Tradição, força e fé: o protagonismo feminino que preserva sabores em Pomerode

À frente de uma empresa familiar desde 1996, Marieta Rauh Zinnke une legado, trabalho e amor para manter viva a arte da charcutaria na cidade

Em uma cidade onde tradição e família caminham lado a lado, histórias de empreendedorismo feminino ajudam a manter viva a identidade de Pomerode. À frente de uma das empresas familiares do setor alimentício, ao lado do marido e da filha, Marieta Rauh Zinnke, 57 anos, carrega no trabalho diário não apenas a responsabilidade de gerir um negócio, mas de preservar o legado do Frigozinnke construído ao longo de anos.

A trajetória começou em 1996, em outro endereço e sob outro nome. Na época, a indústria de alimentos chamada Zinnke Defumados funcionava dentro do Mercado Freiheit. Com o crescimento da demanda, surgiu a oportunidade de alugar o antigo frigorífico de Lauro Guenther, avô de seu marido, onde ele aprendeu o ofício da charcutaria.

Anos depois, o espaço passou a fazer parte da família por herança, consolidando as raízes do negócio. Os pais de Marieta, Sr. Ingomar e Dona Herta Rauh, também ajudaram muito e foram fundamentais no começo do Frigozinnke.

Legado: Marieta é o coração do Frigozinnke. Com a força de quem não teme o trabalho pesado, ela transforma carne em arte e mantém acesa a chama do empreendedorismo familiar em Pomerode. Foto: Graziela Tillmann/Testo Notícias

Dentro da empresa, Marieta nunca se limitou ao escritório. É ela a responsável pelo tempero de todos os produtos e também quem opera a máquina embutideira de linguiça. “Sempre falo que tenho uma sala onde tudo acontece. De lá saem as porções mágicas que dão aquele sabor aos nossos produtos”, conta, ao falar da receita de família, preparada com ingredientes cuidadosamente pesados e dentro de todas as normas de fiscalização.

Quando a empresa se instalou em Pomerode Fundos, o início foi marcado por jornadas intensas. Marieta vendia, faturava, expedia e ainda fazia as entregas. “Era bem puxado. Mas todo início é assim, não é?”, relembra. Com o aumento da produção e a chegada de novos funcionários, passou a atuar mais no escritório e no mercado. Hoje, com a filha também integrada ao negócio, dedica-se integralmente à produção, área que afirma amar.

Em um ambiente tradicionalmente associado ao trabalho masculino, ela diz não enxergar diferenças. A equipe atual é formada por 12 homens e quatro mulheres na produção. “Sempre falo que são todos meus filhos”, afirma, reforçando o clima de parceria construído ao longo dos anos.

Mais do que administrar uma empresa, Marieta vê no trabalho a continuidade de uma herança cultural. “Orgulho em poder mostrar como nossos antepassados nos ensinaram o dom de, com carne, fazer uma arte. Sim… é uma arte”, declara. Para ela, Pomerode já carrega a “áurea de um lugar fantástico”, e cabe às empresas familiares manterem viva essa história, independentemente do tamanho da produção. “Qualidade é o mais importante”, completa.

Ao falar de inspiração, Marieta menciona duas mulheres que marcaram sua trajetória: Renate Guenther e Lilian Zinnke, mãe e avó de seu marido. “As duas trabalhavam no frigorífico. Maravilhosas”, resume, reconhecendo a força feminina que sempre esteve presente no negócio.

Para ela, o segredo é simples e direto: perseverança, força e fé. “Nada cai do céu”, afirma. Amor também é palavra recorrente em seu discurso. “Se você tem amor por aquilo que você luta e trabalha… nada dará errado. É como se fosse um pedaço seu.”

Há dias difíceis, em que o cansaço pesa. “Tem dias que você só quer chegar em casa depois de um dia pesado”, admite. Mas, na manhã seguinte, a rotina recomeça, com trocas de ideias sobre produtos e clientes. “É viciante, não vivo mais sem. Corre na veia a satisfação de agradar as pessoas com produtos que você prepara com amor e pode dizer: está uma delícia.”

Ao olhar para o futuro, Marieta não fala necessariamente em expansão. Para ela, manter a empresa familiar e artesanal no patamar atual já é motivo de satisfação. “Só agradecer a Deus por tudo até aqui”, resume.

Em meio às comemorações do Dia da Mulher, sua história reforça que o empoderamento feminino, em cidades como Pomerode, também se constrói na rotina, na tradição e na coragem de assumir o próprio espaço com trabalho, identidade e orgulho das próprias raízes.

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