A dor na alma que se manifesta no corpo físico

As dificuldades para ter um diagnóstico certeiro e a batalha contra dores invisíveis

Sem causa definida, de diagnóstico difícil e com mecanismo de ação incerto, a fibromialgia atinge cerca de 3% das mulheres entre 30 e 55 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. Alguns homens, crianças e idosos também manifestam a doença, mas em número bem menor. A fibromialgia é considerada uma síndrome relacionada a um distúrbio de regulação no processamento da dor pelo cérebro e não é visível, ou seja, uma doença silenciosa. E, por esse motivo, muitas vezes o portador sofre preconceito e fica desacreditado quando está com dor. Para conscientizar sobre a importância de tratamento contra a fibromialgia, lúpus e mal de Alzheimer, foi instituído o Fevereiro Roxo.

Só quem sofre na pele as dores dessa doença sabe as dificuldades pelas quais passa, até mesmo, ouvir de médicos que só procurou atendimento porque queria um atestado. Há casos que levam anos para obter um diagnóstico e começar o tratamento correto, outros, nem chegam a um veredicto e a pessoa convive com as dores e ingestão de remédios.

Atividade física: essa é uma das formas utilizadas por Marcia para superar a doença. Foto: Arquivo pessoal

A professora Marcia Soares Kruger Reiter, 49 anos, conta que foram quase 10 anos até ter um diagnóstico de fibromialgia. Antes disso, operou duas vezes o joelho e teve problemas no quadril, ficou quase dois anos e meio andando de muletas e sempre com muitas dores. “Dores essas que não apareciam nos exames que fazia. Vivia tomando remédios e trabalhei muitos dias com dores fortíssimas. Mas é uma doença silenciosa, que as pessoas não percebem e alguns até desconfiam”, conta.

Mesmo com dificuldades, Marcia nunca deixou de procurar ajuda, se consultou com diversos profissionais até chegar a um reumatologista que identificou a doença e, desde então, toma remédios e pratica pilates e hidroginástica, que ajudam a controlar a dor. “Mesmo assim, às vezes tenho crises e preciso tomar remédios mais fortes. No fim do ano tive que tomar morfina”, lembra.

Marcia é um exemplo de resiliência, também tem problemas com ansiedade e depressão e tem consciência que isso ajuda a desencadear as crises de fibromialgia. Apesar disso, é uma pessoa alegre, brincalhona e que espera sempre o melhor. “Quando acordo com dor, levanto, sacudo a poeira e sigo em frente. Não podemos deixar a doença nos dominar”, aconselha.

A psicanalista Edina Esmeraldino corrobora o que Marcia disse, de que a ansiedade e a depressão podem ser gatilhos para a fibromialgia. Por isso, ela recomenda que quem sofre com a doença, além do tratamento com um médico, faça também algum tipo de terapia para fortalecer o emocional. “Costumo dizer que a fibromialgia é a dor na alma manifestada no corpo físico. Com os dois tratamentos em paralelo é possível controlar a doença e diminuir a incidência de crises de dor”, afirma Edina.

Fibromialgia: Dr. Esmeraldino fala sobre como a doença impacta a vida das pessoas. Foto: Arquivo pessoal

O geriatra Roberto Esmeraldino concorda com a psicanalista de que o emocional interfere na qualidade de vida do paciente. “As crises de dores interferem na vida social e profissional do paciente, por isso quanto antes procurar tratamento melhor, para obter o controle, visto que é uma doença que não tem cura”, enfatiza.

Além de não ter cura, a fibromialgia só é identificada depois de exames laboratoriais e de imagem, por meio dos quais vai se fazendo a exclusão de diversas doenças. Depois de excluída todas as possibilidades é que se chega à fibromialgia. “O importante é que já temos bons medicamentos para conter a dor. Isso ajuda bastante. E o paciente tem que fazer a sua parte, cuidando do seu emocional e também fazendo exercícios”, enfatiza.

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