Uma mãe, muitos caminhos, um propósito

A fisioterapeuta e osteopata pediátrica Amanda Schlup Maass compartilha sua história de amor, perdas e renascimento

Amanda Schlup Maass, 30 anos, sempre soube que queria ser mãe. O desejo de ter uma família era antigo, quase um clichê sonhado desde menina. Mas quando a maternidade chegou, ela estava apenas começando a construir sua carreira como fisioterapeuta. “Uma semana após eu ter inaugurado a minha clínica, descobri que estava grávida.”

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Maior amor do mundo: Amanda e o filho Perseu. Foto: Arquivo pessoal

O susto inicial logo deu lugar à plenitude. Em 2018 nasceu Perseu, seu primeiro filho. “Ele é um filho maravilhoso, me ensinou muitas coisas e me completou. Sou apaixonada por ele.” Amanda fala do menino com gratidão, carinho e ternura. “Eu tento dar o meu melhor para que ele possa ser um homem digno, de caráter e que valoriza a família.”

Três anos depois, Amanda e o marido decidiram tentar ter mais um filho. Mas o caminho seria muito mais difícil e doloroso do que podiam imaginar.

No final de 2021, Amanda descobriu que estava grávida novamente. Mas a alegria durou pouco. “Comecei a ter sangramento, fui para o consultório e o meu médico falou que não tinha nada no meu útero.” Após semanas de exames e incertezas, veio o diagnóstico devastador: uma gravidez ectópica, com o bebê alojado na trompa. “Eu estava de quase três meses de gestação e então ele não tinha mais vida.” Amanda passou por uma cesárea de emergência e perdeu, além do bebê, uma trompa e parte do útero.

Como ainda haviam restrições por conta da pandemia, Amanda passou por todo o processo dentro do hospital sozinha. “Foi um momento muito difícil da minha vida, acho que o mais difícil que já passei até hoje. […] Passei por uma depressão muito ruim.” Sem poder se despedir do bebê, Amanda mergulhou em um luto solitário e profundo. “Um vazio gigantesco dentro de mim.”

Mas o tempo, o amor da família, o apoio de amigos, a terapia e a fé foram resgatando Amanda aos poucos. “Deus me tirou do fundo do poço, me trouxe de volta.”

Exatamente um ano depois, sem saber que estava grávida novamente, Amanda teve uma dor aguda no abdômen e pensou que fosse apendicite. Correu para o hospital. Mas o diagnóstico foi outro: rompimento do útero. “A lateral do meu útero tinha rompido completamente.” Ela passou por outra cirurgia difícil. “Tive duas convulsões. Tive uma cirurgia muito difícil… O Dr. Paulo (obstetra de Amanda) teve que tirar aquele ovário que estava flutuando sem a trompa, mais uma parte do meu útero e o bebê junto com eles.”

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Família: Amanda ao lado do filho e do marido, sua fonte de amor e inspiração. Foto: Arquivo pessoal

Dessa vez, no entanto, ela teve o carinho da família ao seu lado durante a internação. “Meu marido ficou comigo o tempo todo, dia e noite, a minha família também foi me acolher.” O apoio tornou o sofrimento menos solitário. Mas a notícia final foi dura: Amanda não poderia mais ter filhos. “Me abalou muito, mas também eu entendi que não era para acontecer.”

Com o tempo, veio uma reviravolta. “Um ano depois, em outubro, eu descobri que meu útero estava inteiro novamente.” Com esperança renovada, ela e o marido voltaram a tentar. “Mas agora descobrimos que novamente não vai acontecer.”

Entre as perdas e renascimentos, Amanda se reconectou com sua missão profissional. Até então, ela atuava com foco na fisioterapia tradicional. Quando perdeu seu segundo filho, ela estava começando a especialização em osteopatia, a partir do que aconteceu, passou a estudar mais sobre gestação, sobre biologia, sobre os bebês e sobre tudo que envolve a área de osteopatia pediátrica e foi se apaixonando. “Eu me descobri novamente dentro da minha profissão.” A dor virou força, e a experiência materna se expandiu para além do seu lar. “Hoje essa é a minha missão.”

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Missão: Amanda se especializou em osteopatia pediátrica e, através da profissão, ajuda outros pais. Foto: Arquivo pessoal

Como osteopata pediátrica, ela cuida de bebês com o amor de quem compreende profundamente o valor de cada vida que nasce. “Meus dois filhos que vieram e não puderam ficar comigo, vieram para me ensinar que eu tinha outra missão aqui na terra.”

Hoje, Amanda se sente completa, mesmo com as cicatrizes. “Foi muito difícil ver meus filhos partirem, foi a pior coisa que passei na vida, mas eu sei que eles vieram com um propósito.” Perseu, seu filho de sete anos, é a razão de muitos sorrisos. “Ele é o melhor filho que eu poderia ter tido.”

E mesmo tendo passado por mais dois abortos espontâneos, ela olha para a vida com gratidão. “Vamos dizer assim, que eu tenho bastante filhos e que eu sou muito abençoada por eles terem passado pela minha vida, por mais que eles não ficaram aqui.”

A principal lição que fica é que o amor de mãe, mesmo na ausência, transforma e permanece. No Dia das Mães, Amanda deixa um recado para todas as mulheres: “Sejam mães. Ter uma família é a melhor coisa que elas podem querer na vida. É difícil? É difícil. É árduo? É árduo. Mas é a melhor coisa que existe”.

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