Galhos secos e casquinhas decoradas que transformaram Pomerode

Muitas mãos construíram a história da maior Osterbaum do mundo

Uma exposição apresenta a evolução da Osterbaum da Osterfest. A Mostra do Museu Pomerano traz 15 imagens do primeiro ícone da Páscoa pomerodense e pode ser conferida durante todo o mês de abril.

Um dos símbolos da Páscoa alemã foi trazido por alguns imigrantes para a região. Com o tempo, o costume de decorar os galhos secos casquinhas coloridas foi esquecido por muitos.

Em 1999, uma iniciativa reuniu um grupo de voluntários com a missão de dar um colorido especial para a Páscoa de Pomerode com um baixo orçamento. A proposta voltou seus olhares para a tradição esquecida. “Na época, a gestão precisou administrar um baixo orçamento, a Prefeitura estava com muitos problemas financeiros. Por mais que a gente tivesse vontade de deixar a cidade bonita, não havia recursos”, relembra Gladys Dinah Sievert.

Na época Gladys era secretária de Turismo e pensava em algo que pudesse colocar Pomerode em destaque, fazendo a ligação com a Alemanha. “Todas as ações proposta precisavam consolidar a marca de ‘Cidade mais Alemã do Brasil’. Então eu me recordei da infância, quando minha Oma fazia a Osterbaum para nós, e não conseguia lembrar de ver algo parecido nas outras casas.”

História: Gladys Sievert resgatou a tradição da Osterbaum, da qual carrega uma pequena réplica em um pingente recebido de uma renomada artista. Foto: Marta Rocha/Testo Notícias

Analisando os materiais necessários para a montagem de uma árvore de Páscoa, Gladys percebeu que os itens eram relativamente baratos e caberiam no orçamento. “A mão de obra foi totalmente voluntária, de colegas de equipe, amigos e artesãos que se reuniram para dar vida à ideia. Queríamos fazer algo grande, que chamasse a atenção na rua.”

E foi assim que as primeiras três árvores de Páscoa ganharam as ruas de Pomerode, uma na região Central, em frente ao Schroeder, outra na Prefeitura e a última em frente ao Portal Sul. “Não sabíamos também como as pessoas reagiriam àquelas árvores, já que nunca tínhamos feito nada parecido.”

A facilidade de ter acesso às casquinhas de plásticos, que na época era uma opção por conta da durabilidade, fez com que elas fossem enfeitadas em sistema de mutirão, com flores e fitinhas. Já a Secretaria de Obras foi a responsável pelos galhos de goiabeira, que tinham aproximadamente três metros de altura cada um. “Eles escolheram árvores belíssimas e o resultado foi realmente o que esperávamos.”

A edição da Osterbaum em Pomerode foi um misto de surpresa, críticas e elogios. “As pessoas não a conheciam. Se por um lado alguns achavam bonito, outros não entendiam porque não sabiam o significado. E isso ganhou proporção, tanto pela crítica como pelos elogios”, relembra.

No ano seguinte, muitos moradores começaram a decorar as casas e os jardins e Gladys teve a missão de convencer o comércio e as empresas a aderirem ao projeto. “Conversei com os moradores, com as secretarias das igrejas e os comércios se eles topariam decorar para deixar pelo menos as ruas centrais bem coloridas e para minha felicidade, as pessoas entenderam qual era o propósito.”

Ano após ano, as árvores de Páscoa de Pomerode foram ganhando prestígio nas cidades vizinhas e também em outros estados. A tradição passou a ser revivida em escolas e nas comunidades religiosas. “Iniciamos os esforços para que a Osterbaum fosse a marca principal da Páscoa em Pomerode.”

Osterbaum Pomerode
Exposição: mostra do Museu Pomerano apresenta a evolução da Osterbaum da Osterfest. Foto: Divulgação

Em 2009, a primeira tentativa do recorde mundial veio com uma árvore feita com 14 mil casquinhas de plástico, que acabou não entrando para o Guinness World Records. “Em uma pesquisa, vi que na Alemanha era feita a maior árvore de Páscoa do mundo. Mesmo sem conseguirmos o recorde, a árvore gigante despertou o interesse de veículos de comunicação e, pela primeira vez, foi tema de uma matéria no Jornal Nacional, aquilo foi algo muito emocionante.”

No mesmo ano, a Associação Visite Pomerode (Avip) assumiu a organização da Osterfest e iniciou os preparativos para trocas as casquinhas de plástico por naturais, para entrar novamente na briga pelo Guinness. Conquistado em 2017, o registro segue vigente até hoje, encantando moradores e turistas.

Olhando para a história da árvore de Páscoa em Pomerode, Gladys se sente orgulhosa e afirma que o sucesso só foi possível quando a criatividade se uniu ao trabalho de muitas mãos. “Não fiz nada disso sozinha, eu consegui unir muitas pessoas para transformar essa ideia em realidade, fico muito feliz por Pomerode ter abraçado tudo isso. Dá um orgulho em ver qualquer árvore sendo montada e saber que as pessoas aprenderam a conhecer a história e a tradição por trás da Osterbaum.”

Uma árvore carregada de significados

Os galhos secos representam a Paixão e Morte do sepulcro de Jesus Cristo. O ovo simboliza que há vida dentro dele e que dali brota. Já os ovos coloridos também traduzem a alegria da vida, a Ressurreição do Senhor.

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