Mãos que trazem harmonia, alegria e descontração

Artista plástico e escultor, João Siqueira disponibilizou sua equipe para pintar o muro do CEI Cantinho Bom Pastor

Ajuda, acolhida e apoio que vieram de todas as partes e de diversas maneiras. É assim que se pode resumir o mês que sucedeu a tragédia no Centro de Educação Infantil (CEI) Cantinho Bom Pastor, de Blumenau. Seja em forma de orações, alimentos, material, dinheiro ou mão de obra, milhares de pessoas se uniram em um único objetivo: reerguer a instituição e dar forças para as crianças e corpo docente.

Em um mutirão, diversos voluntários passaram dias no local e aumentaram o muro ao redor da creche. 12 dias após o ataque, a escola voltou a receber os alunos. Vendo essa rede de apoio que se criou, o artista plástico e escultor, João Siqueira, se sentiu sensibilizado a também ajudar da forma que podia. “Através disso, tive a ideia de fazer alguma coisa para colaborar não só com a creche, mas trazer para esse muro um pouco de alegria para as crianças e retratar algo que não lembrasse o ocorrido, mas sim que descontraísse, que trouxesse alegria, paz e harmonia”, lembra.

Foto: Gabriel S.

Morador de Blumenau, João possui uma empresa de artes em Pomerode, a qual realiza diversas esculturas, pinturas artísticas e cenografia. Após entrar em contato com a diretora da creche, ele disponibilizou voluntariamente parte de sua equipe para pintar o muro do CEI Cantinho Bom Pastor. “É um prazer imenso poder colaborar com eles através da nossa arte. A arte transforma, e nosso objetivo é esse: transformação.”

Com o propósito, criaram uma pintura que retratasse o Vale do Itajaí. Cores vibrantes, o Rio Itajaí-Açu, a casa estilo Enxaimel e diversos animais com expressão infantil são algumas das características que são possíveis enxergar no resultado final do muro lateral. “No início, eles [da creche] perguntaram se já tínhamos alguma coisa definido do que seria feito e eu falei que definiríamos isso na hora. Tenho uma equipe maravilhosa, todos são artistas muito bons e quando chegamos aqui cada um usou sua criatividade. Foi tudo criado no local, com o sentimento do local”, explica João.

No entanto, não pararam por aí e o trabalho, que foi tão bem reconhecido, passou também para o muro do estacionamento. “Nessa parte, nós criamos um vale dos dinossauros. Tem diversos dinossauros com expressão infantil e alegres, além de um fundo bem harmonioso com vegetação, flores e cogumelos.”

João enfatiza que o mais gratificante é ver a alegria das crianças quando elas saem da creche e visitam a arte. “Você vê a felicidade no sorriso delas, isso não tem dinheiro que pague. Essa é uma doação que estamos fazendo não só para a creche, mas também para a sociedade e, principalmente, para os alunos que passam o dia todo aqui”, enfatiza.

Foto: Anna P. de Amorim

Esse sentimento é compartilhado com todos que puderam deixar sua marca no muro. “Trabalhamos eu e mais cinco artistas, mas somos em 14, uma parte da equipe ficou trabalhando em Pomerode, mas eles também vieram colaborar, porque todos quiseram participar desse projeto pelo menos um pouco.”

“É gratificante fazermos um trabalho desse, porque você consegue levar a alegria através da arte para as crianças, para os pais, para o corpo docente da escola e para a comunidade em geral, as pessoas gostam e interagem conosco. É muito bom, é uma coisa que ilumina a alma de qualquer um, a arte envolve a gente dos pés à cabeça”, expõe o artista Marcos Augusto Dutra de Araújo.

Ao olhar ao redor e ver o quanto de ajuda já receberam, a diretora do CEI Cantinho Bom Pastor, Alconides Ferreira de Sena, não esconde a gratidão que sente por todos que colaboraram de alguma forma. “Quando aconteceu a tragédia, o meu primeiro pensamento foi abandonar tudo. No segundo momento, diante da acolhida que nós tivemos, a minha opinião mudou. Acho que não temos o direito de abandonar tudo, uma vez que fomos acolhidos por mãos anônimas”, declara.

Por isso, ela e todos os envolvidos estão direcionando sua atenção a todas as mãos do bem que vieram para auxiliar durante essa fase tão difícil. “Só podemos dizer ‘gratidão Senhor’, porque a ferida está aqui, ela continuará, um dia com uma dor menor, outro com uma dor maior, mas ela fará parte da nossa história. Nesse momento, estamos juntando nossos caquinhos e tentando reconstruir a nossa história”, finaliza.

Confira mais sobre a ação no vídeo:

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