Ser mãe sempre esteve nos planos da assistente administrativo Rafaela Raasch Duarte, de 32 anos. Ela conta que também desejava ter filhos cedo, para aproveitar mais tempo com eles.
Os planos se tornaram realidade quando os caminhos dela voltaram a se cruzar com os de Paulo Ricardo Duarte, hoje seu marido. Eles se conheceram na adolescência, depois seguiram rumos diferentes e se reaproximaram anos mais tarde. A união, que agora dura nove anos, teve como frutos Pedro e Artur. O primeiro filho, Pedro, nasceu em 2018, quando Rafaela tinha 26 anos.
Como todas as mães de primeira viagem, ela também se deparou com desafios, um deles foi lidar com a grande produção de leite materno. Rafaela conta que em um único dia, precisou ir ao posto de saúde cinco vezes para que as profissionais a ajudassem a ‘desmanchar’ o leite e tirar o excesso. Na mesma época, aceitou servir como modelo para que as enfermeiras aprendessem os procedimentos de liberação e extração manual. “Era tanto leite, tanta dor, que nem liguei para a vergonha e deixei que aprendessem em mim. Pensava que, se elas aprendessem, poderiam, um dia, ajudar outras mães que sofrem com isso”, conta.
Para ela, “ter uma grande produção de leite e poder fornecer esse alimento único e rico para o nosso bebê é o sonho de qualquer mãe”. Mas, com a falta de conhecimento, Rafaela acabou descartando todo o leite em excesso, pois acreditava que a doação seria algo difícil e corrido. Foi só depois que a produção havia normalizado que ela conheceu a história de outras mães que doavam e descobriu se tratar de algo simples.

Foi nesse momento que decidiu: se tivesse uma segunda gestação e a grande produção de leite se repetisse, se tornaria doadora.
O segundo filho do casal, Artur, nasceu em 2022. “Assim que ele nasceu, graças a Deus a produção de leite começou, era muito leite, mas agora eu já estava preparada”, relembra.
Como o filho não mamava todo o leite produzido pela mãe, Rafaela decidiu utilizar o coletor para retirar o excesso, sempre no seio oposto ao qual o filho estava mamando. Por ser época de virada de ano, ela ficou com medo de não haver atendimento no Banco de Leite Humano de Blumenau. No entanto, conseguiu o contato com uma amiga que era doadora e recebeu uma resposta logo em seguida.
“As profissionais do Banco de Leite vieram até minha casa e fizeram todos os exames necessários para saber se eu estava apta a doar. Elas também ensinaram como precisa ser feita a higienização antes de cada extração, e foi aí que comecei.”
O leite doado por Rafaela era recolhido pelos profissionais uma vez por semana, em casa. Na oportunidade, eles levavam os frascos cheios e traziam outros vazios. “É muito simples esse trabalho, você não perde tempo e não tem gasto algum, só tem a ganhar.”
Reconhecimento e carinho
Em maio de 2023, Rafaela participou de um café com todas as doadoras do Banco de Leite Humano de Blumenau. Elas foram homenageadas e conheceram todo o processo que envolve a doação, desde quando o leite sai de suas casas até o momento que está pronto para ser consumido pelos bebês. “É um trabalho incrível. Todo o cuidado envolvido nesse processo, tantas vidas que são salvas através desse alimento, só tenho a agradecer por poder ter feito parte disso por um tempo”, declara Rafaela.
Vidas salvas
De acordo com dados publicados pelo Ministério da Saúde, em 2023 foi registrada a doação de 253 mil litros de leite humano a partir da ação de 198 mil mulheres. Com isso, 225.762 recém-nascidos foram diretamente beneficiados.
O número é 8% maior do que o registrado em 2022 e representa 55% da real necessidade por leite humano no Brasil. A meta para 2024 é ampliar mais 5% a oferta de leite materno a recém-nascidos internados nas unidades neonatais do país. Já em Santa Catarina, em 2023, foram doados cerca de 13 mil litros de leite que beneficiaram cerca de 10 mil bebês.
Para quem participou ativamente desse processo, o resultado é de muita satisfação. “É um sentimento sem explicação, saber que o leite que estava sendo produzido no meu corpo iria salvar a vida de muitos bebês que nascem prematuros e não podem ter o contato com a mãe. O que eu sempre pensava era: e se fosse o meu bebê que precisasse desse leite? Ficaria muito segura e com o coração quentinho sabendo que tem uma rede com mães maravilhosas que fazem esse trabalho de doação de leite humano”, ressalta Rafaela.

Ela ainda deixa um conselho para as mamães com alta produção de leite. “Doem! Doem muito, é indescritível o sentimento que vai surgir dentro de vocês. Além disso, a doação é simples e fácil.” Gestação e amamentação Rafaela conta que Pedro mamou no peito até dois anos e nove meses, já Artur mamou até os nove meses. Ambas as gestações foram tranquilas. Rafaela contou com o acompanhamento de doulas, o que, segundo ela, foi fundamental e trouxe segurança em ambos os partos, que foram naturais.
“Sou grata ao meu marido, que sempre esteve comigo em todas as situações da vida, gestação, parto, pós-parto, ele nunca soltou a minha mão e nunca me deixou sozinha”, destaca Rafaela. Sou muito grata também a minha mãe, Astrit Raasch, que no tempo de pós-parto cuidou muito de mim, dos meus filhos, da minha casa, das minhas roupas, das minhas refeições. Ter a nossa mãe ou então uma rede de apoio nesse período é fundamental. Até por que o marido precisa ficar fora para manter o sustento da família.”
Para quem deseja doar
O Banco de Leite Humano (BLH) de Blumenau fundado em 31 de julho de 1998 é um centro especializado referência no Médio Vale do Itajaí que atua na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e executa atividades de coleta, processamento, controle de qualidade e distribuição do leite humano doado.
Para ser uma doadora ou tirar dúvidas sobre esse processo, as mamães da região podem entrar em contato com o Banco de Leite Humano de Blumenau através do (47) 3381-7570.
Além disso, as mães que estão amamentando e enfrentam dificuldades também podem agendar um atendimento no local através do mesmo número.
O Leite Materno No domingo, dia 19 de maio, foi celebrado o Dia da Doação de Leite Humano, alimento que é fundamental no início da vida da criança. O leite protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias, reduz em 13% a mortalidade em crianças menores de 5 anos. Também reduz o risco de desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade na vida adulta.
































