A força e dedicação de uma mulher pilotando uma Harley-Davidson

Moradora de Pomerode, Inajara A. Jasper conta sobre a vida sobre duas rodas

Desde a adolescência, o espírito de aventura sempre fez parte de Inajara A. Jasper, agora com 40 anos. Foi no último ano da faculdade que ela decidiu adquirir uma motocicleta, uma Neo Yamaha, abrindo uma porta para tudo o que ainda viria a experienciar.

No entanto, depois de finalizar a graduação em Fisioterapia, pausou por um momento esse desejo e comprou um carro. “Mas sempre gostei e tive paixão por adrenalina, só que sempre com responsabilidade”, evidencia. Quando se mudou para Florianópolis, conheceu Dauzelei Benetton Pereira, quem se tornaria seu companheiro de vida.

Benetton é conhecido por ser o maior “harleyro” do mundo e trouxe em Inajara o sentimento de redescoberta. “Eu comecei a andar junto com ele, na garupa, e eu vi que existia uma paixão lá no fundo e que era isso que eu queria e gostava”, lembra.

Em 2021, o casal acabou se desentendendo e ficou separado por um período. Nesta fase, Inajara, que já morava em Pomerode, viu a possibilidade de comprar uma Harley-Davidson para chamar de sua. “O Benetton sempre dizia que era uma moto pesada, que eram muitas cilindradas, que eu deveria começar com uma menor… Mas, como eu sou teimosa, eu queria uma Harley.”

Foto: Laura Sfreddo

Ina decidiu, então, adquirir uma Sportster 883, de 250 quilos. De acordo com ela, essa é uma moto mais violenta e quem pilota ela consegue pilotar qualquer outra Harley. “No dia em que eu fechei o negócio, o vendedor me questionou se eu já ia dar uma voltinha, mas aí eu disse que eu não tinha domínio, eu queria ir por partes. Ele ficou apavorado, disse que se ele soubesse não ia fazer negócio”, brinca.

Mesmo que gostasse de aventura, nunca deixou de ter responsabilidade e consciência. Por isso, na semana seguinte da compra, tomou a decisão de ir em uma autoescola para relembrar como se dirigia uma motocicleta. Depois de duas ou três aulas, sentiu confiança para pilotar a 883.

Sobre o primeiro passeio que fez, ela conta não se esquecer do sentimento que permeou seu corpo. Em uma sexta-feira no fim de tarde, Inajara se vestiu, pegou a chave e desceu para a garagem. “Meu coração disparou, foi uma sensação muito boa e louca. Eu saí sentido Timbó e parei na Casa do Imigrante. Eu mandei uma foto da moto para o Benetton e disse ‘nos encontramos na estrada’. Eu estava parada no acostamento, fazendo um vídeo da máquina, com o ronco dela, e ele me ligou. De início, ficou preocupado, mas aí ele veio para Pomerode no sábado e, desde então, estamos juntos.”

No início, o companheiro assumiu o papel de instrutor e esteve ao lado dela em diversas voltas pela cidade e também aos arredores. A ideia era que Inajara obtivesse experiência para começar a andar sozinha com conhecimento. “Ele me ensinou e me orientou da melhor forma possível. Tenho muito orgulho de ter ele como parceiro nessa estrada da vida e espero que isso dure por muitos longos anos”, declara.

Ina ficou cerca de um ano com a Sportster 883 e, depois, decidiu que era o momento de “aumentar o nível”. “Agora, estou com uma Deluxe 1600, essa tem 1.600 cilindradas, pesa 350 quilos, é uma moto muito boa.”

Foto: Laura Sfreddo

Comandando o próprio destino

Conexão. É com essa palavra que Inajara resume o que, para ela, significa pilotar uma Harley-Davidson. “Pelo som e pelo o que ela me proporciona, a Harley é uma terapeuta para mim. Você tem que estar ligado com tudo o que acontece ao seu redor, você faz parte da natureza.”

Sobre sentir ou não medo de pilotar a moto, ela declara: “Me dá medo sim, mas eu acho que a vida acontece depois da barreira do medo. Terá momentos em que você precisará tomar uma decisão, então acho que a vida está ali, no momento em que você ultrapassa a barreira do teu medo e se abre para novas experiências.”

Falando nisso, Inajara teve recentemente uma experiência nova e desafiadora em sua vida: pilotar até Córdova, na Argentina, para participar do Encontro Internacional de Harley-Davidson em comemoração aos 120 anos da marca.

Ao lado do companheiro, saíram no dia 16 de setembro, coincidentemente o dia do aniversário de Ina. “Nós já tínhamos feito uma viagem com metade da quilometragem, para Punta del Este, no Uruguai, mas agora foram mais de 4 mil quilômetros. Foram dias maravilhosos, fomos e voltamos super bem.”

Para o futuro, ela já tem alguns planos em mente. A curto prazo, a ideia é viajar ano que vem para o Chile. Já a longo prazo, ela tem um novo desafio em mente. “Quero ir para o Ushuaia, me desafiar e me colocar em situações mais difíceis. Isso necessita uma programação maior, aí me dei um prazo de cinco anos. Então, quando fizer os 125 anos da Harley, farei essa viagem maior. Enquanto isso, quero desfrutar do que temos aqui por perto”, destaca.

Sobre a evolução no controle da motocicleta, Inajara afirma que sua vida mudou a partir do momento em que decidiu sair da garupa e começou a ter autonomia pelas suas escolhas e responsabilidades. “Toda mulher terá seu momento de se tornar independente. Cada mulher tem o seu tempo, mas eu acho que é importante você ser a pilota da sua vida”, finaliza.

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