C.E.R. Botafogo: uma história de paixão, desafios e conquistas em Pomerode

Fundado em 1964, clube atravessou décadas de transformações, mantendo viva sua tradição esportiva e social

Fundado oficialmente em 1964, o Clube Esportivo Recreativo Botafogo nasceu da paixão de um grupo de amigos pelo esporte e pela convivência social, carregando consigo influências curiosas: o nome foi escolhido entre duas opções: Continental, inspirado no cigarro popular da época, e Botafogo, em homenagem ao time carioca que conquistava corações em todo o Brasil.

Desde os primeiros bailes no salão de madeira do Wunderwald até as grandes conquistas no futebol e no tiro esportivo, o Botafogo construiu uma trajetória de desafios e superações. Mais que um espaço de lazer, tornou-se símbolo de identidade, amizade e pertencimento.

Este especial da editoria Um Olhar para o Passado resgata os momentos que marcaram a história do clube, das “domingueiras” que embalavam gerações às vitórias que levaram o nome de Pomerode para além das fronteiras locais. Uma narrativa que revela não apenas o crescimento de uma instituição esportiva, mas também o legado de dedicação de seus dirigentes e sócios, que mantêm viva a chama do Botafogo até hoje.

Rifa do Fusca: registro feito entre 1965 e 1970, da multidão reunida em clima de festa para acompanhar o sorteio no sistema bingo, conduzido por Udo Ahrend (in memoriam). Foto: Arquivo Pessoal

As origens: entre uma marca de cigarros e um time de futebol

A história do Botafogo em Pomerode começa antes mesmo de sua fundação oficial. Como relembra o atual presidente, Jürgen König, já havia um grupo de simpatizantes do esporte que se reunia para discutir a criação de uma sociedade. Entre eles, alguns eram admiradores do Botafogo do Rio de Janeiro, enquanto outros eram fumantes da famosa marca de cigarros Continental, muito popular na época.

Duas propostas de nome surgiram: Continental e Botafogo. Pela maioria, venceu a segunda opção, que carregava consigo a força simbólica do futebol carioca. Assim, em 19 de fevereiro de 1964, o Clube Esportivo Recreativo Botafogo foi oficialmente constituído, com estatuto registrado e sede própria.

A primeira sede ficava na entrada do bairro Wunderwald, onde hoje está o Supermercado Hannes. Era um salão de madeira simples, mas que se tornaria palco de momentos memoráveis. Ali aconteciam as famosas “domingueiras”, bailes que atraíam multidões e se tornaram referência na região. Além da vida social, o clube também se destacava no futebol de campo, refletindo a paixão esportiva de seus fundadores.

Histórico: registro da diretoria do Botafogo na década de 1970, à direita, Waldemiro Kopsch, treinador da época e único ainda em vida. Foto: Arquivo Pessoal

A interrupção e a retomada

Em 1987, o Botafogo precisou interromper suas atividades por questões legais. Mas a chama não se apagou. O tiro pressão, uma das modalidades mais tradicionais, continuou sendo praticado na casa de Roland König, tio de Jürgen.

Na época, Jürgen estava ligado ao Floresta, clube rival, e brinca que era “adversário esportivo” do tio. Mas a ligação familiar e a força do nome Botafogo na cidade fizeram nascer a ideia de reorganizar o clube. Em 1991, um grupo de trabalho foi formado, ex-sócios foram visitados e uma nova diretoria foi eleita, tendo Jürgen como presidente.
“Decidimos reerguer o Botafogo pois seus bailes, na época conhecidos como domingueiras e ‘soarês’, eram muito famosos, e também por causa do futebol, que era forte na região”, relembra Jürgen.

A nova sede e a reconstrução

Com apenas 30 anos, Jürgen enfrentou desconfiança. “Eles diziam em alemão: ‘o que esse menino de escola vai conseguir fazer?’”, conta. Mas sua determinação foi maior. Em 1995, após muito esforço coletivo, o clube inaugurou sua nova sede no Alto da Colina, em 15 de dezembro, curiosamente, no mesmo dia em que o Botafogo do Rio conquistava o Campeonato Brasileiro.

