O mês de maio de 2021 ficou marcado para sempre na vida de Vicente Izidoro Rodrigues. Aquela deveria ser mais uma jornada de trabalho normal, mas um grave incidente mudou tudo. “Eu estava deslocando na rodovia que liga Pomerode a Blumenau, quase na divisa, quando percebi algo errado”, conta.
No momento em que parou o caminhão no acostamento, percebeu que as chamas começavam a consumir o seu companheiro de trabalho, que foi comprado com muito custo e escolhido pessoalmente na fábrica em São Bernardo do Campo (SP). “Meu primeiro sentimento foi um só, eu precisava apagar o fogo de qualquer jeito. Peguei uma toalha de banho e molhei com a água que eu tinha na bombona e joguei pelas chamas.”
O motorista segurou a toalha com toda a força até não conseguir mais. O calor era tão intenso que já começava a queimar também as mãos de Vicente. “Muitas pessoas passaram na rodovia e não pararam, nem sequer ligavam o alerta ou diminuíam a velocidade. Eu estava desesperado, quando um vizinho correu do outro lado da rua com uma mangueira e começou a me ajudar, aquilo me deu ainda mais força para continuar”, relembra.

Assim que o primeiro vizinho correu para prestar socorro, outro também apareceu com um extintor para auxiliar. “Até que o motorista de uma caçamba também parou. Ele tinha algumas garrafas de água e me entregou para ajudar a apagar as chamas. Eles não tiveram medo das chamas altas e queriam realmente me ajudar”, afirma.
Foram longos e infinitos minutos, quando uma Van com brigadistas da empresa Karsten estacionou e trouxe extintores para ajudar a conter as chamas. Logo em seguida, as equipes dos bombeiros chegaram para fazer o rescaldo do veículo e todos os procedimentos de segurança. “Agradeço muito a cada uma dessas grandes pessoas que me ajudaram. Eu tenho seguro e ele cobriria o prejuízo, mas a perda daquele caminhão significava muito mais para mim. Pois, no auge dos meus 63 anos, acho que não teria mais ânimo para continuar”, garante.

Vicente começou carreira como motorista em 1976, primeiro dirigindo um ônibus, dois anos depois assumiu o primeiro volante daqueles que seriam seus companheiros de trabalho para a vida toda: os caminhões. Foram anos de dedicação, histórias para contar e inúmeros quilômetros rodados.
Foi a profissão do pai que inspirou a escolha do filho Jean Carlos Rodrigues, caminhoneiro há 24 anos. E das memórias da época de criança se recorda de sempre querer acompanhá-lo. “Da janela de meu quarto eu o via sair e chorando pedia para Deus me ajudar a crescer logo, para ir viajar no lugar dele.”
A primeira viagem que pai e filho fizeram juntos, ambos já como motoristas de caminhão, foi em 1997, quando Jean fez a sua primeira habilitação. “Meu pai me ensinou tudo que eu sei. Por muitos anos transportamos cimento juntos do Paraná para Santa Catarina e sempre que possível pegamos a estrada juntos ou nos encontramos pelo caminho”, declara.
Quando o incidente com Vicente ocorreu, Jean não pensou duas vezes e compartilhou a experiência do pai em suas redes sociais, para que servisse como inspiração de honestidade e determinação. “Falar do meu pai sempre é um privilégio, mas eu queria mostrar o seu caráter em lutar para não deixar o fogo consumir a ferramenta de trabalho dele.”
Passado o susto, tanto pai quanto filho continuam com a rotina diária de estrada. “Graças a Deus não passou de um susto, ele conseguiu apagar o fogo arriscando sua própria vida para defender seu ‘ganha pão’ com a ajuda de algumas boas pessoas. Enquanto há força, há luta. O dinheiro nunca foi sua riqueza, nos ensinou desde pequenos a sempre ter esperança e nos mostrou por atitudes o que é ser um verdadeiro herói”, finaliza Jean.

































