Bubi Tillmann, um incansável torcedor do Vera Cruz

Comerciante de Pomerode vive a paixão pelo clube mais antigo da cidade e mostra como a força da arquibancada ajuda a sustentar tradições, vitórias e futuros promissores

Domingo à tarde, no bairro Testo Central, em Pomerode, é sinônimo de encontro marcado com o Vera Cruz Esporte Clube. Não apenas pelos lances em campo, mas pela vibração fora dele. E entre os rostos mais conhecidos da torcida, um nome ecoa com carinho e respeito: Bubi. Valdir Willi Tillmann, o comerciante que há décadas se dedica ao clube de coração, é daqueles torcedores que fazem muito mais do que torcer, ele constrói o clube todos os dias, com trabalho, emoção e um senso de pertencimento que transcende as quatro linhas.

A relação de Bubi com o Vera Cruz começou no quintal de casa, literalmente. “Eu fui criado aqui no bairro. A gente sempre esteve envolvido com o clube, meu pai já vinha aos jogos. E como temos comércio aqui do lado, a diretoria frequentava lá em casa, fomos criando um laço. É algo que cresceu naturalmente”, conta ele. E esse laço se transformou em algo maior: em compromisso, em orgulho, em comunidade.

Fundado em 1944, o Vera Cruz é o clube mais antigo de Pomerode. São 81 anos de história e títulos — como o Campeonato da LPD (1999, 2009, 2012 e 2018), a Taça Pomerode (1984) e a Liga Blumenauense de Futebol (1985 e 2001) — que ajudam a construir uma rica trajetória. Mas são torcedores como Bubi que dão vida a essa tradição. “Hoje a sede está linda, com melhorias visíveis. O presidente atual, o José Kava, está de parabéns. Ele investiu na estrutura, colocou telhado novo, abriu um barzinho na parte de cima da arquibancada… Isso tudo traz vida ao clube”, diz com brilho nos olhos.

Foto: Janaina Possamai/Testo Notícias

Trabalho de formiguinha, resultado gigante

Não é raro encontrar Bubi nos jogos, seja em casa ou fora. Mas o envolvimento vai muito além das arquibancadas. “Eu sempre ajudei o clube, nunca tive cargo direto, mas sempre estive por perto. Agora mesmo, na última rifa que o clube fez, fui um dos que mais vendeu. A gente sabe que não é fácil levantar dinheiro, principalmente por não termos grandes patrocinadores. Aqui é no trabalho de formiguinha mesmo”, relata.

Para o Vera Cruz, é a força de sua gente que faz toda a diferença. “Aqui nos ajudamos como podemos. Não dá pra deixar tudo nas costas da diretoria. Então, quando precisa, a gente corre atrás de brinde, vende rifa, ajuda no que for necessário”, completa.

Nem sempre a paixão se traduz em conquistas dentro de campo. Bubi lembra com frustração de um campeonato em que o time foi eliminado cedo. “Acho que foi na época que o Kava ainda estava começando. O time era muito novo, ele tentou montar o elenco com peças soltas, e não deu liga. Fomos desclassificados cedo. Mas faz parte. Nem sempre dá certo”, reconhece.

Mas as memórias boas pesam mais. “A maior alegria? Tem várias. Mas aquela final contra o Botafogo, em 2009, me marcou muito. Vendemos 170 caixas de cerveja em garrafa. Tivemos que gelar a bebida na câmara fria de um mercado do outro lado da rua. A Gelos Blumenau trouxe gelo com caminhão. Foi um evento! Hoje em dia é difícil ver algo assim.”

Outro momento inesquecível foi recente: o título invicto da Copa Pomerode do ano passado. “Não perdemos um jogo sequer. E agora, nesse campeonato atual, estamos na final de novo”, afirma com orgulho.

Mais do que uma paixão esportiva, o Vera Cruz é, para Bubi, uma extensão da própria vida. “É o que a gente tem pra fazer aqui aos domingos à tarde. A gente encontra amigos, toma um chope, conversa. É um compromisso”, afirma, mostrando que o futebol vai além do placar. É tecido social, é memória afetiva, é resistência.

Conquistas: os troféus conquistados pelo Vera Cruz ao longo do tempo não são poucos e os torcedores vibraram por cada um deles. Foto: Janaina Possamai/Testo Notícias

Desafios para uma nova geração

Mas ele também enxerga os desafios para o futuro. “A nova geração? Tá vindo, mas devagar. O que tem dado certo é essa escolinha aqui do bairro. Isso sim pode renovar a torcida. O menino vem, traz o amiguinho, a mãe, o pai. Assim vai se formando de novo uma base.”

A escolinha do Vera Cruz já chegou a contar com 85 crianças treinando, e o objetivo é que ela se fortaleça cada vez mais.

Esse olhar para frente é tão importante quanto a reverência ao passado. E no meio desse elo, estão torcedores como Bubi, que não se contentam em ser apenas expectadores. Eles são protagonistas silenciosos, mas fundamentais, da história de seus clubes. “Meu recado pros torcedores é esse: vamos comparecer. Vamos continuar nosso trabalho de formiguinha. É isso que mantém o Vera vivo.”

Em um cenário onde o futebol profissional vive altos e baixos, o amador resiste com força graças a pessoas como ele. Gente que não precisa de holofotes, mas que ilumina o campo com presença, com doação, com amor. Bubi é mais do que um torcedor: é um pilar da história do Vera Cruz Esporte Clube. E como ele mesmo diz, com a sabedoria de quem já viu muita bola rolar: “Nada é 100%. Mas com paixão, a gente chega perto.”

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