O camisa-verde pomerano e sua fidelidade ao Sigma

Por Genemir Raduenz, Edson Klemann, Johan Ditmar Strelow, Cláudio Werling e Dirceu Zimmer


Congresso Integralista em 1935, Blumenau. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Congresso_ Integralista_1935.jpg

A Ação Integralista Brasileira (A.I.B) originou-se com o “Manifesto de Outubro” em 1932 de autoria de Plínio Salgado, o Chefe Nacional, cujos componentes doutrinários procedem do seu lema “Deus, Pátria e Família”. Deus (que dirige o destino dos povos), Pátria (nosso lar), e Família (início e fim de tudo). Este lema se encaixava nos princípios norteadores que Plínio Salgado chamou de a Doutrina do Sigma, guia ideológico e moral do movimento. O Integralismo se organizou a partir de uma série de pequenos grupos adquirindo em pouco tempo um exponencial número de militantes provindos de diversas classes sociais que não se identificavam com o quadro político vigente. Segundo o jurista e ex-integralista Miguel Reale, o Integralismo foi um movimento nacionalista visando à reforma da situação brasileira. Naquela época só havia um partido nacional, que era o Partido Comunista. Os demais partidos existentes eram partidos locais, partidos estaduais. De acordo com Reale, o Integralismo foi o segundo partido nacional. Algumas estimativas apontam para 800 mil integrantes da A.I.B, um número relevante se considerarmos o contexto da década de 1930. Nas vestimentas do movimento predominava o verde inglês (um tom de cor verde). Para os homens (camisas-verdes), a camisa de brim ou de algodão, de fabricação nacional. A gravata era de tecido preto ou liso, e o gorro verde de duas pontas. As calças eram brancas ou pretas, mas nas zonas rurais a cor cáqui era permitida. As mulheres (Blusas-Verdes) usavam a mesma camisa, e saia preta ou branca. Os integralistas saudavam-se erguendo bruscamente o braço direito até a posição vertical proferindo Anauê! Uma expressão de origem tupi, que significa “você é meu parente”. Era pronunciada com voz natural, quando individual, e com voz clara e decidida, quando coletiva.


O lavrador integralista Ricardo Strelow. Assassinado no antigo Salão Roeder, atual Sociedade Aliança em Rio Cerro II. Fonte: Sergio Strelow.

O sigma, sinal utilizado nas camisas verdes e na bandeira do Integralismo, indica em matemática o símbolo do cálculo integral. Conforme Clayton Hackenhaar, a ideia do Sigma como símbolo surgiu na segunda reunião do movimento aberta ao público em São Paulo. Na ocasião, Arthur Motta disse que “ele, matemático, bem compreendia que somente seria num Sigma político, formado por todos os valores diferenciais de Nação que o Brasil acharia salvamento”. Após a fala de Motta, Olbiano de Mello, Miguel Reale e outros, ao se encontrarem num café paulistano, abandonaram um símbolo no qual estavam trabalhando e “fixaram esta letra grega como a expressão integral do nosso pensamento doutrinário”. Para Reale, o Integralismo foi um reflexo do modernismo no campo político. Assim como na Semana de Arte Moderna quando um grupo de jovens procurou alterar a situação literária e estética do país, outro grupo de jovens liderado por Plínio Salgado, que também era adepto da doutrina social da Igreja Católica Romana, procurou alterar a situação política do país. Muitos se sentiam atraídos pelos desfiles de integralistas uniformizados, cheios de símbolos e rituais. Para Tiago da Costa Amado, ao longo de sua existência, a A.I.B organizou uma série de cerimônias. De tipologias diversas, que iam desde casamentos até grandes desfiles, essas cerimônias fizeram parte do cotidiano de inúmeros militantes do sigma e se tornaram elemento fundamental para o movimento. Segundo da Costa Amado, a ritualística integralista possuía uma inspiração fascista.

Obelisco de Ricardo Strelow no cemitério de Rio Cerro II em Jaraguá do Sul. Acervo: Thiago Roloff.

