Assim como muitos moradores de Pomerode, a história de Vitor Hornburg se entrelaça com a da extinta Firma Weege (Indústria e Comércio Hermann Weege S/A). O aposentado começou sua jornada profissional com apenas 14 anos e lá permaneceu por 40 anos.
Sua entrada no mundo do trabalho foi marcada pela diversidade de funções: de tirar pedidos a fazer entregas de bicicleta, passando pela venda e entrega de produtos em cidades distantes. “Era um tempo em que tudo se fazia à mão, sem calculadoras ou computadores. A caligrafia era essencial, e eu me orgulhava da minha. Depois, conheci muitos lugares diferentes levando os produtos do Weege”, relembra.
Fundada por Hermann Weege em 1901, a empresa foi pioneira em várias frentes. Além de processar e vender produtos como linguiça Blumenau e queijos, a empresa estava envolvida no desenvolvimento da infraestrutura local, como estradas, linhas telefônicas e até uma usina hidrelétrica. “Meu avô foi um visionário. Ele não apenas criou uma empresa de sucesso, mas também ajudou a comunidade a crescer ao trocar mercadorias dos colonos por produtos importados e artigos que não eram encontrados na região”, conta Hermann Weege, neto que carrega o nome do avô e que está escrevendo uma biografia detalhada sobre o seu legado para a região.

Muitas dessas memórias ainda estão vivas na lembrança também de Vitor. O colaborador recorda que a firma Weege era conhecida não só pela qualidade de seus produtos, mas também pela integração cultural que promovia. “Tínhamos uma associação onde eventos eram promovidos e os colaboradores também participavam de competições esportivas. Eu, por exemplo, tive a oportunidade de jogar pelo time de futebol da empresa”, destaca.
No entanto, conforme Hermann, a chegada de grandes corporações alimentícias, tornou a competição insustentável para a empresa familiar com uma história centenária. “A realidade é que não dá para competir com essas gigantes. O preço baixo deles era algo que não podíamos acompanhar, mantendo a qualidade e os métodos tradicionais”, explica.
Vitor, que trabalhou desde a juventude no Weege, testemunhou a decadência da empresa após quatro décadas de dedicação. “Quando passava em frente à firma, quase sempre chorava. Era difícil ver tudo aquilo que um dia foi tão vibrante, agora silencioso”, confessa.
Biografia para relembrar o passado
Atualmente, o neto de Hermann Weege está empenhado em resgatar e eternizar a história da família e da empresa em um livro. Previsto para ser lançado ainda em 2025 a biografia ainda não tem nome.
O livro reunirá memórias, documentos históricos e registros fotográficos, além de contar com depoimentos de pessoas como Vitor Hornburg, que vivenciaram a era dourada da Firma Weege. “Estou reunindo memórias e documentos. A ideia é que cada página conte a saga do meu avô e como a Firma Weege influenciou Pomerode”, explica.
O autor afirma que está pesquisando diversas fontes, arquivos antigos e também está construindo uma árvore genealógica detalhada da família para enriquecer a narrativa. “É como juntar um quebra-cabeças que ao final contará não somente a história do meu avô, mas parte do passado de Pomerode também.”
A biografia promete revelar não apenas o legado empresarial, mas também anedotas curiosas, como a famosa “linguiça de Blumenau”, que ganhou fama graças à Firma Weege e hoje possui registro de identidade geográfica, limitando sua produção à região do Vale do Itajaí. “Meu avô ajudou a construir o desenvolvimento não somente da cidade, mas de toda a região. Seu legado é muito rico e não quero que essa história se perca com o tempo”, complementa Hermann.
































