ESPECIAL: Do primeiro plano de chamada à conquista de modernos equipamentos, uma paixão por apoiar aqueles que salvam vidas

Voluntários que oferecem trabalho, cuidado e presença; a essência de um gesto que não tem preço

Na segunda reportagem da série especial intitulada “O poder de doar”, o Testo Notícias conta a história de pessoas que colocam seu tempo a serviço da comunidade. O voluntariado é uma das mais belas formas de transformar vidas.

Pomerode aprendeu a conjugar o verbo doar em horas, abraços, reuniões e coragem. A história de Teodania Hass Krahn e de Carlos Romeu Odwazny revela o quanto o tempo, quando entregue ao outro, reorganiza destinos, inclusive o de quem oferece. Eles trilham caminhos distintos do voluntariado, a Rede Feminina de Combate ao Câncer e a Corporação de Bombeiros Voluntários, mas compartilham uma convicção: prevenção e proteção se fazem de gente, e gente precisa de presença.

Nessa segunda reportagem da Série Especial: O Poder de Doar, contamos história de quem acredita ser o tempo entregue a quem precisa o elo mais duradouro da vida em comunidade.

Do primeiro plano de chamada à conquista de modernos equipamentos, uma paixão por apoiar aqueles que salvam vidas

Na infância, ele lembra de ver o pai ajudando aos amigos e conhecidos, em uma época em que a palavra voluntariado ainda não fazia parte do vocabulário popular, e ações de solidariedade não recebia um nome específico. O exemplo e o valor dessas ações, no entanto, nunca passaram despercebidas e, para Carlos, ficaram gravadas na memória como um exemplo a ser seguido.

Sua porta de entrada para os Bombeiros Voluntários de Pomerode foi uma palestra, em junho de 1995, na Associação Empresarial de Pomerode (Acip). Corporações de Joinville e Jaraguá do Sul explicaram o modelo e, naquela noite, muita gente saiu “contaminada” pelo propósito. Quando o Delegado da Polícia Civil, doutor Antônio Carlos Pereira, ligou convidando-o para a tesouraria, Carlos respondeu que não tinha tempo. Ouviu de volta: “é justamente de quem não tem tempo que eu preciso. Você tem meia hora por semana?”. Meio sorriso, meio espanto, e um sim que dura mais de três décadas.

Foto: Carla Belchior/Testo Notícias

O começo foi no fio da navalha. Reuniões de terça, das 7h30min às 8h, com pauta cronometrada e tarefas distribuídas; empresas locais cederam brigadistas para treinar em Joinville e multiplicar conhecimento; e, em dezembro de 1995, o plantão começou. Sem celular disseminado, o acionamento dependia de um “plano de chamada”: a sirene tocava, nomes eram ativados em cascata e, em poucos minutos, motorista e equipe chegavam ao quartel. A criatividade financeira também entrou em campo.

Inspirados por Joinville, os bombeiros locais implementaram o sistema de doações na fatura de energia elétrica e, em 1998, conquistaram uma ambulância via SESI e FIESC:  “veio peladinha”, ri Carlos, que aos poucos foi equipada. Um chassi esquecido, com apoio de parceiros, virou caminhão. O alojamento nasceu no que havia sido uma estufa de madeira. Nada era confortável; tudo era possível.

Com o tempo, as convicções se afirmaram. Carlos sempre um admirador daqueles que colocam o tempo e a disposição para ajudar a população no papel de bombeiros voluntários. Ele lembra de passagens marcantes, como um incêndio que gerou grandes prejuízos ao proprietário e que posteriormente levou os próprios combatentes a solicitar que, ao invés de um novo alojamento, o recuso disponível fosse investido na compra de um segundo caminhão de combate à incêndio, para que houvesse ainda mais capacidade operacional para proteger patrimônios e vidas. “O alojamento era improvisado, mas eles não pensaram no próprio conforto, pensaram na população, e isso me marcou profundamente”.

Outro momento ímpar foi a defesa pela inclusão de mulheres nos plantões. Houve resistência, mas venceu a obviedade: voluntário não é sinônimo de amador; com respeito e estrutura, todos podem servir. Hoje, o efetivo feminino é presença natural e, no Outubro Rosa, a corporação realiza plantões 100% femininos, um marco.

A biografia tem curvas. Em 2007, uma trombose venosa cerebral afetou o nervo óptico de Carlos e embaralhou a visão. O diagnóstico custou a aparecer; o tratamento exigiu paciência. Ele se afastou por um período, mas voltou. Ao longo da história, Carlos presidiu a corporação por seis anos, hoje é tesoureiro outra vez e segue como uma espécie de guardião do método: reuniões objetivas, governança clara, preparo de sucessores, vice que vira presidente, presidente que vira vice para acompanhar o próximo ciclo. A lógica é simples: continuidade gera resultados colhidos pela população.

Em 2025, Carlos foi agraciado com a Comenda Diaconisa Anita Guenther, concedida pela Câmara de Vereadores de Pomerode – neste caso por meio de um requerimento do vereador Marco Desessards. A honraria, uma das mais importantes do município, reconhece cidadãos que se destacam pela atuação comunitária, solidária e de serviço ao próximo, valores que marcaram a trajetória da diaconisa que dá nome à comenda.

“Fiquei muito honrado, mas quero dividir essa comenda aos que acreditam serem seus verdadeiros merecedores, que são os homens e mulheres que atuam em seus plantões voluntários, doam seu tempo e esforço para oferecer segurança e proteção a população pomerodense”, destaca ele.

Por toda história construída nesses mais de 30 anos de trabalho voluntário à frente da administração da Corporação de Bombeiros Voluntários de Pomerode, Odwazny é considerado um dos principais responsáveis pela estruturação e fortalecimento da instituição. Importante citar que ele também é voluntário no Centro de Convivência Pommernheim desde 1998, foi o primeiro presidente da entidade e atualmente oferece seus conhecimentos como conselheiro.

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