Golpe do “falso advogado” faz vítimas na região e motiva campanha de alerta

Golpistas acessam informações públicas da Justiça e se passam por profissionais para solicitar pagamentos; advogada de Pomerode explica como o golpe funciona e como se proteger

A prática conhecida como golpe do “falso advogado” tem se espalhado pelo país e também já fez vítimas na região do Vale do Itajaí. O crime consiste em criminosos que se passam por advogados para enganar pessoas que possuem processos judiciais em andamento, solicitando transferências via Pix sob o pretexto de liberar valores supostamente ganhos na Justiça.

Diante do aumento dos casos, a Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Blumenau ampliou uma campanha de conscientização para alertar a população sobre o golpe. A iniciativa inclui entrevistas à imprensa, conteúdos informativos nas redes sociais, vinhetas educativas em rádios, além da instalação de outdoors em cidades como Blumenau e Pomerode.

A mensagem central da campanha é clara: se pedirem Pix para liberar valores de processo, desconfie — pode ser golpe.

A orientação é sempre confirmar qualquer solicitação diretamente com o advogado responsável pelo caso, utilizando canais oficiais de contato.

Para explicar como esse tipo de fraude funciona e orientar a população sobre como agir, o Testo Notícias conversou com a advogada Alessandra Zangale Zaquine da Silva, do escritório Geroleti Advogados Associados, de Pomerode. Confira a entrevista:

Como os golpistas conseguem os dados das vítimas?

Através de acesso às ações judiciais, que são públicas, os golpistas conseguem os dados não apenas das vítimas, mas também informações dos próprios processos e dos advogados. Normalmente fazem contato por meio de mensagens de WhatsApp se passando pelo advogado da vítima, informando que houve ganho da causa e solicitando dados bancários ou, em alguns casos, o repasse de valores.

Para tornar o golpe mais convincente, utilizam fotos do advogado retiradas de redes sociais e repassam informações reais do processo. A vítima imagina que está conversando com seu advogado, quando na realidade está tratando com um golpista.

Existe um perfil de vítima que os golpistas procuram?

Não há um perfil definido. Geralmente os golpistas analisam o tipo de processo em trâmite e verificam se há valores a receber envolvidos. Com a informação de que determinada pessoa possui um processo em andamento e há possibilidade de receber algum valor, realizam a abordagem.

3 – Como a OAB Blumenau tem auxiliado os advogados que têm seus nomes usados indevidamente nesses golpes?

A Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Blumenau tem auxiliado os advogados que têm seus nomes envolvidos nesses golpes. As campanhas publicitárias foram intensificadas com o objetivo de alertar a população sobre as fraudes que vêm acontecendo.

A campanha realizada é ampla, permanente e contínua. O objetivo é informar e alertar a população para que tenha cautela e não realize transferências de valores ou repasse dados sem antes consultar o advogado responsável pelo processo.

As ações incluem outdoors, publicações em redes sociais como Instagram e Facebook, envio de materiais informativos, entrevistas em rádio e televisão, além de vinhetas em emissoras de rádio.

Paralelamente, também está sendo cobrado maior empenho das forças de segurança pública para o rastreamento e investigação das quadrilhas envolvidas. Esse é um problema nacional e afeta todo o sistema de justiça.

É importante esclarecer que a OAB e os advogados não possuem poder investigatório e também são vítimas dessa situação.

Qual a orientação para quem recebeu a abordagem de um golpista?

Uma orientação básica é certificar-se de que realmente está falando com seu advogado. Em caso de dúvida, peça para aguardar e utilize uma forma segura de contato direto com o profissional.

Se o contato pedir envio de informações ou repasse de valores, é fundamental confirmar a procedência da mensagem. Não é porque aparece a foto do advogado ou é informado um número de processo que o contato é verdadeiro.

Também é importante desconfiar de solicitações urgentes ou feitas fora do horário comercial.

Se a pessoa fez um pagamento e foi vítima de fraude, o que deve fazer?

É fundamental agir rapidamente. Entre em contato com seu advogado e com o banco de destino do depósito. Solicite o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, que permite a recuperação de valores em casos de fraude.

Informe os dados da transação, como chave Pix, CPF ou CNPJ do fraudador e o banco destinatário. Solicite a abertura de um processo de contestação via MED e peça que o banco investigue a conta suspeita e adote as medidas cabíveis, incluindo o bloqueio do valor transferido.

Também é importante entrar em contato com a central de atendimento do banco, registrar um Boletim de Ocorrência e denunciar o número utilizado no WhatsApp e em redes sociais.

Não tenha vergonha de denunciar e buscar ajuda.

É possível recuperar o dinheiro enviado por Pix?

Sim, é possível, mas depende de alguns fatores. Se o fraudador ainda não sacou ou transferiu o dinheiro, o banco pode conseguir bloquear o valor. Caso o golpe seja reconhecido no MED do Pix, o banco do fraudador pode ser obrigado a devolver o valor.

Proibido reproduzir esse conteúdo sem a devida citação da fonte jornalística.

Receba notícias direto no seu celular, através dos nossos grupos. Escolha a sua opção:

WhatsApp

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui