Greve dos caminhoneiros pode começar nesta semana após disparada do diesel

Lideranças articulam mobilização em vários estados e pressionam por medidas urgentes

O governo federal intensificou as articulações para tentar evitar uma nova greve dos caminhoneiros em 2026, diante da forte alta no preço do óleo diesel nas últimas semanas. Representantes da categoria se reúnem nesta quarta-feira (18) para definir a possível data da paralisação, que já conta com apoio de lideranças em diferentes estados do país.

A mobilização ganhou força após encontros realizados, como a assembleia no Porto de Santos (SP), onde caminhoneiros de estados como São Paulo, Paraná e Goiás sinalizaram adesão ao movimento. A expectativa é de que a paralisação possa começar ainda nesta semana, caso não haja avanço nas negociações com o governo federal.

O principal motivo da insatisfação é o aumento expressivo no preço do diesel, que acumula alta de 18,86% desde o fim de fevereiro. A elevação é atribuída, principalmente, à instabilidade no mercado internacional de petróleo, influenciada por conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Mesmo com medidas anunciadas pelo governo para tentar conter os impactos, o preço médio do combustível subiu rapidamente, passando de R$ 6,10 para R$ 6,58 em apenas uma semana de março. A situação se agravou após um reajuste de 11,6% nas refinarias, o que ampliou a pressão sobre os custos do transporte.

A paralisação, caso confirmada, deve reunir caminhoneiros autônomos, motoristas de transportadoras e também profissionais ligados a aplicativos de transporte. O movimento é liderado pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), com apoio inicial de entidades do setor. No entanto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) ainda avalia se irá aderir oficialmente.

A orientação das lideranças é para que não haja bloqueios de rodovias, evitando multas e conflitos. A recomendação é que os motoristas permaneçam parados em casa ou em postos de combustíveis.

Entre os estados com maior mobilização estão São Paulo, considerado o centro das articulações, além de Paraná, Santa Catarina, Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul. Nessas regiões, caminhoneiros já relatam dificuldades como aumento nos custos operacionais, escassez de diesel e prejuízos nas rotas de transporte.

Enquanto isso, o governo federal aposta em medidas para conter a crise. Entre elas, a manutenção da desoneração de tributos como PIS e Cofins sobre o diesel, além do reforço na fiscalização para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete.

Também foram intensificadas ações contra possíveis abusos nos preços dos combustíveis. Uma força-tarefa já fiscalizou centenas de postos em diversos estados, e a Polícia Federal abriu investigação para apurar irregularidades no mercado.

Apesar das iniciativas, lideranças dos caminhoneiros afirmam que a categoria pode parar caso não haja uma redução efetiva no custo do diesel. A avaliação é de que o cenário atual repete dificuldades enfrentadas em crises anteriores, mantendo o setor em alerta.

Com informações da NDMais

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