
Adriana Prado Santana Santos, professora, ao lado de seus alunos
Há ainda um longo caminho para a inclusão de crianças com deficiência na rede de ensino. E muitos são os desafios para que o significado da palavra inclusão seja aplicado na prática.
No resultado do Censo Escolar da Educação Básica 2017, divulgado no início do ano pelo Ministério da Educação (MEC), observa-se um crescimento no índice de inclusão de alunos com deficiências nas escolas regulares, de 85,3% em 2013, foi para 90,9% em 2017.
Porém, mesmo aumentando o número de matrículas na rede de ensino, a maior parte desses estudantes ainda não têm acesso a um ensino especializado. Outra agravante é a falta de estrutura de algumas escolas, o que impede a acessibilidade. Apenas 39% das escolas que participaram do Censo a nível nacional têm sanitários acessíveis a pessoas com deficiência. E esse número cai para 29% quando se fala em escolas com dependências acessíveis.
A Educação Básica dos 4 aos 17 anos de idade é obrigatória independente da criança ou adolescente apresentar deficiência, transtorno ou síndrome. E em Pomerode há um esforço para que todos os alunos que procuram a escola possam estudar.
No Caderno Desenvolver desta edição, a realidade pomerodense é apresentada a partir de pontos de vista diferentes: educadores e a rede.
Na sala, o envolvimento com os alunos
Na Rede Municipal de Ensino de Pomerode hoje são 123 alunos matriculados que possuem laudos de deficiência, síndrome ou transtorno. E todos os alunos são matriculados, seguindo o critério, que é ser residente no zoneamento da escola. “A Educação Básica, dos quatro aos 17 anos de idade, é obrigatória independente da criança ou adolescente apresentar deficiência, transtorno ou síndrome. E todos os alunos que nos procuram são matriculados na escola para estudar”, afirma Neuzi Schotten, Secretária de Educação e Formação Empreendedora.
Neuzi explica que os professores, ao receberem alunos com as mais diversas deficiências, síndromes ou transtornos, passam a pesquisar a respeito a fim de entender a melhor forma de garantir a inclusão atitudinal e pedagógica. “Também acontece o trabalho com toda a turma, para que o aluno seja incluído nas relações estabelecidas no âmbito da sala de aula e da escola.”
Esses alunos também frequentam, no contraturno escolar, o Atendimento Educacional Especializado(AEE), que é oferecido em sala multifuncional com professor habilitado para esse fim. “O professor do AEE confecciona material didático que ajuda o aluno a aprender os conteúdos no ensino regular. Também trabalha em parceria com o professor do ensino regular, a fim de alinhar a adaptação e flexibilização curricular necessária”, declara.
Segundo a Secretária de Educação, a Rede Municipal de Ensino oferece ainda um programa que atende alunos com dificuldades de aprendizagem. “O atendimento se dá em dois dias da semana, no contraturno escolar em turmas com, no máximo, seis alunos e com professor especialmente contratado para esse atendimento.”
Neuzi reforça ainda que os alunos diagnosticados, e que atendem os requisitos, contam com auxiliar de classe que os acompanha durante o período escolar. “Quando identificamos um aluno com muitas dificuldades de aprendizagem, relacionamento ou comportamento, este aluno é encaminhado para a psicóloga escolar, que procede com a avaliação, fazendo o encaminhamento em seguida para diferentes profissionais conforme cada caso”, expõe.
Seminário sobre Autismo
No dia 25 de abril professores, especialistas e diretores da Rede Municipal participarão do Seminário sobre Autismo, que acontece em Blumenau. Também está programado para o segundo semestre a formação de uma turma de profissionais de educação da Rede Municipal para um curso de 20h sobre Espectro Autista, além de palestra para pais e professores. “Além disso, iniciou em abril um curso de Libras com a carga horária de 60 horas. Estão participando 20 profissionais da Rede Municipal. E constantemente são oferecidos cursos para os profissionais da educação a fim de capacitar para atender a diversidade e promover a inclusão”, finaliza Neuzi.
Deficiência, transtornos ou síndromes
A Rede Municipal tem 123 alunos com laudos com as seguintes deficiências, transtornos ou síndromes:
- Transtorno do Espectro Autista
- Deficiência Visual (baixa visão)
- Deficiência Intelectual Leve
- Dislexia
- Deficiência Intelectual
- Atraso no desenvolvimento Neuropsicomotor
- Deficiência Auditiva (leve/moderada)
- Transtorno do Déficit de Atenção
- Hiperatividade
- Alteração no Processo Auditivo Central associado com Déficit de Atenção.