O cerimonial era organizado de forma bastante precisa, seguindo instruções oficiais. Mas por qual motivo o Integralismo fez uso de toda esta simbologia? Reale afirma que naquela época, houve uma preocupação pelo chamado Estado Forte, ideia essa contida na obra de Fernando de Azevedo em seu livro sobre a cultura brasileira e trata da necessidade de compor a democracia. Estavam convictos que nunca conseguiriam tirar o povo de seu cansaço apresentando meros cálculos “frios”. Tornava-se necessário carisma, ou seja, o uso de recursos a valores emocionais cativantes. Muitos se sentiram atraídos pelos desfiles de integralistas uniformizados, cheios de símbolos e rituais. Conforme o relato de um pomerano: Dat lait sou as wen mit dem Integralismo dai lüür ala lebendig ina himel günga… Parecia como se com o Integralismo as pessoas entrariam vivas no céu… No aspecto simbólico e ritualístico, o Integralismo foi semelhante ao fascismo, e, posteriormente ao nazismo. De fato, muitas teses e artigos apresentam o Integralismo como movimento fascista brasileiro. Mas Miguel Reale chama atenção quando diz que “continuam a repetir os mesmos slogans a respeito do Integralismo. Porque no Brasil estamos habituados a criticar sem ler…”. O jurista afirma que o Integralismo copiou alguns elementos do fascismo, mas não o seu autoritarismo. “Nós queríamos o contrário do fascismo, uma democracia corporativa”. Além desta divergência, M. R. da Silva Ramos Carneiro aponta a forte relação do Integralismo com o catolicismo romano que o diferenciava dos movimentos autoritários históricos. Reale também critica o slogan “o Integralismo é um hitlerismo brasileiro”, pois a A.I.B foi criada em outubro de 1932, quando a doutrina de Hitler era praticamente desconhecida no Brasil. A Ação (A.I.B), nunca teve antissemitismo como preocupação racial ou religiosa. Segundo René E. Gertz, enquanto o nazismo defendia um Estado baseado na ideia de raça pura, o Integralismo adotou o modelo da miscigenação como ideal a ser alcançado. Roney Cytrynowicz afirma que grande parte dos grupos políticos dos anos 1930 era formada por brancos das elites sociais. O Integralismo, com sua forte dimensão nacionalista, desejava representar setores populares e de classe média não incluída na política nacional, abrindo suas fileiras a militantes negros, mulheres, jovens e crianças. A A.I.B tinha três principais líderes, cada um representava uma vertente dentro do Integralismo: 1ª vertente) O chefe nacional Plínio Salgado que correspondia à maioria dos membros atraída pelos valores do nacionalismo ou da “reação espiritualista” no desempenho da vida política: 2ª vertente) O secretário nacional de doutrina Miguel Reale, equivalia aos que davam mais importância aos problemas jurídico-políticos da organização, da sociedade e do Estado: 3ª vertente) Gustavo Barroso que representava uma “reduzida minoria”. Esta minoria, segundo Reale foi “mais seduzida pelos valores da Milícia, pela força-aliciadora e irracional dos símbolos, da camisa verde e do sigma, acentuando as diretrizes anticomunistas e anticapitalistas, até o ponto de adotarem o antissemitismo”.


Broche pertencente a pomerodense Elsa Strelow (nascida Siewert). Utilizado pelas participantes do Movimento Integralista. Acervo: Johan Ditmar Strelow

