Clube Nacional: memórias, paixão e raízes no Alto da Serra

Conheça a história que começou com o futebol e se transformou em tradição

No coração da comunidade de Alto da Serra, em Pomerode, pulsa uma história que transcende gerações. O Clube Esportivo, Recreativo e Cultural Nacional é mais do que um espaço físico, é um símbolo de união, esforço coletivo e paixão pelas tradições.

Tudo começou com um sonho simples em um terreno difícil: transformar uma lagoa em campo de futebol. Com trator, barro e a força da comunidade, nasceu o primeiro campo do Nacional, não apenas um espaço para jogar, mas um ponto de encontro, de pertencimento e de identidade. A partir dali o clube cresceu como extensão da própria vida dos moradores: das peladas entre irmãos e vizinhos aos campeonatos regionais, das festas de rei e rainha à Frühlings Fest, das reuniões improvisadas ao salão moderno que hoje recebe centenas de pessoas.

Raízes no futebol e na amizade

A história do Clube Nacional começa muito antes da fundação oficial. Para Vilson Borchardt, tudo teve início ainda na infância: “Olha, começou desde criança. Na verdade, o Nacional começou antes desse local aqui.”

Foto: Jonathas Albuquerque/Testo Notícias

Seu irmão, Heinrich, mais conhecido como Heini, compartilha lembranças semelhantes. Na época, o clube surgiu como uma evolução do antigo time Continental, que ficava próximo ao que hoje é a sede da Madeiras Flohr. “Começou com o Continental, que era aqui próximo, onde hoje seria a Flohr. Depois disso ele virou o Nacional e usávamos o campo na propriedade de Hugo Steinert. Ali o Nacional disputou por muitos anos alguns amistosos, ainda não eram campeonatos.”

Os primeiros times eram formados pelos meninos que moravam no Alto da Serra. As famílias tinham muitos filhos na época, e o futebol era o elo que unia vizinhos, irmãos e primos em torno de uma bola. “Aqui na serra, a gente tinha sempre uma equipe de muitos amigos, vizinhos e irmãos. Jogamos já com sete, oito, dez anos. A gente jogava aqui, no Canudos, no Rio Cerro quase todo domingo. Esse time de infância praticamente formou o primeiro time do Nacional depois. Com 14 anos, o aspirante e depois o titular”, conta Heini.

A construção do campo e da comunidade

A busca por um campo definitivo mobilizou a comunidade. Vilson relembra com emoção os primeiros passos para transformar uma área nos fundos de uma propriedade familiar em uma sede para o time na década de 1980. “Era um valo e tinha lagoa. Eu era criança ainda, mas fiquei acompanhando praticamente diariamente o trator puxando barro lá de cima para cá.” Ele relembra que o um pequeno salãozinho ficava na frente do terreno, onde hoje é o estacionamento do clube. “Depois foi se ampliando, naquela época não se adquiriu imóveis ou terrenos. Mas o proprietário, Senhor Friedel Siewerdt, liberava para o uso e para fazer as ampliações.”

Vilson relembra que na época a Prefeitura de Pomerode também colaborou na terraplanagem, e após meses de trabalho, o campo estava pronto. “Foi se formando e depois começamos a entrar no ritmo de campeonato. Primeiro amistosos, depois campeonatos. Tínhamos um time fortíssimo.” Por isso, não demorou para que a equipe ganhasse prestígio nos campos da região. O Nacional brilhou nos gramados, sendo tricampeão da Taça Pomerode e o primeiro campeão da Liga Pomerodense. “O Nacional já participou dos campeonatos quando ainda eram realizados pela Liga Blumenauense. Depois, foi fundada a Liga Pomerodense e fomos um dos primeiros times a participar.”

Mas o clube não se limitou ao futebol. Em 1987, foi criado o departamento social masculino, com a inclusão das festas de rei, pelo então presidente Valmor Borchardt (in memoriam). Dois anos depois, surgiu o departamento feminino, com as festas de rei e rainha. “Tivemos como primeiro rei de honra o senhor Hartwig Borchardt”, relembra Vilson.

Uma sede que cresceu ao longo dos anos

Os irmãos não recordam o ano em que a atual sede foi construída. Mas se recordam que ela passou por diversas transformações. “Primeiro tinha uma pequena sede ao lado do campo, onde hoje é a cancha de bocha. Depois veio uma sede de madeira onde hoje é o estacionamento”, explica Vilson.

