Apendicite: o que é, sintomas e tratamento

Cirurgião geral, Dr. Gilberto Nicocelli, explica os riscos da doença e como tratar

A apendicite pode surgir apenas como uma dor inespecífica no abdômen, mas pode acarretar sérias consequências caso não seja tratada adequadamente. A doença é uma inflamação no apêndice, que pode ser causada por motivos diversos.

O cirurgião geral, Dr. Gilberto Nicocelli, explica que o órgão está localizado no quadrante inferior direito e está ligado ao intestino, como se fosse um “túnel”. “O apêndice pode inflamar por conta de felicato, que se trata de um pedaço de fezes, ou por muco, parasitas, entre outros fatores. A partir disso, ocorre desde apenas a inflamação até necrose, perfuração e casos mais graves.”

Segundo o médico, a apendicite é uma doença mais comum em jovens, mas também pode afetar pessoas mais velhas. O pico de incidência é em meninas de 10 a 20 anos e meninos de 15 a 20 anos. Além disso, cerca de 7% da população tem o risco de ter a doença ao longo da vida.

O surgimento da apendicite não tem relação com o estilo de vida ou a alimentação dos pacientes, já que é raro que um corpo estranho, como uma semente de uva, seja o fator obstrutivo do órgão.

Sintomas

Os sintomas da doença são relacionados à inflamação do apêndice. Ou seja, normalmente, o paciente começa a sentir dor no abdômen nas primeiras horas.

“Ele também pode sofrer perda de apetite, enjoo e febre baixa. Com o passar do tempo, a dor começa a ganhar mais intensidade e a migrar para o lado direito, onde está localizado o apêndice”, destaca Dr. Gilberto.

Ao identificar os sintomas, deve-se procurar por atendimento médico, o diagnóstico será feito a partir do perfil do paciente e pelo exame físico. “Muitas vezes, há pessoas que apresentam constipação, que é a prisão de ventre, ou diarreia. Então, o médico vai associar esses fatores ao exame físico.”

Cirurgia

Apendicite
Procedimento: Dr. Gilberto realiza cerca de 10 cirurgias de apendicite por mês. Foto: Arquivo pessoal

Atualmente, a cirurgia de apendicite pode ocorrer de várias maneiras. A convencional é o procedimento no qual é feito um corte no lado direito do abdômen e a retirada do apêndice.

A laparotomia também é feita, mas em casos de maior grau de inflamação, nos quais são necessários fazer um corte no meio da barriga. A cirurgia robótica ainda não é um procedimento com um potencial de reprodução em todos os locais, pois o robô é instalado em apenas alguns centros.

Já a laparoscopia é a técnica mais difundida atualmente, por ser mais acessível e minimamente invasiva. “São feitos três pequenos cortes no abdômen e, através deles, fazemos a cirurgia com uma câmera dentro da barriga. Nós olhamos o apêndice, os outros órgãos internos, e conferir se tem pus lá dentro, ou se vazou fezes”, comenta o médico.
Dr. Gilberto realiza cirurgias de apendicite regularmente, o que resulta em cerca de 10 procedimentos por mês.

Pós-operatório

O cirurgião geral esclarece que a recuperação depende de como foi feito o procedimento. Mas, o pós-operatório da laparoscopia é tranquilo, com poucas dores e rápido, precisando de apenas 15 dias de repouso. “Quando a cirurgia é aberta, tem que ficar mais tempo afastado do trabalho e sem atividade física. Isso ocorre devido ao corte e aos pontos.”

Contudo, o fato de o paciente não ter mais o apêndice não implicará na sua saúde, não sendo necessário exames de rotina ou de sangue. “Quando se retira o apêndice, acabou o problema. Não precisa de acompanhamento por não ter o órgão. Por isso eu digo que é um órgão que praticamente não tem função no corpo”, revela.

Uma cirurgia que pode salvar uma vida

A apendicite é uma doença que tem causado cada vez menos complicações ao paciente graças à tecnologia e ao acesso à informação. Porém, há pouco tempo atrás, ainda se tratava de algo que matava muitas pessoas. “As pessoas não procuravam assistência ou procuravam quando já era muito tarde, com infecção bem grave. Ela é uma doença que não tem riscos, mas se não tratada a tempo é potencialmente fatal”, conclui Dr. Gilberto.

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