Para Barroso, o inimigo a ser combatido era o capitalismo e o comunismo judaicos internacionais. Este antissemitismo, segundo Reale, não era de caráter racial ou religioso, mas apenas do ponto de vista econômico-financeiro. Cytrynowicz afirma que Gustavo Barroso acabou sendo proibido de escrever nos jornais do movimento devido seu antissemitismo. Para entendermos a fidelidade dos militantes integralistas, dentre eles, muitos pomeranos no sul e no sudeste do Brasil, precisamos compreender um dos mais importantes rituais do movimento: o juramento integralista. Da Costa Amado nos mostra um interessante relato descrito na revista ilustrada Anauê em setembro de 1937: “Uma linda tarde, tão calma, tão azul… E, no meu coração, um hino festivo, glorioso, contente. É que, obedecendo aos ditames da consciência, eu iria, dentro de breves instantes, ingressar nas fileiras verdes, verdes da esperança de um Brasil melhor, verdes como a nossa bandeira, verdes como os nossos campos fertilíssimos. E me sentia tão feliz, com a alma tão em festa, que, no momento solene em que, a mão direita erguida, o coração genuflexo ante a imagem da Pátria, pronunciava o juramento que para sempre me ligava a essas falanges abençoadas por Deus, a comoção não me permitiu que traduzisse em palavras pobres e ocas que seriam talvez, o cascatear das emoções gloriosas que me fariam vibrar…”. O texto foi escrito por Lourdes de Souza Pinto com o objetivo de narrar sua experiência ao realizar o juramento integralista. No mesmo texto, a autora comparou o dia do juramento a dois outros episódios de sua vida: sua primeira comunhão e seu casamento. Lourdes afirma ter se sentido, naquele dia, como nos outros dois, com “o coração igualmente satisfeito, a consciência igualmente tranquila, a alma igualmente branca”. A narração de Lourdes mostra o quão importante o juramento foi para a blusa-verde. Conforme da Costa Amado, a importância deste ritual era seguramente compartilhada por um grupo bem mais amplo de adeptos e dirigentes do Sigma, o que fazia dele uma das principais cerimônias do movimento. O próprio Plínio Salgado declarou que “sem esse juramento não existe Integralismo”, atribuindo ao ritual um sentido místico e exaltando-o definitivamente a uma posição de destaque. Após o ato da inscrição no movimento, o aspirante teria que aguardar por noventa dias para poder prestar o juramento. Após os 90 dias, o futuro camisa-verde se preparava para a cerimônia mais importante de sua vida. Na sala de sessões do núcleo onde foi feita a inscrição, em frente ao retrato do Chefe Nacional, com no mínimo dez integralistas presentes, o ingressante juraria: “o Chefe Provincial, Municipal ou Distrital, ou a autoridade que o represente, mandará, o novo Integralista erguer o braço, direito verticalmente e pronunciar as seguintes palavras: – “Juro por Deus e pela minha honra trabalhar pela Ação Integralista Brasileira, executando, sem discutir, as ordens do Chefe Nacional e dos meus superiores” – A autoridade, então, dirá – “Integralistas! Mais um brasileiro entrou para as fileiras dos ‘Camisas-verdes’. Em nome do Chefe Nacional eu o recebo e convido os presentes a saudá-lo, segundo nosso rito. (Elevando a voz): Ao nosso novo companheiro, – Anauê! Os presentes responderão: – ‘Anauê’.” De acordo com da Costa Amado, a partir de seu pronunciamento um elo eterno era criado. O vínculo inicial do integralista com o movimento, estabelecido pelo juramento, se baseava na submissão à autoridade de Plínio Salgado. O ritual era apresentado como um ato de liberdade. O ato de jurar é considerado exercício de liberdade na medida em que acontece sem obrigação. Sua função era estabelecer a cadeia de comando entre líder e liderado: garantia fundamental para a unidade do Integralismo. Ao jurar, o integralista passava a reconhecer sua pequenez face às ordens, face ao movimento. Ao mesmo tempo em que sua vida tomava sentido, ela se apequenava frente a um ideal maior. Os vários se subordinavam e agiam conforme um, o que os plasmava num todo único e indiviso. Rosa Cavalari afirma que o juramento era “a pedra de toque da fidelidade integralista”. Foi a fidelidade ao Integralismo que