Em março deste ano, aos 57 anos, Ingomar Krueger recebeu a notícia que tanto aguardava: estava oficialmente livre do câncer. A palavra “cura” nunca havia soado tão forte, tão libertadora, tão cheia de vida.

A trajetória dele, no entanto, começou muito antes. Em 2005, recebeu seu primeiro diagnóstico: um melanoma no braço esquerdo, um tipo agressivo de câncer de pele. Fez cirurgia, enfrentou o tratamento e venceu.
A vida seguiu seu curso, até que, final de 2016, sentiu um nódulo embaixo da axila do braço esquerdo, mesmo do melanoma. Início de 2017, novo diagnóstico e a confirmação de que a temida doença havia voltado. Desta vez um linfoma, um tipo agressivo que exigia cirurgia urgente. Era como se o mundo desabasse novamente.

Ingomar conta que já tinha visto outras pessoas passarem pelo câncer e desistirem de tudo. Ele mesmo sentiu o chão sumir ao receber o novo diagnóstico. A cirurgia foi marcada para março de 2017 e a luta recomeçou. “Quando cai, tive apoio”, relembra. “Graças à minha rede de apoio, familiares e amigos, logo entendi que precisava enfrentar de novo. Fazer o tratamento, acreditar e seguir.”
E assim fez. Mesmo em meio às incertezas, escolheu viver: frequentou festas, saiu com amigos, aproveitou cada momento. A fé também foi seu alicerce. “Sem Deus não somos nada”, diz, com a convicção de quem encontrou força no que não se vê, mas se sente.

O tratamento foi longo. Ingomar fez 35 sessões de radioterapia e imunoterapia por anos, até que, finalmente, pôde parar. A imunoterapia terminou em 2024. A retirada do tumor nas linfas, porém, deixou marcas: o ressecamento dos nervos acabou paralisando seu braço esquerdo.
Desde 2018, ele faz semanalmente o tratamento com “luva” na Rede Feminina de Combate ao Câncer, para drenar o membro e evitar o inchaço. Também realiza fisioterapia e, eventualmente, acupuntura. É um cuidado constante, mas que ele encara com serenidade. “Em 2020 percebi a perda de movimentos. Acredito que se não estivesse fazendo a “luva”, estaria pior”, conta.
Ingomar lembra que não sentia dor nenhuma. Foi a atenção aos sinais do corpo que fez com que descobrisse os caroços ainda no início. “Ainda bem que, ao contrário da maioria dos homens, eu sempre cuidei preventivamente da minha saúde”, destaca. O médico confirmou: essa atitude salvou sua vida, impedindo que o câncer se espalhasse.

A Rede Feminina de Combate ao Câncer também ganhou um lugar especial em seu coração. “Fui recebido pelas voluntárias com muito acolhimento e amorosidade. É raro ver homens sendo tratados lá, mas elas nunca fizeram distinção.”
Hoje, livre do câncer, ele deixa um conselho sincero, e urgente, aos homens: “Comecem a agir de forma preventiva, assim como as mulheres fazem. Isso, com certeza, salvaria muitas vidas.”
A história de Ingomar não é apenas sobre enfrentar uma doença. É sobre resiliência, fé, apoio, cuidado e, acima de tudo, sobre a coragem de continuar vivendo, mesmo quando a vida parece querer nos parar. Atualmente, ele participa de maratonas de corridas e, algumas, representando a Rede Feminina de Combate ao Câncer.
































