendido pela espuma da bebida, e quando provou, falou a seguinte frase: Estou bebendo estrelas! Don Pérignon foi quem mais se dedicou ao processo da segunda fermentação na garrafa, atualmente conhecida como método Champenoise.
O espumante se difere dos vinhos tranquilos por ser elaborado a partir de duas fermentações. A primeira fermentação é idêntica a que se faz para produzir um vinho tranquilo. A segunda fermentação é realizada em ambiente fechado, a fim de não escapar o gás carbônico durante a fermentação.
Há dois métodos para a realização da segunda fermentação: a primeira é o método Champenoise (tradicional), e a segunda é o método Charmat. O método Champenoise é o mesmo realizado na região de Champagne, na França, nesse método a segunda fermentação ocorre dentro da própria garrafa. E no método Charmat a fermentação ocorre em grandes tanques, denominados autoclaves, na qual o gás carbônico da fermentação fica retido.
A produção de espumantes no Brasil teve início em 1913, no município de Garibaldi – RS. O autor do primeiro espumante brasileiro foi o imigrante italiano Manoel Peterlongo, elaborado pelo método Champenoise. Dois anos depois a Vinícola Peterlongo era inaugurada no país, dando início à trajetória do espumante brasileiro. A partir dos anos 1960, a vinda de empresas multinacionais com grandes recursos, como a Martini & Rossi, Cinzano, Moët & Chandon, Maison Forestier e Almadén modificaram a cara do espumante brasileiro. Passados pouco mais de 100 anos, o Brasil já se consolidou como terroir de referência na elaboração de espumantes de qualidade e a cada safra o espumante brasileiro vem conquistando consumidores no Brasil e no exterior.

