Rota do Enxaimel, em Pomerode, tem Osterbaum Comunitária para representar moradores do bairro

Iniciativa da Associação da Rota do Enxaimel para representar os 3 mil moradores da localidade

Em meio ao vale do Testo Alto, a principal rua de um dos bairros mais tradicionais de Pomerode abriga uma árvore de Páscoa que chama a atenção de quem passa: são centenas de casquinhas enfeitadas com diferentes técnicas, estilos e cores. É a Osterbaum Comunitária da Rota do Enxaimel – uma iniciativa da Associação da Rota do Enxaimel para representar os 3 mil moradores da localidade.

Esta porção de terra cercada de preservada Mata Atlântica onde um dos afluentes do Rio do Testo serpenteia pelos morros é o local onde a cultura dos imigrantes pomeranos se manifesta de forma mais genuína. É em frente a uma das mais tradicionais sociedades culturais da cidade, o Clube 15 de Novembro, que fica a Osterbaum Comunitária. Segundo a tradição alemã, os galhos simbolizam a morte de Jesus e os ovos coloridos remetem à alegria da ressurreição de Cristo e à renovação da vida.

O capricho dos moradores levou a Associação Rota do Enxaimel a criar a Osterbaum Comunitária da Rota do Enxaimel, para eles pensarem além de suas casas, e enfeitarem um dos principais símbolos de Páscoa da cidade que simbolize todo o bairro. Hoje, estudantes da Escola Amadeu da Luz e da CEI Damaris Frahm levaram algumas casquinhas para ajudar na montagem da árvore. Até o momento, a árvore recebeu 1.563 casquinhas.

Há casquinhas de ovos envolvidas em fita de cetim, crochê, pintadas a guache, com enfeite de flores secas. Cada família trouxe a sua: algumas ornamentadas com o sobrenome, outras de madeira e algumas de diferentes aves domésticas. Cada morador que ali vive estará representado na árvore:

– A Osterbaum Comunitária sintetiza o próprio associativismo, tão presente em Pomerode: cada um contribui um pouco, e o resultado é muito maior do que cada um faria sozinho. A beleza é a diversidade de ovos, de técnicas, de estilos, que representam a riqueza das pessoas em um só lugar. Você vê bastante tipos, as famílias estão colocando os nomes, sobrenomes, várias diferentes, de codorna, de ganso, de galinha, tem de avestruz, tem umas cuias aqui – comenta Rogério Siewert, vice-presidente da associação.

Gabrielly Vitória Kopp, de 11 anos, que está no 7º ano na Escola Amadeu da Luz, participou da montagem da árvore e deu seu relato: “foi uma sensação incrível de pintar com a minha família juntos. Eu achei ela muito bonita e uma coisa muito experiente para as pessoas poderem fazer isso”. Matheus Eduardo, de 11 anos, também do 7º ano, já pintou casquinhas em páscoas anteriores e celebrou a primeira vez que participou com as suas na Osterbaum comunitária: “já pintava desde pequenininho junto com o pai e a mãe. Eu usei flor porque eu sempre via umas casquinhas com flores e eu quis tentar esse ano. Eu acho bem bonito”, conta

Todo domingo, as famílias se reúnem às 17h para pendurar novas casquinhas enfeitadas. As escolas e creches da localidade também se envolveram e estão decorando ovos em sala de aula para pendurar com a turma na Osterbaum Comunitária. A árvore ficará em frente ao clube até o domingo de Páscoa e visitantes que passarem pelo local podem estacionar em frente para fazer fotos e ver de perto o símbolo de Páscoa de Pomerode.

Conheça a Rota do Enxaimel

Para onde quer que se olhe, a combinação de agricultura familiar, sustentabilidade e respeito às tradições é evidente nos 16 quilômetros de estrada entre as ruas Testo Alto e Progresso que formam a Rota do Enxaimel. A comunidade rural onde vivem cerca de 3 mil pessoas é o destino ideal para o visitante vivenciar o legado que os imigrantes alemães deixaram quando chegaram a Pomerode no fim do século XIX.

Considerada uma das melhores vilas turísticas do mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2021, a Rota do Enxaimel reúne 50 casas históricas tombadas — a maior concentração de construções enxaimel fora da Europa. Sempre que o asfalto é interrompido por metros de paralelepípedos é porque ali está uma delas. A maior parte das casas traz a fachada característica do enxaimel, com vigas de madeira entre tijolos de argila. Outras exibem diferentes revestimentos, de acordo com as preferências de cada família que as construiu, há mais de um século.

O pavimento antigo é conservado seguindo orientações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que tombou a Rota do Enxaimel em reconhecimento ao valor histórico e paisagístico. Enquanto garimpa as casinhas — algumas delas abertas à visitação —, o turista observa jardins impecavelmente cuidados pelos moradores, pequenas plantações e pastagens, e ainda pode visitar lojinhas de artesanato, chocolate e doces locais, ou almoçar e experimentar um café colonial típico dos colonizadores.

Mais informações: https://rotadoenxaimel.com.br/

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