Amor que vem de berço: a vida de Camile guiada pelos cavalos

Aos 22 anos, ela celebra título recente no laço prenda e destaca o amor e a união familiar como maiores aprendizados

Rainha da 42ª Festa Pomerana, Camile Natana Sabin Barg carrega no título a representação de uma tradição que também faz parte da sua própria história. Antes mesmo de aprender a montar, ela já vivia cercada por cavalos. Aos 22 anos, afirma que a paixão vem de berço. “Eu acho que isso já vem desde que eu estava na barriga da minha mãe”, diz. O pai e o opa sempre a levavam de carroça, e a família nunca deixou de ter cavalos. Segundo ela, é um sentimento que atravessa gerações. “É uma coisa que a gente carrega com muito orgulho e muita paixão.”

Camile lembra que montou pela primeira vez aos três ou quatro anos. Ainda criança, já girava uma cordinha imitando o laço. “Quando eu era muito pequena, eu já girava a cordinha ali, mas nunca fui atrás disso”, conta. Em setembro do ano passado, decidiu começar no laço comprido. Foi, como define, “na cara e na coragem”. Reconhece que o início não foi fácil. “Eu era horrível”, afirma, ao recordar os primeiros treinos.

O primeiro rodeio, em novembro, serviu como aprendizado. “Eu não consegui nada, só a experiência”, relata. No segundo, em Doutor Pedrinho, veio a classificação no duelo de prendas na Força B. Já no terceiro, realizado em 15 de fevereiro, em Benedito Novo, conquistou o título de campeã de prenda. A prova é disputada apenas por mulheres e exige precisão. Montada a cavalo, a competidora precisa girar o laço e acertar os dois chifres de uma vaquinha mecânica. “Tem que pegar só os dois chifres, não pode pegar no pescoço”, explica.

Fé: Ao ouvir o anúncio da vitória, ela soltou o laço e agradeceu a Deus. Para Camile, cada conquista tem o tempo certo para acontecer. Foto: Graziela Tillmann/Testo Notícias

Ao ouvir o anúncio da vitória, a emoção falou mais alto. “Eu soltei tudo e agradeci a Deus”, lembra. Para ela, mais do que o troféu, o momento simbolizou persistência. “Quando a gente perde, desanima, mas não pode desistir”, diz. Camile acredita que cada conquista tem seu tempo. “Deus escreve a nossa história como tem que ser.”

A conexão com os cavalos, segundo ela, sempre foi natural. O maior desafio foi aprender a técnica do laço, que exige força e prática. Já a relação com os animais é algo que considera parte de quem é. “Ele me sente, eu sinto ele. É uma conexão que eu sempre tive.” Depois de um dia cansativo, prefere ir até o rancho. “Às vezes eu só quero descer ali, fazer um carinho ou dar uma volta e volto renovada.”

Camile tem um cavalo chamado Neni, da raça Mangalarga Marchador de 11 anos, mas explica que ele não é o mais indicado para o laço. O título foi conquistado montando Xerebebel, cavalo da raça Crioulo de cinco anos pertencente ao namorado e já preparado para a modalidade. Ela segue em busca de um animal próprio para competir. “Eu quero ter o meu cavalo certo pro laço, mas precisa ter conexão”, afirma.

Entre os momentos mais marcantes está o laço pai e filha, disputado no mesmo dia em que foi campeã. O pai, que já competiu no passado, entrou na arena com ela. “Eu falei pra ele que seria bonito pra nossa história”, recorda. Quando ele confirmou que participaria, a surpresa se transformou em realização, pois para ela, estar ali com a família fazendo o que mais ama não tem preço.

Fora das arenas, Camile está no último período de Ciências Contábeis e já atua na área. Sempre gostou de matemática. “Números sempre foram minha matéria preferida”, conta. Também gosta de ler romances, hábito que a ajuda a relaxar. Apesar de já ter sonhado em ser veterinária, seguiu outro caminho profissional.

Mesmo com a rotina dividida entre estudos, trabalho, compromissos como rainha e treinos, ela deixa claro que os cavalos continuam sendo seu ponto de equilíbrio. “Se for pra escolher, eu prefiro o campo”, afirma. Para Camile, mais do que um esporte, os cavalos representam amor, família e identidade. “O maior aprendizado que eles me trouxeram foi o amor.”

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