mobilizou milhares de camisas-verdes a participarem dos principais eventos do movimento, mesmo em meio a perseguição sofrida a mando do então governador catarinense Nereu Ramos que proibiu quaisquer reunião de “doutrinação política” em Santa Catarina. Segundo Hackenhaar, delegados de polícia nomeados pelo governador foram os principais responsáveis pelas ações contra os integralistas. Conforme Hackenhaar foi exatamente um delegado de polícia o principal responsável pelos graves conflitos em 07 de outubro de 1936 em Jaraguá do Sul. Naquela data ocorria uma das principais comemorações integralistas: a Noite dos Tambores Silenciosos. Uma festividade referente à fundação do movimento, ocorrida quatro anos antes. O secretário de segurança pública mobilizou um batalhão sob o comando de Trogilio Mello, realizando invasões no salão Koch e posteriormente no salão João Pessoa. Este último, resultando em tiroteio. Quando o destacamento retornava pela rua que liga Jaraguá do Sul a Blumenau, no bairro Rio Cerro, defrontou-se com o então salão Roeder (atual Sociedade Aliança) com mais de duzentas pessoas reunidas, no qual estariam presentes adeptos do Integralismo. Quando os policiais tentaram encerrar a reunião iniciou-se o confronto, o qual resultou novamente em tiroteio. Deste briga resultou na morte do pomerano camisa-verde Ricardo Strelow, considerado o 1º mártir integralista de Santa Catarina. Essa fidelidade ao Integralismo também foi relatada em diversas comunidades pomeranas espalhadas pelo Brasil. Anivaldo Kuhn descreve uma série de relatos colhidos nas comunidades pomeranas no interior do Espírito Santo: Conheci uma pessoa que foi líder do Integralismo aqui na região. Domingos Martins foi berço do Integralismo no Espírito Santo. Faziam desfiles. Usavam aquela camisa verde. Muitos confundiram Integralismo com nazismo. Uma coisa não tem a ver com a outra. Mas todo mundo achava que tinha. Tanto que até ele que era líder do Integralismo daqui, depois foi contra. O movimento foi muito forte. Tem muita gente que até hoje ainda sabe cantar o hino do Integralismo. Também se comentava sobre o líder “Fom Plínio Salgado, dår haara sai dat ümer mit”. Do Plínio Salgado eles sempre falavam. Quanto às promessas, diziam que “dår kaim ain nijg regirung riner”. Iria entrar um novo governo. “Brasijlien däir beeter waara”. O Brasil iria melhorar. Já outros imigrantes pomeranos capixabas relatam que “Dat wäir ain mour”. Era uma moda. “Dat müst ainfach sin”. Tinha que simplesmente ser. Quanto à proporção do movimento nas comunidades pomeranas “dat wäir ain groud geschicht, wait Got wat dår ales bij wäir”. Era bastante gente, sabe Deus quem tudo participou. “Dai gruin.hemda sün hijr den seir in beraupt wääst?” Os camisas-verdes eram afamados por aqui? “Meisch, dat is seir wat groudas wääst”. Homem, isto foi algo grandioso! “Dai gruin-hemda wäira dun al ain groud partai”. Os camisas-verdes eram um grande partido. Os pomeranos também relatam sobre o uniforme integralista: “Jeirer kreig air gruin hemd”. Todos ganhavam uma camisa verde. “Fain genäigt”. Bem costurada. “Dat wäir dik tüüg”. Era tecido grosso. “Dat häwa’s ala geewt kreega mit ain slöiw – geel un gruin”. Isso eles ganhavam com um laço amarelo e verde. “Ana hemd wäir ain stempel”. Na manga havia um carimbo (sigma). “Dat wäir air Lampiers määka- dai wäir al halweeg uld – dai haar dat oiwer sich, dai hemda näigen”. Era uma menina dos Lampiers – já de bastante idade – que era encarregada de costurar as camisas. “Dai däir swaarda huir toupsuika”. Ela coletava chapéus pretos. “Door däir’s dat ‘sigma’ uutmåka”. Disto ela fazia o emblema (sigma). “Dat däir’s upa hemdamouch ruparnäiga”. Isto ela costurava sobre a manga da camisa. “Dai farstüün dat gaud”. Ela o fazia com esmero. Também sobre as marchas os pomeranos afirmam que marchavam com o uniforme. “Dår müsta sai mit marschijra”. Com esta eles tinham que marchar. Normalmente os líderes das marchas integralistas tinha alguma experiência militar. Eles faziam exercício de marcha. “Haara sich ain stråt hakt”. Abriam uma estrada. “Dår däira sai marschijra”. Ali eles marchavam. “Arthur Schneider forstüün wat fom soldåtspeelen”.

