Quando alguém doa parte de si, o gesto pode parecer pequeno, mas, para quem recebe, é tudo.
Professor de Educação Física em Pomerode, Artur Geweh, 47 anos, não gosta de contar quantas vezes já doou sangue. Prefere dizer que cada ida ao Hemosc é uma chance de ajudar alguém a continuar vivendo. Mas os números impressionam: mais de 50 doações entre sangue e plaquetas, o que pode ter beneficiado mais de 200 pessoas.

A história começou com tropeços. Na primeira tentativa, nada deu certo: “Furaram os dois braços e o sangue não saía. A enfermeira pediu para tentar mais uma vez, mas eu desisti”, relembra. O desejo persistiu, e um ano depois ele voltou — desta vez, para ficar.
Com as doações frequentes, uma enfermeira percebeu que a vazão baixa tinha solução simples: hidratação antes da coleta. E funcionou. “O que durava nove minutos passou para cinco”, diz.
Do sangue às plaquetas: doações que exigem tempo e entrega
Artur descobriu depois que também era apto para doar plaquetas e hemácias por aférese, um processo mais demorado, que dura até duas horas, e é essencial em tratamentos de câncer e leucemia. “Se eu pudesse, doava toda semana, mas precisamos seguir as regras. No sangue total, para homens, só a cada dois meses; nas plaquetas, posso voltar em 15 dias”, explica.
Além disso, está inscrito no Redome, o cadastro nacional de doadores de medula óssea, há 12 anos. “Se tocar o telefone, eu vou. Como dizer não para uma vida que depende de você?”

Um gesto que abriu caminhos
O ato de doar também mudou sua história profissional. Como doador regular, teve direito à isenção de taxas de concursos públicos. “No ano do concurso de Pomerode, economizei mais de R$ 1.500 com provas prestadas. Meu emprego hoje tem muito a ver com a doação de sangue”, reconhece.
Na escola, o professor virou exemplo silencioso. Os alunos comentam, perguntam, se inspiram. “É um sangue anônimo. A pessoa só quer viver, e precisa do teu sangue pra isso. Se eu posso ajudar, por que não faria?”
A mensagem que fica
“Doar sangue é doar vida. Doe com coragem e sem medo. A alegria de saber que alguém está vivo porque recebeu teu sangue não tem preço.”
































