Muitas pessoas consideram que voar é sinônimo de liberdade, conquista e superação. Já para quem escolhe a aviação, cada decolagem é mais do que um trajeto: é a realização de um propósito. E para Érica Pauline Radtke o céu literalmente deixou de ser o limite.
Com apenas 19 anos, a moradora de Pomerode já é piloto privado e já teve a chance de voar para lugares como Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e Rio de Janeiro.
O interesse da jovem pela aviação surgiu em 2022, durante o Fly In, evento promovido pelo Aeroclube de Blumenau, que reúne exposições de aeronaves, shows de acrobacia e demonstrações aéreas. Neste dia, ela ainda teve a oportunidade de experimentar um simulador de voo do Boeing 737.

Foi naquele momento que tudo mudou na vida de Érica, quando ela percebeu que todas as suas ideias e planos para uma futura carreira se juntaram. “A gente costuma dizer que, quando o ‘mosquitinho da aviação’ pica, não tem mais volta. Foi exatamente o que aconteceu comigo”, comenta.
No ano seguinte, a jovem já começou a se dedicar a sua então futura profissão. Ela ingressou no curso teórico de Piloto Privado de Avião, quando tinha apenas 17 anos. As aulas duraram cerca de cinco meses, mas os estudos continuaram até ela completar 18 anos e, no dia 1º de julho de 2024, fez seu primeiro voo solo.
Então, o momento tão esperado chegou. No dia 18 de outubro do mesmo ano, Érica teve sua “formatura” do curso, a qual é chamada de Voo de Cheque, e conquistou sua Habilitação de Piloto Privado de Avião. “Foi incrível perceber que eu era capaz de realizar tudo o que foi proposto durante a avaliação. Quando soube que eu estava habilitada, um filme passou pela minha cabeça, lembrei de todas as noites estudando, das expectativas, dos desafios, da espera…”
A jovem conta que sentiu uma mistura intensa de alívio, felicidade, orgulho e gratidão, “tive a certeza de que todo o esforço valeu a pena”. Atualmente, ela pilota aviões monomotores de pequeno porte, como o Cessna 152 (incluindo o modelo Aerobat), o Piper P28A, mais conhecido como Tupi, e o Colt100.
Além disso, Érica está fazendo a habilitação de multimotor, para poder pilotar aviões com dois ou mais motores e de maior porte. Desde o primeiro contato com a aviação, ela já havia se encantado por esse universo. “Quando percebi que trabalharia em uma profissão apaixonante e realizadora, me entreguei totalmente aos estudos. Não é um sonho meu desde criança, mas todos os requisitos que sonhava em uma futura profissão condiziam com ser piloto”, destaca.
A jovem já teve a chance de voar para destinos fora e dentro de Santa Catarina. Para ela, a sensação de estar pilotando é única, misturando liberdade, paixão, emoção e felicidade.
A profissão também exige muita responsabilidade, como disciplina, comprometimento e aprendizado contínuo. Érica se sente honrada em estar no comando de uma aeronave, mas reconhece que precisa estar sempre em busca de aprimoramento técnico e pessoal.

A cada milha, uma nova emoção
Para a jovem piloto, um dos momentos mais marcantes na profissão foi a navegação que fez para o Rio de Janeiro, que exigiu dias de planejamento intenso, preparação técnica e foco. “Foi como assistir a um filme panorâmico de tirar o fôlego: vi o pôr do sol refletido no mar, passei por paisagens impressionantes como Paraty, Angra dos Reis, Arraial do Cabo e Cabo Frio.”

Foram 13 horas de voo, nas quais a sensação de conquista só crescia dentro do coração dela. Mas o melhor ainda estava por vir. Érica pousou no Aeroporto Santos Dumont, ao lado do Cristo Redentor, com o Pão de Açúcar a frente.
Ao desembarcar, ela foi reconhecida por uma ex-instrutora do Aeroclube de Blumenau, que atualmente é piloto da LATAM. “Ela nos viu no pátio enquanto chegava de viagem pilotando também. Ver uma mulher trabalhando na aviação comercial, me fez sentir que estou no caminho certo”. Neste momento, a jovem teve uma vontade ainda maior de seguir na profissão.
A aviação mostrou para Érica que correr atrás dos sonhos não é uma tarefa fácil, mas é profundamente recompensadora. “Quero servir de inspiração para muitas outras pessoas a correrem atrás de seus objetivos, por mais distantes que pareçam. Nunca desistam, mesmo que isso exija tempo, paciência e coragem. E, principalmente, quero incentivar outras mulheres: nosso espaço está em todos os lugares, inclusive, e com orgulho, na cabine de comando.”
































