ESPECIAL: Uma vida impulsionada pela solidariedade cor de rosa

Na segunda reportagem da série especial intitulada “O poder de doar”, o Testo Notícias conta a história de pessoas que colocam seu tempo a serviço da comunidade. O voluntariado é uma das mais belas formas de transformar vidas

Pomerode aprendeu a conjugar o verbo doar em horas, abraços, reuniões e coragem. A história de Teodania Hass Krahn e de Carlos Romeu Odwazny revela o quanto o tempo, quando entregue ao outro, reorganiza destinos, inclusive o de quem oferece. Eles trilham caminhos distintos do voluntariado, a Rede Feminina de Combate ao Câncer e a Corporação de Bombeiros Voluntários, mas compartilham uma convicção: prevenção e proteção se fazem de gente, e gente precisa de presença.

Nessa segunda reportagem da Série Especial: O Poder de Doar, contamos história de quem acredita ser o tempo entregue a quem precisa o elo mais duradouro da vida em comunidade.

Uma vida impulsionada pela solidariedade cor de rosa

Teodania lembra que tudo começou com um café entre amigas. Estelita lançou a ideia, o Rotary acolheu, Blumenau inspirou com o exemplo e o medo apareceu. “Quando vimos a estrutura de lá, parecia muito longe de nós”, recorda.

O medo foi cedendo lugar à adesão de outras mulheres, à agenda de reuniões e à persistência. Em outubro de 2000, a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Pomerode foi fundada. Naquela fase, era tudo simples: poucos serviços, muita vontade. “A Rede tem dois marcos: antes da sede e depois dela”, resume.

Foto: Carla Bechior/Testo Notícias

A casa própria deu chão e ampliou horizontes. Vieram o brechó, as terapias integrativas, mais consultórios, mais gente chegando, inclusive de outras cidades e estados, porque o boca a boca empurrou as portas para fora do município.

Dezoito anos após assinar a ata de fundação, Teodania sentou do outro lado da mesa. Em julho de 2018, a mamografia de rotina apontou microcalcificações aglomeradas. Veio a suspeita de malignidade, a consulta com o mastologista e a decisão por uma cirurgia para retirar o material e enviá-lo à biópsia.

Menos de dez dias depois, o telefonema: carcinoma in situ. Em 24 de setembro, uma segunda cirurgia, mais invasiva, retirou o duto mamário e fez a limpeza dos linfonodos do braço direito. Na sequência, o oncologista indicou 34 sessões de radioterapia. “Tudo é para a tua cura”, repetia o médico. Entre um procedimento e outro, não houve isolamento: Teodania guardou apenas os quinze dias de repouso após cada cirurgia e, depois, voltou à atividade física e à rotina. A disciplina virou âncora.

Foto: Carla Belchior/Testo Notícias

O aprendizado virou mensagem pública. A frase mais recente veio do médico da unidade de saúde: histórico de cura e ser voluntária da Rede não imunizam ninguém contra o câncer; a única proteção é a prevenção. “E é isso que fazemos aqui na Rede, incentivamos as mulheres e todos que vêm nos procurar há tantos anos.”

Teodania reforça esse recado em cada conversa: exame em dia, atenção ao próprio corpo, confiança no plano terapêutico e nada de se isolar. Segundo ela, compartilhe com a família e com os amigos e buscar apoio médico é fundamental. Além disso, a Rede está de portas abertas. “Tem psicólogas, enfermeira, voluntárias do Vida Rosa. Sempre há alguém para ouvir.” Ela mesma recebeu visitas, ligações, colo. “O emocional fica muito abalado. É preciso pedir ajuda.”

A vivência de paciente reorientou seu lugar na instituição. Teodania se reconheceu mais frágil para atuar no apoio emocional, mas se encontrou em outras frentes: coordena cantorias, puxa o hino da Rede, trabalha no brechó e segue firme na yoga semanal com pacientes e mulheres em remissão. É comum ser parada na rua por alguém que começou as terapias durante o tratamento e, de volta ao trabalho, não conseguiu manter o ritmo. “Eu tirei esse horário para mim”, ela responde, certa de que autocuidado não é luxo, é método.

Em paralelo, participou de projetos de captação que permitiram melhorias, como o elevador instalado na sede, e viu nascer uma rede de parceiros: empresas, profissionais, doadores anônimos. “Isto aqui é minha segunda casa”, diz, percorrendo corredores que conhece de olhos fechados.

Confira o vídeo:

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