Entenda o plano de recuperação judicial proposto pela empresa e quais são os próximos passos

Destino da Porcelana Schmidt será definido em janeiro.
O último mês foi de incerteza para o Grupo Schmidt. A empresa possui uma dívida que chega a R$ 71 milhões e, para continuar com suas operações, propôs um plano de recuperação judicial, que deverá ser aprovado pelos credores. Porém, duas assembleias já foram marcadas pela Justiça e realizadas, nos dias 27 de outubro e 3 de novembro, mas nada ficou decidido até o momento.
Segundo o advogado da Schmidt, Eduardo Agustinho, o plano de recuperação judicial visa o pagamento dos credores com desconto substancial, principalmente os que não são trabalhistas. Da dívida trabalhista, que chega a aproximadamente R$ 16 milhões, a pretensão é que 98% dos credores recebam o valor total devido.
A proposta atual parte da premissa de que seria realizada a venda da planta de Campo Largo, em leilão, como unidade produtiva isolada. Assim a operação da empresa ficaria concentrada somente em Pomerode, tendo nela uma produção menor, mas explorando também o potencial turístico. Além disso, a operação da Mina de Suzano, propriedade de uma das empresas do Grupo Schmidt, também se manteria. A ideia seria continuar a vender a matéria prima para a planta de Pomerode e também passar a vender para terceiros.
Esse plano ainda pode ser modificado, já que em dezembro, alguns imóveis, que foram objeto de medida cautelar, serão leiloados. Caso sejam vendidos, isso pode impactar positivamente no andamento do processo. “Existe a expectativa de que com o valor da venda dos terrenos seja possível o pagamento dos credores trabalhistas”, explica Agustinho.
Ou seja, a venda pode trazer um novo cenário para o pagamento dos credores no geral, sejam eles de Campo Largo, Pomerode ou Mauá. “Também permite, eventualmente, reformular algumas ideias do plano e talvez seja possível apresentar uma nova proposta, distinta da atual”, ressalta.
Segundo Agustinho, no momento a maior negociação é com a Companhia de Energia Elétrica de Campo Largo (Cocel), única credora com garantia real. A Schmidt objetiva conseguir um desconto em relação ao valor devido à Companhia, além do parcelamento, para tornar o pagamento viável. Por esse motivo, não houve consenso na última assembleia realizada.
Como uma forma de avançar com a negociação com a Cocel, foi solicitado aos credores a suspensão dos trabalhos por 30 dias. Porém, logo na sequência, o Sindicato de Trabalhadores de Campo Largo sugeriu uma postergação da assembleia para dia 21 de janeiro. O objetivo do pedido é aguardar a definição do leilão dos imóveis, em dezembro.
Em suma, caso haja a venda dos terrenos no final de 2020, o dinheiro servirá para pagar os credores trabalhistas e, com isso, o plano de recuperação pode sofrer alterações. De qualquer forma, a assembleia que definirá o futuro da Porcelana Schmidt ficou marcada para o dia 21 de janeiro.
Relembre
Em maio deste ano, a Porcelana Schmidt se manifestou através de uma nota oficial em que confirmou a redução das atividades no parque fabril de Pomerode. Dessa forma, 75 funcionários foram dispensados, restando aproximadamente 15 colaboradores e a loja de fábrica em funcionamento na cidade.
Por mais de uma década, a empresa tem sofrido com a concorrência de produtos vindos da Ásia e consequentes dificuldades financeiras. Segundo a nota, mediante a pandemia, essa situação se agravou por conta da considerável redução nas vendas de porcelana no Brasil e no exterior.
História
A história da Porcelana Schmidt começou em 1945, quando a família Schmidt fundou a empresa em Pomerode. Três anos mais tarde, a Porcelana Real foi adquirida, fazendo a fusão das duas fábricas. Em 1956, a família Schmidt adquire uma terceira unidade fabril, na cidade de Campo Largo – PR, denominada Porcelana Steatita. Ainda na década de 50, com constantes inovações tecnológicas, o grupo Schmidt exporta pela primeira vez aos Estados Unidos.
Na década de 60, já líder absoluta do mercado brasileiro de porcelana, vira sinônimo de qualidade e ícone do setor de Mesa Posta. Na década de 70, atuando em todos os segmentos, funde-se em uma única marca: Porcelana Schmidt. Nos anos 80 e 90, com uma grande linha de produtos, a Schmidt se solidifica como líder no setor, reconhecida internacionalmente como lançadora de tendências e referência mundial de qualidade.
As dificuldades financeiras começaram há pouco mais de uma década, motivadas também pela concorrência com as porcelanas vindas da Ásia. A empresa chegou a pedir recuperação judicial em 2008, para a fábrica de Mauá, e em 2016 para todas as suas unidades.
