- Comprometimento cognitivo Limítrofe
- Alteração de processamento auditivo central
- Deficiência Intelectual Moderada
- Deficiência Intelectual
- Paralisia cerebral tetraparética espástica;
- Deficiência Intelectual Leve.
- TID – Transtorno Invasivo do Desenvolvimento.
- Comportamento depressivo
- Depressão Infantil.
- Atraso Global do Desenvolvimento.
- Discalculia
- TEA – Ásperger.
- Paralisia cerebral leve. Comprometimento motor lado esquerdo.
- Deficiência intelectual leve e Comprometimento Intelectual.
- Síndrome de Down
- Síndrome de Wiliiams
- Epilepsia
- Síndrome do X frágil
- Distrofia Miotonica de Steinert e Doença Celíaca
- Paralisia Cerebral com Microcefalia
- Paraplegia por causa da Mielomeningocele e hidrocefalia
- Deficiência Mental com alteração cromossômica “11” e “15” no cariótipo comportamental
- Perda Auditiva sensórioneural de grau severo na O.D. e profundo na O.E. área da fala
- Atraso do Desenvolvimento Neuropsicomotor com Hiperreflexia de Movimentos
- Diagnosticado com Paralisia Cerebral – Espasticidade
- Atraso Global do Desenvolvimento com Hemiplegia à esquerda
- Atraso Global do Desenvolvimento com Hipercinesia e atraso na fala
No dia a dia, experiência de ensinar e aprender
“Não devemos desistir, da pessoa, do filho, do aluno, do amigo que tem qualquer deficiência e/ou transtorno, só por causa de suas peculiaridades Afinal, quem não é diferente dentro de suas diferenças?”
Para Adriana Prado Santana Santos, professora, que se dedica há dez anos ao trabalho com os alunos com deficiência, o processo de inclusão só acontece para o aluno quando existe o conhecimento e o preparo por parte dos docentes, bem como as trocas com os familiares e outros profissionais que atendem o aluno. “É preciso ter em mente que boa parte desses alunos se adaptam bem no ambiente escolar. Assim, não se desespere ao receber em sua sala um aluno com alguma deficiência, transtorno ou síndrome, faça acontecer a aprendizagem desse aluno, por meio dos recursos disponíveis, e na busca de novos formatos para ensinar e aprender. Fazer parcerias entre escola, família, terapeutas, instituições que atendem esse aluno, é de suma importância, porque muitas vezes deixamos passar algo que o outro profissional observou”, afirma.
Segundo a professora, é preciso, em primeiro lugar, estabelecer um vínculo para que o aluno se sinta seguro. “Quando o aluno se sente acolhido, esse ponto se torna muito importante para que aconteça uma aprendizagem de qualidade. É preciso também muita resiliência para acreditar que, de uma maneira ou outra, vamos atingir o resultado esperado. É um trabalho de ‘formiguinha’, pois é constante e longo, até enxergarmos o resultado”, explica.
Em sala de aula é preciso também conscientizar colegas de classe e outros profissionais sobre a deficiência/síndrome, para que uma verdadeira socialização aconteça. “Eu acredito que a principal dificuldade é a falta de conhecimento sobre determinada deficiência, transtorno ou síndrome, por parte da família, escola e profissionais que o atendem. O próprio preconceito, muitas vezes, dentro do ambiente familiar e educacional, deixa esse aluno sem identidade própria, o que dificulta sua estabilidade e participação na vida escolar e na sociedade”, reforça.
Adriana ainda menciona a falta de recursos e adaptações como rampas de acesso, salas com materiais específicos, por exemplo, como empecilhos no processo de ensino desses alunos nas escolas, não só de Pomerode, mas em outras cidades também. “Mesmo com esses problemas, nosso foco no trabalho com esses alunos é a busca pelas potencialidades e habilidades de cada um, estimulando sempre a sua autoestima e a criatividade cognitiva, além de buscar metodologias e didáticas apropriadas para cada caso. Cabe ao professor, quando receber esse aluno, avaliar a melhor metodologia para atuar com ele”, finaliza.
Imagens

Foto: Equipe Testo Notícias
Neuzi Schotten, Secretária de Educação e Formação Empreendedora
Foto: Gilson Zickuhr/Testo Notícias
Adriana Prado Santana Santos, professora, ao lado de seus alunos
Foto: Gilson Zickuhr/Testo Notícias 
Foto: Gilson Zickuhr/Testo Notícias
































