A batalha de Iracy Lourdes da Cruz Santana contra um câncer começou em 2016, quando recebeu o diagnóstico de um dos tipos mais agressivos da doença: o câncer de mama triplo negativo. A perspectiva era sombria, e a jornada que se seguiu foi marcada por desafios intensos. “Fiquei em tratamento quimioterápico até dezembro de 2019. Tive uma metástase no pulmão, e meu médico dizia que a cura não era uma possibilidade”, relembra.
Mas Iracy acreditou. Enfrentou os tratamentos, apostou em uma técnica cirúrgica radioterápica inovadora e, contra todas as expectativas, viu seu quadro evoluir para uma remissão espontânea. “Depois de oito anos, meu médico olhou para mim e disse: você é um milagre”, conta com emoção. Após essa virada, Iracy deixou Paulínia, no interior de São Paulo, em busca de tranquilidade. O destino escolhido foi Pomerode, onde encontrou mais do que sossego: encontrou a Rede Feminina. “A Rede me chamou atenção pela estrutura e pelo acolhimento. Comecei como voluntária, mas também me tornei paciente”, revela.
A vivência profunda com a doença transformou sua forma de enxergar a vida e o voluntariado. “Você começa a ver que tanta coisa que você dava importância não tem efetivamente essa importância. E como é bom ter apoio durante a doença. Isso me fez pensar nas outras pessoas que vivem a mesma situação”, reflete.
Hoje, Iracy atua no grupo de apoio da RFCC, responsável por acolher pacientes, realizar visitas domiciliares e identificar necessidades específicas, seja uma cesta básica, um vale combustível, fraldas ou medicamentos. Também participa da organização do café mensal e coordena, junto com outra voluntária, as atividades de hidroginástica. “Eu ajudo no que precisa ser feito. É um trabalho que me realiza”, afirma.
Para as mulheres que estão iniciando a batalha contra o câncer, especialmente neste Outubro Rosa, Iracy deixa uma mensagem poderosa: “Você tem que acreditar que tudo é possível. Por mais que digam que não tem jeito, sempre pode haver um jeito. Aceite, confie e agradeça.”
Na Rede Feminina, ela encontrou não apenas apoio, mas também propósito. “Aqui você compartilha a mesma situação com outras pessoas. Pode fazer hidroginástica, yoga, dança, consultar nutricionista, psicoterapia, fisioterapia… tudo isso ajuda a manter o bom humor e a força para seguir em frente.”
