Marco: inauguração da nova sede no Alto da Colina, em 15/12/1995, já sob a presidência de Jürgen König. Foto: Arquivo Pessoal

O processo de construção envolveu desde a compra da área até a instalação de energia elétrica e água. Para arrecadar recursos, rifas foram organizadas com prêmios ousados: carros novos. “Sorteamos cinco carros, e nunca deixamos de vender sequer uma folha de rifa”, lembra Jürgen.

Marco: inauguração da nova sede no Alto da Colina, em 15/12/1995, já sob a presidência de Jürgen König. Foto: Arquivo Pessoal

Expansão e conquistas

A partir da nova sede, o Botafogo ampliou suas atividades esportivas e sociais. O salão foi expandido para 900 m², e o clube passou a oferecer uma das maiores variedades de modalidades de tiro do Vale: Tiro Pressão, Carabina, Tiro ao Prato, Fogo Central e Tiro Prático.

Apesar da dedicação, o tiro esportivo enfrentou obstáculos com mudanças nas políticas governamentais, que aumentaram a burocracia e reduziram o número de praticantes. Mesmo assim, o Botafogo prosperou. “Um caC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) tem todos os testes psicológicos, tem que fazer psicotécnico, tem que ter o documento no Exército Brasileiro”, explica Jürgen, destacando as exigências para quem deseja praticar. No tiro, atletas como Lauro Teodoro dos Reis e Ivair José Dalcanali brilharam nos Jogos Abertos, trazendo títulos individuais e por equipes para Pomerode.

Já no futebol, o Botafogo conquistou títulos importantes como o Campeonato da LPD em 2006, o Campeonato Integração Pomerode/Jaraguá em 1997 e o Regional da LBF em 1998. O auge veio entre 2009 e 2013, com a triplicação da sede social, a inauguração da quadra de futebol society e títulos marcantes como a Copa Kaiser de Futebol Amador em 2011 e 2012, além do título nacional da mesma competição.

Tiro: o Clube Botafogo abriga um dos maiores espaços da região dedicados à prática das mais variadas modalidades. Foto: Jonathas Albuquerque/Testo Notícias

Identidade e legado

Para Jürgen, o Botafogo sempre foi mais que um clube. “É o Jürgen do Botafogo”, diz, orgulhoso da associação que o clube trouxe à sua vida. Ele considera o clube uma segunda casa, fonte de amizades, aprendizados e identidade.

O clube também manteve vivas tradições sociais, como a Festa de Rei e Rainha, que reforçam o vínculo comunitário. Hoje, com cerca de 600 sócios, o Botafogo segue como referência em Pomerode.

Trabalho: Jürgen König é figura inseparável da história do clube, referência de tradição e compromisso com o esporte e a comunidade. Foto: Jonatas Albuquerque / Testo Notícias

O desafio das novas gerações

Apesar das conquistas, Jürgen reconhece os desafios atuais. “O desafio é manter as tradições e conseguir convencer pessoas mais novas”, afirma. Ele teme que, sem renovação, os clubes possam fechar em dez ou quinze anos. “Conclamo as pessoas que amam os clubes ou amam as tradições, o esporte, a darem a sua parcela de contribuição, a convencerem os jovens e a dedicarem parte do seu tempo para dar continuidade a isso”, apela.

Clube Botafogo: vista aérea da sede no Alto da Colina, símbolo da força e da tradição esportiva e social de Pomerode.

Um olhar para o futuro

A história do Clube Botafogo é marcada por superação, paixão e dedicação. De um salão de madeira no Wunderwald às modernas instalações no Alto da Colina, o clube se reinventou sem perder sua essência.

O desejo de Jürgen é claro: que o legado dos antepassados continue vivo “eternamente”. Mais que um clube de caça e tiro, o Botafogo é parte vital da cultura e da comunidade de Pomerode, um espaço onde esporte, tradição e amizade se encontram para escrever novas páginas de uma história que começou em 1964 e segue firme até hoje.

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