Uma vida no campo e o trabalho com o gado leiteiro

Irmãos Ott relembram história da família que iniciou na propriedade em Testo Central Alto

Os irmãos Alfredo, 81 anos, e Adolfo Ott, 78 anos, nasceram e cresceram na propriedade localizada na Rua dos Atiradores, em Testo Central Alto. Filhos de Friedlib e Henrique Ott, sempre tiveram a vida muito ligada ao campo e à produção leiteira. “Começamos cedo a trabalhar na roça”, conta Alfredo.

Além de Alfredo e Adolfo, o casal Ott teve outros cinco filhos. Todos começaram a ajudar os pais nas atividades agrícolas quando ainda eram crianças. “Desde os 10, 12 anos a gente já trabalhava junto na roça. Porque os estudos só fizemos até o terceiro ano, a gente só aprendia a ler a escrever e já tinha que sair da escola”, relembra Adolfo.

Das muitas memórias de infância, algumas ainda estão muito vivas nas lembranças dos irmãos. “A gente ia para a escola para aprender o português, em casa só falávamos o alemão e o platt”, afirma Adolfo. “Hoje eu entendo o platt, mas não consigo falar muito bem, isso me atrapalha a língua”, declara Alfredo.

Quando pequenos, corriam pela propriedade descalços e iam para a escola com os saudosos tamancos. “O primeiro sapato que eu ganhei foi para a minha confirmação, antes disso andava descalço. Nós íamos para a escola de tamanco, lá perto tinha um pé de bambu, a gente escondia os tamancos lá, porque os outros riam da gente. No inverno e no verão, fazíamos isso”, recorda Alfredo.

Das brincadeiras de infância entre os sete irmãos, a mais lembrada por Alfredo e Adolfo é o esconde-esconde. “A gente também gostava de brincar bastante no pasto. Nossos pais tinham que ser um pouco duros, afinal éramos em sete e, às vezes, a bagunça estava pronta.”

Além do respeito pelos pais, os irmãos também herdaram o amor pelo trabalho. A família sempre criou gado de leite. No auge da produção leiteira, vendiam o que produziam para a Firma Weege e o Koch, grandes indústrias de laticínios da época.

Lembrança: no retrato estão Friedlib e Henrique Ott ao lado dos sete filhos, entre eles Alfredo e Adolfo. Foto: Arquivo Pessoal

Na propriedade, a família também plantava e criava de tudo um pouco: aipim, milho, batata-doce, porcos, patos e galinhas faziam parte da rotina diária. “Muito do que era plantado e criado era para consumo próprio, só o excedente era vendido.”

Adolfo se casou com Ruth e permaneceu na casa dos pais. Já Alfredo se casou com Norma e se mudou para o outro lado da rua, onde construiu a sua residência. “Me orgulho muito de tudo o que consegui construir. A minha primeira casa era de madeira e fizemos só aos fins de semana. Só depois conseguimos construir a de material.”

Além de cuidar da propriedade, Alfredo também trabalhou na Firma Weege e depois em uma Construtora em Blumenau. “E eu ainda plantava feijão. Cheguei a colher 300 quilos em um único ano, do preto e do vermelho. A gente tinha que arrumar pessoas para ajudar a capinar e depois a colher, não tinha como fazer tudo sozinho. Chegamos a plantar em outras propriedades também.”

Já Adolfo prestava serviço arando a terra com cavalos e bois em outras propriedades, depois puxando toras do mato para as madeireiras da cidade e, desde 1972, era vacinador de bovinos. “Depois eu ajudava os criadores a aplicar remédios e auxiliava em partos também. Perdi a conta de quantos animais ajudei a salvar.”

O que nunca mudou na rotina dos irmãos foi a paixão pelo gado leiteiro, sempre mantiveram a criação ativa em suas propriedades, apesar de todos os desafios. “Antigamente uma vaca não dava muito leite, a gente tinha muitas vacas para produzir pouco leite”, expõe Alfredo. “Essa era a vida do colono, dez ou 12 vacas, não ultrapassava os 30 litros por dia. “Com o tempo que foi melhorando o manejo e passamos a criar menos vacas e conseguir uma melhor produtividade”, explica Adolfo.

Foto: Marta Rocha/Testo Notícias

Além do leite vendido para empresas da região, as famílias também produziam o queijo, o queijinho e o Kochkäse. “Tirávamos leite primeiro três vezes ao dia, depois duas. Ainda de madrugada colocávamos a produção em bules na frente das propriedades e que eram coletados pelas queijarias. Mas todo mundo que tinha vaca de leite deixava um pouco para o Kochkäse, não podia faltar na mesa.”

Atualmente, Adolfo e Alfredo tiveram que se afastar do trabalho em função de alguns problemas de saúde, mas são enfáticos em reforçar a importância que o trabalho teve em suas vidas. “Nossa rotina sempre foi de muito trabalho e a gente sempre gostou muito disso e sente falta, é difícil de largar”, declara Alfredo. “Não fosse os problemas de saúde, estaríamos na ativa ainda”, garante Adolfo.

Para o futuro, os irmãos acreditam que a produção leiteira em Pomerode será extinta, já que as novas gerações não se interessam pelo trabalho no campo. “Acredito que os mais novos vejam essa como uma rotina de muito trabalho e pouco lucro. Quando a nossa geração morrer, acho que ninguém mais vai produzir.”

Proibido reproduzir esse conteúdo sem a devida citação da fonte jornalística.

Receba notícias direto no seu celular, através dos nossos grupos. Escolha a sua opção:

WhatsApp

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui