Na década de 1950, um grupo de amigos reunidos para uma partida de bolão na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, não imaginava que, após um imprevisto com a banda contratada para o evento, eles dariam início a uma grande trajetória musical. Foi assim, em meio a risos e improviso, que “Os Futuristas” tocaram pela primeira vez, transformando um hobby em uma paixão que atravessaria gerações e fronteiras.
A Origem dos Futuristas
A história da banda “Os Futuristas” começou de maneira inusitada. O grupo, que se reunia habitualmente às quintas-feiras para treinos de bolão, levava sempre seus instrumentos musicais para “brincar” após os jogos. Em 28 de junho de 1959, convidados para uma série de partidas em outra cidade, eles foram surpreendidos pela ausência da banda que animaria o baile.
Sem hesitar, “Os Futuristas” aceitaram o desafio de tocar, mesmo com a falta de experiência em apresentações públicas. O sucesso foi imediato, e a “brincadeira” se tornou séria, dando origem ao conjunto que levaria a música germânica a palcos de todo o Brasil.
A primeira formação do grupo era formada por Arnold Huber, Harry Zilmer, Armindo Treter, Rudi Brust, Helio Michaelsen e Reinhard Treter. Em 1961 somaran-se ao grupo, Plinio Michaelsen e Paulo Wassermann.
Atualmente, o grupo “Os Futuristas” é formado por Breno Schneider (bandoneon e saxofone), Lolão Severo (contrabaixo) Walter Gollmann (saxofone), Rodrigo Kienen (bandoneon), Enéias Schuler (trompete), Liriane Afonso Stavacz (acordeon) Marcos Barth (trombone), Emerson Luiz Machado (trompete), Patrícia Vargas (guitarra) e Guilherme Borchardt (bateria).
Um integrante com coração pomerodense
Hoje, a banda continua a encantar plateias, e um dos seus integrantes, Rodrigo Kienen, compartilha essa rica história. Rodrigo, que sempre admirou “Os Futuristas” desde criança, especialmente pelo uso do bandoneon, ingressou na banda em abril deste ano.
Para ele, fazer parte desse legado é um orgulho imensurável. “É uma responsabilidade, eu vejo, assim, são 66 anos de história, e hoje ter isso aqui em Pomerode, poder fazer parte de tudo isso e resgatar um pouco de todo esse legado, eu acho que é um baita orgulho”, afirma.
Segundo Rodrigo, o grupo Os Futuristas não se limita ao Vale do Itajaí; ele se apresenta por todo o estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, levando sua música a diversas comunidades. Rodrigo destaca o impacto emocional que a banda provoca: “A gente tocou em Blumenau, vimos as pessoas mais velhas chorando na frente do palco e relembrando o passado, coisa que eu nunca vi, sabe? É uma paixão, assim, que eu não tenho como explicar.”
Para Rodrigo, o legado da banda vai além das notas musicais; é uma história de inspiração e conexão cultural. Com a integração nas redes sociais, “Os Futuristas” alcançaram ainda mais pessoas, incluindo jovens interessados em aprender o bandoneon, inspirados pelo repertório da banda. “A nossa região tem essa forte ligação com o instrumento, inclusive temos em Pomerode uma escola de bandoneon, da qual sou professor. Então, para mim é mais que uma honra é uma missão de manter o legado desse instrumento tão importante para nós.”
Histórias e curiosidades
A banda estreou oficialmente em 19 de outubro de 1959, na inauguração da Rádio Progresso de Ijuí (RS). O apresentador Wilson Mânica incentivou a gravação de um disco, o que marcou o início de uma carreira fonográfica marcante. A primeira música do lado A, era o hino de guerra do grupo de bolão, ‘Futuristas’, um dobrado.”
Depois, por intermédio de Mânica tiveram a oportunidade de gravar pela famosa gravadora Chantecler. Durante uma sessão de gravação em São Paulo, a banda enfrentou dificuldades de adaptação ao ambiente, superadas com uma dose de humor e uísque, proporcionando uma fluidez musical que resultou em dois discos gravados em uma única viagem. “Os integrantes foram a São Paulo com duas kombis, para gravar. Mas eles eram acostumados a ensaiar em uma garagem e a coisa não rendeu. Então alguém teve a ideia de comprar uma garrafa de uísque e a partir daí tudo fluiu maravilhosamente bem.”
Durante anos a banda colecionou contratos, turnês, vendas de discos, músicas mais rodadas e sucesso de bilheteria. “Eles levaram alegria a vários rincões e inspiraram músicos e conjuntos. Metade do sul do Brasil, Paraguai e Argentina eram os principais destinos.”
Na década de 1970, a banda enfrentou uma divisão, resultando em dois grupos distintos, ambos gravando discos sob o nome “Os Futuristas”. Contudo, a essência da banda permaneceu, e hoje, Breno Schneider, um admirador de longa data, é o administrador do grupo, ao lado de Valter Gerhardt, investidor que faz a função administrativa da banda, e Rodrigo Kienen como diretor musical. À frente da banda, o trio garante que o bandoneon, peça central dos Futuristas, continue a ecoar a tradição germânica.
Com mais de 60 anos de atividade, “Os Futuristas” continuam a ser uma referência na música germânica brasileira, levando alegria e inspiração por onde passam. A banda é um exemplo de como a paixão pela música pode transcender o tempo e as adversidades, mantendo viva a cultura e a história de um povo. “Agradecemos aos integrantes atuais e àqueles que, do outro lado, continuam ‘futuristando’ com suas melodias eternas.”
































