A precisão que faz história no tiro esportivo

Rei e rainha coroam talento, disciplina e tradição em Pomerode

A disputa pelo título de rei e rainha do tiro da Festa Pomerana, evento que marca o mês de janeiro em Pomerode, foi mais do que um ritual tradicional: foi uma demonstração clara de que o tiro esportivo segue forte, competitivo e tecnicamente exigente.

Durante a programação, a modalidade reuniu atletas de diferentes idades, experiências e clubes, com diferentes premiações em disputa: por equipes, individual e, a que necessita de mais precisão entre todas: o primeiro disparo que define a realeza. Um detalhe que transforma cada prova em um exercício máximo de concentração, controle emocional e precisão.

Entre os homens, o grande destaque foi Fabiano Fischer, 33 anos, atleta do CCT Vale do Selke. Além de conquistar a faixa de rei do tiro, ele encerrou a competição como o segundo melhor atirador no geral, um feito que confirma o alto nível técnico. “A concentração é fundamental, mas não é só isso. Treino, regulagem da arma e apoio do clube contam muito”, explica Fabiano, que retomou o ritmo competitivo após a pandemia e voltou ainda mais forte.

Momento especial: Helga se emociona ao receber a faixa de rainha do tiro. Foto: Bob Gonçalves/Rádio Pomerode

Criado dentro do ambiente das sociedades de caça e tiro, Fabiano acompanhava os pais no clube desde criança, até ter idade para competir oficialmente. Hoje, ele representa uma nova geração que assume a responsabilidade de manter viva a prática esportiva. Casado com Kathlyn, que começou recentemente a treinar na mesma modalidade, ele já projeta o futuro da filha Maria Emanuela, de apenas dois anos. “Vou incentivar ela também. O tiro ensina disciplina, respeito e foco”, afirma.

No feminino, a emoção tomou conta do estande com a vitória de Helga Weiss, 71 anos, representante do CCT do Alto Rio do Testo. Experiente e respeitada, Helga já havia integrado a realeza do tiro em outras competições, mas celebrou como inédita a conquista do título máximo neste torneio. “É muita emoção. Essa faixa tem um significado especial”, contou, visivelmente emocionada após o disparo certeiro.

Paixão em comum: Helga e o marido, Cirilo, que também é um grande atleta da modalidade do tiro esportivo. Foto: Janaina Possamai/Testo Notícias

Helga destaca que o incentivo do clube foi determinante para sua trajetória no esporte e defende mais estímulos para a participação. “Treinar mais e ter apoio é essencial para conquistar bons resultados”, resume. Na competição o desempenho das mulheres chamou atenção, superando o dos homens em diversos momentos.

A ligação com o tiro esportivo também é familiar. O marido, Cirilo Weiss, construiu uma carreira sólida, com cinco títulos estaduais por equipes e outras dez medalhas nos Jogos Abertos de Santa Catarina, reforçando a tradição competitiva que atravessa gerações e fortalece o esporte no município.

Reconhecimento: Fabiano foi o segundo melhor atirador geral da competição, além de conquistar a faixa de rei. Foto: Bob Gonçalves/Rádio Pomerode

Com 15 clubes de caça e tiro em atividade, Pomerode mantém uma estrutura sólida que une tradição cultural e rendimento esportivo. As provas exigem técnica apurada, constância de treino e controle emocional, características comuns a modalidades olímpicas e de alto nível. O ambiente organizado e as regras de cada clube tornam o ambiente em um local cercado por respeito acima de tudo. “É um esporte que vicia no bom sentido: você sempre quer fazer melhor”, destaca Fabiano.

Mais do que coroar reis e rainhas, o torneio reafirmou o tiro esportivo como uma modalidade viva, intergeracional e em constante renovação. Em cada disparo, Pomerode mostrou que tradição e esporte não caminham separados, seguem lado a lado, mirando sempre o centro do alvo.

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