Moradora de Pomerode que oferece fruto de graça define a ação como uma atitude de muito valor
Por redação TN

Linda atitude: Ursula oferece limões de graça.
O mundo se torna mais simples e esperançoso quando pequenas ações são valorizadas e apreciadas. É com exemplos dessa natureza que se encontra a beleza no coração das pessoas. Um limão pode virar uma limonada, caipirinha, bolo ou um chá, mas, para Ursula Marly Fritsch, de 67 anos, o fruto deu vez a um ato de compartilhamento.
Morando em Pomerode há quase cinco anos, a senhora carismática e de bom coração se encontrou em uma situação de desperdício ao ver seus diversos pés de limão carregados de frutos. Como o consumo em casa não chegava nem perto da quantidade que possuía, a filha resolveu levar para empresa em que trabalha e compartilhar com os colegas. Mesmo assim, muitos frutos estavam sobrando.
Diante disso, ouviu a proposta da amiga da filha, nascida na Alemanha. “Ela disse que lá eles fazem isso com as maçãs, a pessoa vai no pomar colher, e nos perguntou porque não colocávamos os limões na rua”, explica. De primeira, Ursula não achou que a ideia funcionaria, mas optou por testá-la para ver como as pessoas se comportariam. “Achávamos que seria difícil os caminhões pararem ali, mas colocamos e deu certo, teve bastante saída, ficamos muito felizes que as pessoas começaram a levar embora”, declara.
Alguns desafios para pôr a ação em prática surgiram. O primeiro foi decidir onde colocar o fruto. A solução veio ao encontrarem um cesto na própria casa. “Pensamos em fazer um tabuleiro, mas como começou a sair assim, deixamos desse jeito”, pondera.

O segundo empecilho ficou por conta da placa. Inicialmente, Ursula, com ajuda das filhas e netas, fez uma placa com os seguintes dizeres “ajude-nos a não desperdiçar o limão”. No entanto, ninguém estava parando para pegar o fruto e elas se questionaram sobre qual seria o problema. “Foi aí que percebemos que as pessoas podiam entender que não é de graça, por causa do ‘ajude-nos'”. Em poucos minutos, uma nova placa já estava pronta e colada, escrito “limão grátis”. “Embaixo tentamos explicar que estava sendo desperdiçado e, por isso, estávamos colocando ali.”
Ursula relembra com carinho e felicidade o dia em que a primeira pessoa parou para pegar os limões. “Estávamos dentro de casa e ninguém estava parando, aí de repente as minhas netas me chamaram dizendo que estavam pegando. Ficamos tão felizes, pensamos que daria certo. Nós ficamos emocionados do povo colaborar e pegar”, admite.
De lá para cá, o ponto já ficou conhecido e recebeu a visita de muitos pomerodenses. Por isso, Ursula toma o cuidado de sempre deixar limões frescos no cesto. A oferta vai durar enquanto os frutos estiverem disponíveis. “Nós colocamos no sábado de manhã e de tarde já tivemos que encher e no domingo enchemos de novo. Ficamos bem contentes, porque o limão estava sendo desperdiçado e, agora com o frio, quem não quer um limãozinho?”, reflete.
Ao refletir sobre a atitude tomada, Ursula pondera que o mundo de hoje está complicado de se viver, sobretudo pela incerteza do amanhã. Por isso, acredita que compartilhar o que estiver sobrando é uma atitude de muito valor. “Eu acho bem decente, é uma coisa que podem até não dar valor, mas hoje é um limão, amanhã pode ser mais alguma coisa que você tenha”, finaliza.
































