Para o outro, em prol da natureza

Escolas do município desenvolvem ações para engajar alunos pela sustentabilidade

Foto: Divulgação/Escola Amadeu da Luz

Você sabia que do lixo podem brotar verdadeiros tesouros? Afinal, se o que para uns já não serve mais, para outros representa a esperança de ajudar quem mais precisa. Isso, claro, contribuindo para a preservação do meio ambiente. E essa é uma poderosa lição que pequenos pomerodenses vêm aprendendo, desde cedo, na Escola Básica Municipal Dr. Amadeu da Luz, em Testo Alto, e no Colégio Sinodal Doutor Blumenau, no Centro.

Escolas com realidades diferentes que hoje estão unidas por um único propósito. E nessa verdadeira maratona de arrecadação, vale tudo: lacres, tampinhas plásticas, potes de vidro, raspas de lápis e muitos outros itens que, ao poucos, vão transformando a realidade dentro e fora da sala de aula.

Marta Rocha /Potinhos cheios de intenções: na Escola Amadeu da Luz, os pontos de arrecadação já foram otimizados para receber as doações.

Apego ao desapego 

A ideia surgiu no segundo semestre de 2017, começou singela como uma aposta para o aprendizado na prática. A iniciativa foi da secretária, hoje aposentada, Marlene Doege, para o tema “responsabilidade social” da disciplina de empreendedorismo. “Ela sempre teve muita vontade de ajudar o próximo, através de atitudes sustentáveis, e com a proposta viu a oportunidade de concretizar isso também com a comunidade escolar”, conta Lorizete Pegorini, tecnóloga educacional e atual coordenadora do programa, conhecida carinhosamente como Dona Lori.

Divulgação/Escola Amadeu da Luz/

Foi a primeira turma que criou o nome para ação e que é usado até hoje, o Projeto Desapego. Já no início de 2017, a escola se cadastrou como ponto de coleta para a campanha Lacre Solidário, organizada pela Fundação Fritz Muller, de Blumenau e, desde então, as oportunidades começaram a surgir de diferentes formas. “A partir do começo do projeto, várias entidades de Pomerode e de outros municípios, como orfanatos e associações, já receberam auxílio. As pessoas realmente querem ajudar e fazer parte de alguma coisa boa para a natureza e para o outro”.

Divulgação/Escola Amadeu da Luz/

Ajuda que vale da mesma forma para os alunos e a própria escola, com valores arrecadados para compra de livros para a biblioteca e material escolar para crianças carentes. “Sem contar que já foram feitas campanhas para arrecadação de uniformes e alimentos, sempre com o propósito de aplicar a sustentabilidade na prática. São pequenas ações do dia a dia que geraram um efeito muito positivo para a escola e toda a comunidade”, afirma Lori.

Divulgação/Escola Amadeu da Luz/

Atualmente, além da campanha de lacres, a escola também arrecada vidros de conserva, tampinhas plásticas, pilhas e óleo de cozinha usados, raspas de lápis, uniformes usados e outros itens de desapego. “A ideia é doar o que não serve mais, a escola se encarrega de direcionar as doações para quem necessita. As raspas dos lápis são colocadas em nossos canteiros e são um ótimo fertilizante paras as flores e as hortas. O valor arrecadado com os vidros, por usa vez, é revertido em livros para nossa biblioteca. Os uniformes giram em sistema de troca-troca e os lacres são doados para a campanha das cadeiras de rodas. Desde o início direcionamos para essa ação que já está consolidada e que é feita de uma forma muito séria, inclusive ganhamos uma no primeiro ano da ação. Por fim, as tampinhas são separadas por cor, o que garante um melhor valor de venda. Todo o montante arrecadado é repassado para uma entidade ou para alguma demanda da própria escola”, explica.

Divulgação/Escola Amadeu da Luz/

Para a diretora Doris Mathias Selhorst, é maravilhoso ver todos os alunos envolvidos e engajados com as arrecadações e a preocupação com o meio ambiente. “É emocionante porque são pessoas ajudando outras pessoas. E essa é uma interação que vai muito além da sala de aula ou da escola, é para a vida. É claro que tem o olhar e o zelo de quem acompanha a ação, mas o projeto já caminha sozinho e é sinônimo de gratidão para com a natureza, assim podemos minimizar os estragos que já fizemos nela”.

Divulgação/Escola Amadeu da Luz/

Um projeto que, segundo Doris, precisa criar raízes também em outras instituições de ensino. “Nós gostaríamos que todas as escolas fizessem, porque é muito fácil e o envolvimento das famílias é muito importante. Às vezes, a criança vai lá e planta uma sementinha dentro de casa e a família começa contribuir, gerando uma grande corrente do bem. Por isso, acredito que nós estamos, sim, educando nossas crianças de uma forma melhor do que fomos educados”, garante a diretora.

Exemplo para seguir 

No Colégio Doutor Blumenau foi a diretora Karin Hoeft quem apresentou a proposta, inspirado no Projeto Desapego que já existia na antiga escola em que trabalhava, a Amadeu da Luz. “Ela trouxe a ideia em 2018 e a escola abraçou de uma forma muito especial. Não imaginávamos que o sucesso fosse ser tão grande em apenas 45 dias de campanha”, conta a Michele Boelling, Coordenadora Administrativa da instituição.

Divulgação/Colégio Doutor Blumenau/

A ação, que foi oficializada para os alunos no início do ano letivo de 2019, já arrecadou cerca de 90 garrafas pets com lacres, sem contar as tampinhas e vidros, além das raspas de lápis, que são usadas na horta e canteiros de flores da escola. “O colégio tem como um dos seus princípios a busca pela sustentabilidade. É muito importante cuidar do nosso planeta e se não fizermos essas ações, quem fará? Principalmente com as crianças. Nós, como escola, temos uma responsabilidade ainda maior nesse processo”, reforça.

Assim como na Amadeu da Luz, as arrecadações já têm definidas as suas aplicações e isso acaba se tornando uma meta para alunos e seus familiares. “As raspas de lápis as próprias crianças escolhem em qual canteiro querem depositar para envolver os alunos ainda mais. Já as tampinhas serão destinadas à Ama Bichos e os vidros aplicados na aquisição de livros para o acervo da biblioteca da escola. Os lacres vão para a Fundação Fritz Muller e o nosso intuito é ter uma cadeira de rodas para incentivar ainda mais a acessibilidade dentro do ambiente escolar”.

O recebimento dos materiais ficou a cargo Lauri Kirschner e Caio Pegorini Kluge, do Laboratório de Informática. Surpreendidos com todo o envolvimento, decidiram usar as redes sociais como uma plataforma para incentivar os alunos a participarem ainda mais. “Começamos então a divulgar em nossas redes oficiais toda vez que um aluno trazia a sua contribuição e isso se tornou um motivo para que trouxessem ainda mais itens”, confirma Caio.

E esse novo projeto, segundo Michele, faz com que todo o colégio se sinta melhor. “Essa proposta trabalha a família, algo que é formidável porque o mundo precisa disso. Temos que ser solidários e pensar um pouco no outro também, uma coisa que está se perdendo um pouco na comunidade”.

A expectativa agora é para que o projeto tenha vida longa e inspire outras instituições a aplicarem ações sustentáveis. “Queremos novos desafios e devemos desafiar também as crianças com mais projetos. E tomara que isso seja um vício saudável para todo mundo”, conclui Michele.

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