No coração do Vale do Selke Pequeno, em Pomerode, pulsa uma memória coletiva que resiste ao tempo: o Clube Desportivo Cultural Testo Central Alto, conhecido por muitos como Salão Luedtke. Fundado em 18 de agosto de 1967, o clube é mais do que um espaço de festas e competições, é um símbolo de pertencimento, trabalho comunitário e tradição.
Com mais de 200 associados e cores oficiais azul e preto, o clube mantém viva a cultura local por meio de atividades como o Tiro ao Alvo e ao Pássaro, além de preservar as festividades e eleição do Rei e Rainha do Caneco.
Uma vida dedicada ao Clube
Nelson Erdmann, conselheiro fiscal e sócio atuante, é uma das vozes que ajudam a costurar essa história. Aos 10 anos, já acompanhava os pais nas atividades do antigo Salão Maass, onde tudo começou. “Meu pai e minha mãe trabalhavam na cozinha. Eu ia junto, ainda pequeno, e fui crescendo nesse ambiente”, relembra.

Atualmente, a dedicação de Nelson ao clube é compartilhada com sua esposa, filha e genro. “Eu gosto de trabalhar aqui. Faço de tudo: sirvo, limpo, ajudo na cozinha. Isso é meu convívio”, afirma com orgulho. Ele também coleciona títulos de Rei do Tiro, com duas faixas conquistadas no clube.
Tradições que resistiram
Desde os tempos do Salão Maass, os bailes, casamentos e competições de tiro fazem parte do calendário. “Antigamente, os reis e rainhas eram eleitos separadamente. Hoje é tudo junto. Mas o tiro ao pássaro e ao alvo continuam firmes”, afirma.
O clube também foi palco de grandes celebrações. “Casamentos com 300, 400 pessoas eram comuns. Hoje, com os custos altos, isso diminuiu. Mas ainda temos bailes em julho, setembro e novembro, além das cucadas e festas menores”, diz.
A trajetória do clube também é marcada por transformações físicas e simbólicas. Antes de se tornar o Testo Central Alto, o espaço passou por mãos e nomes distintos: Salão Maass e Salão Luedtke, cada um com sua contribuição à comunidade. “O salão foi comprado do Maass por Wilfrid Lütdke, que veio da Alemanha. Depois, ele vendeu para a sociedade, e aí começou a história do clube como conhecemos hoje”, conta Nelson.
Na época, o terreno doado por Hadwig Reinke, foi escolhido por sua localização estratégica e espaço disponível. “Antes o salão antigo era mais simples, não comportava tanta gente”, lembra Nelson. Ele relembra que a primeira sede do Testo Central Alto, assim como a reforma, foi erguida com o esforço coletivo. “Muitos sócios trabalharam aqui, inclusive de graça. Anos depois, como o telhado estava bem podre, precisou ser trocado em 2017. Eu era da diretoria e ajudei na construção. As paredes são da primeira estrutura, só foram ampliadas.”
Do tiro ao compromisso
A relação de Edson com o Clube Testo Central Alto começou de forma tímida, como participante das festas e competições de tiro. “Nunca atirava bem, mirava, mas não acertava”, brinca.
Ele relembra que foi sua esposa quem o incentivou a se envolver mais. A partir daí, vieram os convites para integrar a diretoria do tiro e, posteriormente, a vice-presidência do clube, ainda sob a gestão de Jonni Radünz. Após a pandemia, Edson assumiu a presidência em agosto de 2021. “Primeiro, eu não quis. Mas acabei aceitando. Estamos na luta até agora, tentando melhorar as coisas”, afirma.
A família de Edson também participa ativamente do Clube Testo Central Alto. “Minha esposa entrou esse ano. Meu filho é diretor esportivo, a namorada dele é a atual rainha adulta. Minha filha também participa do tiro. É uma união que fortalece o clube”, diz com orgulho.
Mudanças e melhorias
Ao longo dos anos, o clube passou por diversas transformações estruturais. “O telhado era mais baixo, os banheiros eram antigos. Fizemos nova pista de dança, trocamos portas e frisos por alumínio. Ainda há muito a fazer, mas vamos conforme o dinheiro permite”, explica Edson. Hoje, o clube conta com cerca de 200 sócios registrados, embora nem todos participem ativamente. “Muitos vêm só nas festas. Outros têm compromissos, não aparecem no dia a dia”, lamenta.
Tradições que alimentam
Entre as atividades mais queridas do Testo Central Alto estão as cucadas e pasteladas, que se tornaram tradição. “Começamos vendendo mais de quatro mil pastéis antecipados. Hoje, temos parceria com uma empresa de Benedito Novo que faz sucesso. A Frau Kressin (Elvira) é quem prepara a cuca, e o pessoal adora”, conta. A organização dos eventos é feita com ajuda voluntária. “Temos muitos voluntários que ajudam, mesmo sem estar na diretoria. É uma força comunitária que mantém tudo funcionando”, destaca.
O desafio de manter vivas as raízes
Apesar da paixão, Nelson reconhece que os tempos mudaram. “Hoje em dia é difícil manter sócios. As pessoas têm tudo na mão com o celular. Preferem pizzaria, shopping… Sair para um baile no sábado à noite só se tiver música de banda grande. E para uma sociedade como essa, é difícil pagar isso”, lamenta. Ele estima que um evento grande pode custar até 20 mil reais, o que torna inviável para muitos clubes. “Os clubes de caça e tiro são uma tradição da cidade e da região, mas é difícil manter. Quando a geração mais velha sair, pode ser que acabe. Tudo depende dos custos e do interesse dos jovens”, reflete.
Já para Edson, o maior desafio dos clubes tradicionais é manter a relevância diante das mudanças culturais. “Muitos pais ainda incentivam os filhos, mas outros não. E os jovens não querem mais saber de baile ou tiro. É preciso mudar muita coisa para continuar”, conclui.

Mesmo diante das dificuldades, o Clube Desportivo Cultural Testo Central Alto segue firme, sustentado por memórias, trabalho voluntário e o desejo de preservar uma história que é, acima de tudo, feita por pessoas. E enquanto houver histórias como a de Nelson Erdmann e Edson Morsch, haverá sempre um olhar para o passado e uma esperança para o futuro.
