Já Heini fala sobre o trabalho para concluir a última reforma do telhado. “Durante uns sete ou oito anos, a gente analisava como reformar. Tinha uma cupinzada danada. Reformar meia boca não adiantava. Então, resolvemos fazê-lo por completo.” Ele reforça que a reforma só foi possível pela ajuda da comunidade, que participou desde a desmontagem até a reconstrução. “Hoje nosso salão está bonito, temos acessibilidade aos banheiros. Tudo isso faz parte de deixar um legado. Os nossos pais começaram a construir isso aqui e a nossa missão é dar continuidade”, diz Heini com orgulho.

Frühlings Fest, uma festa para celebrar a Primavera

Em 1993, nasceu a Frühlings Fest, a Festa da Primavera, que se tornou um marco cultural. “Neste ano faremos a nossa 31ª Festa da Primavera. É um evento onde as sociedades vizinhas vêm participar do desfile social, sem contar o grande público que vem prestigiar os dois dias de festa”, celebra Vilson.

Heini reforça o envolvimento da comunidade e a presença de visitantes de toda a região. “Em toda festa, nós nos encontramos, fazemos a decoração, juntamos o pessoal e todo mundo pega junto, abraça e faz um salão bonito.”

Foto: Arquivo Clube Nacional

Uma segunda casa

Para os irmãos Borchardt, o Nacional é mais do que um clube. “É uma segunda casa. Meu pai foi um dos sócios fundadores. Sou hoje o sócio proprietário número um, porque ele passou o título para mim”, diz Vilson.
Heini complementa as palavras do irmão com emoção: “O Nacional está no sangue, está na nossa veia. A gente ama e gosta do nosso clube. E hoje a gente trabalha, precisa fazer as coisas acontecerem também.”

Com a palavra, o atual presidente

A história de Marcos Marcelino com o Clube Nacional não começou na presidência, mas na cozinha, nos campos e nas festas. Há cerca de 30 anos, ele se envolveu com a sociedade, primeiro como jogador de futebol e depois como voluntário nas atividades sociais.
Hoje, além de presidente, é também um dos responsáveis por manter viva a tradição culinária do clube. “Já há vários anos a gente prepara os pratos para as festas realizadas aqui”, conta Marcos, com simplicidade.

A cozinha, para ele, é mais que um espaço de trabalho, é onde se cultiva o vínculo com os sócios e com a comunidade. “O segredo é fazer uma comida boa e de qualidade. O pessoal vem, gosta e depois volta.”

Desde que assumiu a presidência há um ano, Marcos tem enfrentado desafios que vão além das panelas. Com cerca de 120 sócios ativos, o clube mantém um calendário enxuto, mas significativo. As atividades esportivas incluem tiro, bolão, Vogelstechen (pássaro ao alvo) e bocha, modalidades que ainda movimentam os associados.

Ele ressalta que as festas tradicionais seguem firmes, como a Festa de Rei e Rainha, ligadas aos departamentos de tiro e bolão, e a Frühlings Fest, a Festa da Primavera, que em setembro atrai visitantes de toda a região. “Cada ano a gente procura fazer uma programação ainda melhor e queremos que o pessoal volte sempre.”

A última reforma estrutural do clube foi conduzida por ele e pela diretoria, enfrentando dificuldades como falta de verba e necessidade de mobilização. “Foi difícil, muito difícil. Mas conseguimos colocar o Nacional onde está, com essa estrutura que temos agora.”
Apesar de não participar mais das competições esportivas, ele guarda com carinho os tempos em que jogava futebol pelo Nacional. “Meu sonho sempre era jogar futebol, jogar um campeonato e conseguir o título também.”

Os desafios do passado e do futuro

Tanto os irmãos Borchardt como Marcos, concordam que o maior desafio atual é atrair novos sócios. “Os meus próprios filhos quase não participam. Me parece que para eles já não é algo que prenda o interesse”, lamenta Vilson.

Marcos comenta também as dificuldades de manter o Nacional como um clube ativo e unido. “Estamos com 120 sócios e muitos já estão com idade avançada. Vejo que não estão entrando novos associados, conseguimos apenas manter esse número. E trocar os presidentes, ou a diretoria, é uma dificuldade. Ninguém quer assumir porque é trabalhoso, afirma.

Além disso, Heini destaca a importância da gestão responsável para manter as conquistas do clube. “Começamos com um caixinha lá embaixo e fomos aumentando, fazendo boas festas. Conseguimos iniciar a reforma do salão já com uma boa base de caixa.”

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