O Integralismo possuía escritórios em diversos distritos de Blumenau, dentre eles, Testo Alto. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=srcitNSPXgQ&t=1374s

Arthur Schneider tinha alguns conhecimentos de treinamento militar. “Grouda schik haar dat ni”. Não levava muito jeito. “Dat lait sou as wen sai ruper günga nana vend”. Parecia como se estivessem subindo a venda. Após Getúlio Vargas fechar todos os partidos e implantar o regime conhecido como Estado Novo, diversas invasões e perseguições ocorreram. “Wou is dat hemd bleewa?” Onde ficou esta camisa? “Ik main, dat hät hai nåheer forbrent”. Eu acho que ele queimou esta camisa. “Ik hew dat hemd ni meir saiend kreega”. Eu nunca mais cheguei a ver esta camisa. “Soldåta schula kåma taum dai hüüser uutrüümen”. Soldados estavam para chegar e revistar as casas. “Dun haara’s angst, dürwst kair meir wat fon säga”. Aí eles tinham medo. Ninguém podia comentar nada. “Wen’s sich mila däira, den haara’s angst sai wäira ruunerhoolt, wäira inspuunt”. Eles tinham medo de serem buscados e ficar detido, quem comentasse algo. “Denåsta sär papa ümer”. Depois papai sempre dizia “Kair schul meir geigen dai regirung wääla”. Ninguém deveria mais votar contra o partido do governo. “Dai chefs fom Integralismus sün inspuunt woura un wat Integralismus wääst is, is ales forboora woura”. Os líderes do Integralismo foram presos e tudo o que se referia ao movimento foi proibido. “Im twaida wildkrijch häwa’s nog suikt hijner dai buika bij Wilhelm Januth wou da integralisten insreewa wäira”. Durante a Segunda Guerra ainda estiveram em busca dos livros na casa de Wilhelm Januth onde os integralistas estavam inscritos. “Dai ul Wilhelm Januth’sch is im twaida stok wääst un hät dai integralisten buika ruuter smeeta ana båwen sijd”. A esposa estava no segundo andar e jogou os livros para fora no lado de cima. “Nikolau is air klair jong wääst, fon twelw jår sou”. Nicolau era um pequeno menino de uns doze anos. “Dai häd dai buika nooma un wegadieu-ina kawera”. Ele pegou os livros e sumiu na capoeira. “Süster haara sai dai buika fuuna, den haar dat Wilhelm Januth seir, seir slechtgåa”. Caso tivessem encontrado aqueles livros, Wilhelm Januth teria se dado muito mal. Também foram acusados de comunistas: “Wek sära sou går dai GH wäira comunista”. Alguns até diziam que eram comunistas. “Dai wäira buuten gruin u eiwendig roud, sou as ain wåtermeloun”. Eram por fora verdes e por dentro vermelhos assim como uma melancia. “Dat sära’s, dat kan ik mij nog ümer gaud denka”. Isto eles diziam, eu me lembro bem. Arthur Schneider afirma: “Falaram que o Integralismo era o comunismo; por fora verde e por dentro vermelho. Nós não somos como uma melancia”. Roland Ehlert afirma que no então distrito de Rio do Testo (Pomerode), quem não pertencia ao Integralismo não era considerada uma pessoa ordeira (Aier ordentlig Meisch). Alguns eram entusiastas fervorosos do movimento, outros menos. Roland relata que um professor entusiasta chegou a vestir uma pequena camisa verde em seu filho, quando este foi batizado. O principal líder do movimento em Rio do Testo foi Waldemar Selke, que possuía um gabinete onde ocorriam reuniões e realizavam a inscrição dos novatos no movimento. Após o fim do Estado Novo o Integralismo se reorganizou como Partido de Representação Popular (PRP). Waldemar Selke foi eleito vereador por este partido e representou todo o distrito de Rio do Testo na câmara municipal de Blumenau. Podemos dizer que Pomerode esteve representada por um camisa-verde dentre os anos 1947 a 1950. Conforme Miguel Reale, há muitos equívocos a respeito do Integralismo. É um tema que precisa ser desbravado com neutralidade a fim de fazer justiça a milhares de camisas-verdes, dentre eles, pomeranos.


Congresso Integralista em 1935, Blumenau. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Congresso_ Integralista_1935.jpg

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