Tecnologia a favor da educação

Escola Erwin Curt oferece aulas ao vivo enquanto professor trabalha de forma remota

Por Redação TN

Foto: Agnes Orze
Tecnologia: professor dá aulas por vídeo chamada.

A pandemia fez com que diversas áreas enxergassem a possibilidade de trabalhar remotamente e, em algumas situações, até se torna mais produtivo. Em outros casos, como as aulas, o home office foi uma solução momentânea, não permanente. Por isso, as escolas de redes municipais, estaduais e privadas já encontraram formas de retomar as aulas presenciais. No entanto, há pessoas que são mais vulneráveis à Covid-19, os chamados de grupo de risco, e, devido a esse motivo, a recomendação é de que não voltem para o trabalho e/ou ensino presencial.

Diante disso, vemos muitos pais que não se sentem confortáveis em mandar os filhos para as escolas e acabam os deixando em casa, estudando de forma remota. Mas, como proceder quando um professor não pode retornar ao ensino presencial? Foi esse o questionamento feito pela diretora da Escola Erwin Curt Teichmann, Agnes Orzechowski, ao receber a informação de que o professor de Filosofia, Everaldo Alves, não poderia lecionar presencialmente, pois possui comorbidades. “Nós tínhamos um problema que era como fazer com que ele tivesse interação com os alunos. Existiam várias possibilidades, ele poderia gravar vídeo, passar as atividades pela plataforma ou então fazer uma videoconferência”, explica.

A terceira opção surgiu a partir de uma escola estadual localizada em Gaspar, em que a diretora teve a ideia de realizar uma videoconferência entre o professor, que estava em casa, e os alunos, que estavam dentro das salas de aula. Ela decidiu compartilhar em um grupo composto pelos diretores da região. Em conversa, Agnes achou a ideia possível e decidiu implementar na Erwin Curt como teste para ver se funcionaria.

Com a solução encontrada, a diretora entrou em contato com o professor e ele aceitou o desafio de preparar uma aula e fazer a primeira vídeochamada utilizando a plataforma do Google Meet. “Penso que diante de toda problemática que envolve a Covid-19, como sou do grupo de risco, vi uma solução para as aulas serem mais participativas e dinâmicas”, reflete o professor.

No entanto, para funcionar, é necessário que alguém esteja dentro da sala de aula para acessar o site e fazer a conexão. Segundo Everaldo, o processo só foi possível “porque a diretora Agnes tem uma gestão que considera muito os professores e que possibilitou essa prática”. Para ele, tudo ocorreu bem graças à disposição dos envolvidos. “Ou seja, empenho e dedicação de todos os envolvidos: professor, diretora e alunos”, completa.

Com a nova maneira de ensinar, é possível continuar com a interação entre professor e aluno assim como ocorre na forma presencial, diferente de uma aula gravada, em que não há conversa e diálogo entre as duas partes envolvidas. “É claro que no primeiro momento os estudantes ficaram um pouco assustados por estarem diante de algo totalmente diferente do que estão acostumados, mas no fim a experiência é classificada por eles como muito boa”, contextualiza a diretora.


Agnes Orze /

Além disso, outro ponto positivo dessa forma de ensino é a possibilidade de tirar dúvidas logo que elas surgem. “Na grande maioria, os alunos dizem que preferem as aulas ao vivo porque, caso tenham dúvidas, têm como perguntar”, completa Agnes. Para o professor, eles parecem se sentir mais acolhidos. “Eu percebi que logo de início eles entraram no novo formato e que gostaram pelo fato do professor estar ali ‘presente’.”

Dentre os desafios enfrentados, a diretora pontua a falta de recursos e questões tecnológicas, como ter o áudio afetado. Além disso, outra dificuldade surge caso a internet caia, como já ocorreu uma vez. “São desafios que temos que pensar em como superar, mas de todas as aulas que tivemos somente uma precisou ser reagendada, todas as outras aconteceram de forma muito organizada e produtiva.”

Já para o professor, o maior empecilho tem sido a distância física. “Lidar com tecnologias e ao mesmo tempo estar em sintonia com os estudantes é um desafio constante”, comenta. Além disso, para ele, o processo de ensino e aprendizagem acaba ficando um pouco comprometido, pois não está sendo possível realizar trabalhos em grupo, fazer dinâmicas e outras atividades. “Em contrapartida, eu aprendo também com os alunos que participam e colaboram nessa nova dinâmica de conduzir as aulas.”

A experiência é uma novidade tanto para os alunos, quanto para o professor, que teve que se aprofundar e aprender sobre esse novo mundo. “Não sou blogueiro, nem conhecedor profundo de técnicas e meios tecnológicos. Faço questão de deixar bem claro para os estudantes que às vezes me atrapalho usando as tecnologias, que estou na minha casa e tem os barulhos próprios do prédio, mas que o mais importante é aprendermos juntos”, explica. Em relação a isso, Everaldo relembra de um momento em que o áudio estava com problemas e um dos alunos o explicou um jeito de usar o microfone que daria mais qualidade. “Estou aprendendo e ensinando constantemente! Ver soluções e não só problemas”, completa.

Mesmo diante de empecilhos, o professor, juntamente com a diretora e toda escola, encontram soluções diariamente para as pedras com que se deparam no caminho. “A tecnologia precisa ser usada a nosso favor. A forma como nós estamos utilizando a vídeochamada é uma das ferramentas que esse momento diferente na educação nos proporcionou. Agora, existem muitos outros desafios que as escolas de modo geral terão que aprender a se moldar e a se organizar de uma forma diferente para que o aluno tenha uma aprendizagem significativa”, finaliza a diretora.

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