Pomerode preserva com orgulho suas tradições culturais. Na cidade, a Páscoa vai além da celebração religiosa, se transformando em um momento de conexão com as raízes, de transmissão de saberes e de renovação das tradições que a tornam um lugar tão especial.
Durante a Páscoa, Pomerode se transforma em um cenário alegre e colorido, mantendo viva uma prática que atravessa gerações: a pintura de casquinhas de ovos. Entre os muitos artistas que perpetuam essa tradição, a professora de artes Mara Rúbia Maas Hopf se destaca por seu envolvimento apaixonado pela técnica. “Sempre gostei muito de tudo que é ligado à arte”, conta Mara Rúbia, que tem formação em Artes Plásticas e especialização em Artes na Educação.

Há 22 anos, ela compartilha seus conhecimentos em diversas instituições, incluindo o Colégio Sinodal Doutor Blumenau e o Departamento de Cultura de Pomerode, através da SCAR de Jaraguá do Sul. Mas sua conexão com as casquinhas vem de muito antes: “Era, e ainda é, uma tradição pintar as nossas próprias casquinhas. Depois, meus pais colocavam amendoim dentro e escondiam no jardim para que eu e minhas irmãs pudéssemos procurar no domingo de Páscoa”, ressalta.
Desde a infância, Mara se encantou com o formato e a diversidade de cores das artes. “O ovo é símbolo de vida, renascimento e fertilidade. Costumo presentear mulheres grávidas com casquinhas pintadas, pois a barriga de uma gestante também tem esse formato oval, que representa a chegada de uma nova vida”, argumenta.

A prática de colorir casquinhas tem raízes na cultura alemã, trazida pelos imigrantes e preservada em Pomerode. “Na Alemanha, os ovos coloridos são pendurados nos galhos das árvores, como bolas de Natal. Aqui, eles simbolizam a alegria da ressurreição e a renovação da vida”, explica a professora.
Cada cor utilizada nas casquinhas tem um significado especial: o vermelho representa o sangue de Cristo, o verde é a esperança, o amarelo simboliza a luz e o branco, a paz. As técnicas empregadas pela professora vão desde pinturas figurativas com temas pascais até tingimentos naturais com a planta Eierkraut, conhecida como “Erva do Ovo”. “Utilizo tintas acrílicas, aquarelas, giz pastel oleoso e essa técnica tradicional. Todas as casquinhas são higienizadas com água e vinagre antes de serem decoradas”, explica.
Atualmente, além dos ovos naturais, a artista também pinta ovos de madeira, cerâmica, isopor e plástico. Sua coleção pessoal soma mais de 500 ovos, com diferentes materiais, técnicas e origens. “As naturais que eu pinto vão desde casquinhas de codorna até de avestruz”, revela.

A paixão de Mara pela arte das casquinhas não se limita a sua própria produção. Ela compartilha seu conhecimento com os alunos e a comunidade, promovendo oficinas e incentivando a participação no concurso de casquinhas da cidade. “Percebo um grande interesse nessa tradição, principalmente entre as crianças e jovens. Muitos talentos são descobertos através dessa prática”, frisa.
Produzindo cerca de 400 casquinhas a cada Páscoa, a professora também elabora arranjos decorativos e participa da famosa Osterfest. Seu próximo objetivo é realizar uma exposição com suas casquinhas e ovos de diferentes materiais. “Já produzi ovos grandes de fibra de vidro para lojas e um para a Eier Parade da Osterfest. Quero expandir ainda mais esse trabalho”, destaca.
Para aqueles que desejam aprender essa arte, Mara deixa uma mensagem inspiradora. “Essa tradição é encantadora. Ela gera entusiasmo, resgata memórias e celebra a cultura trazida pelos imigrantes alemães. Vamos dar um colorido especial à nossa vida, com riqueza de detalhes e muito amor, para que o grande espetáculo que é a vida seja doce, suave e de puro encantamento”, finaliza a professora.
Veja algumas das pinturas nas casquinhas de ovos produzidas por Mara:
































