Conheça a emocionante história da matriarca da família Bertoldo

União: Maria e João Bertoldo junto de seus filhos: Altair, Anderson, Arlete, Arlei e Edison.
Fomos recebidos de acordo com o que já é costume na família Bertoldo: mesa farta, café quentinho – só não é mais quente que o abraço – lá vem a dona Maria com a sua bondade do tamanho do mundo. Aos 71 anos, demos início a uma viagem no tempo, para sabermos como tudo começou e quais seriam os segredos para ter uma família assim tão unida.
Nascida em Santa Catarina, na cidade de Anita Garibaldi, Maria mudou-se para o Paraná, mais precisamente para a cidade de Pato Branco, aos 13 anos de idade. “Éramos colonos. Meu pai vendeu o que tínhamos em Santa Catarina e na nova cidade ele abriu um armazém, enquanto eu, minhas irmãs e minha mãe trabalhávamos na roça”, comenta.
Anos depois, acontecera um encontro que mudara a vida de Maria. Um homem adentrou ao armazém, fugindo da forte chuva que caia naquele momento. Este homem era João, e ele ficou encantado por Maria assim que a viu atrás do balcão daquele mercadinho. E foi assim, nesta paixão à primeira vista que João decidiu que conquistaria o coração de Maria. “Essa chuva era pra ele me achar mesmo, só pode ser”, diz Maria, nostálgica.
João tinha 26 anos de idade e era homem decidido, cinco meses depois pediu Maria, que tinha 16 anos, em casamento. “Ele já veio pra Pato Branco com as alianças na mão”. A festa foi grande e bonita, unindo as duas famílias e consolidando a união deste casal inspirador.

Michele Utech/Exemplo: Aos 54 anos de casado, o casal esbanja romantismo e cumplicidade.
Em seguida, Maria Bertoldo teve sua primeira experiência como mãe. Veio ao mundo o seu primeiro filho, chamado Luiz, mas que já nos primeiros meses de vida ficou doente. “Naquele tempo não tinha médico. Ele vomitava, tinha disenteria. Cuidamos do Luiz com o que podíamos em casa, fazíamos chás e tentamos reverter a situação de toda forma”, relembra a mãe. Infelizmente Luiz faleceu com apenas 11 meses. Maria e João tentavam buscar forças para se recuperar da perda, sempre trabalhando duro.
Tiveram uma filha chamada Arlete e um menino chamado Arlei. Trabalharam muito. Foi então que o casal que morava com a mãe de João em Mangueirinha, mudou-se para uma casinha humilde, mas cheia de amor. “Fomos morar sozinhos na mesma cidade e batalhamos para crescer na vida”, diz Maria. Uniram-se ainda mais. Anos depois, tiveram mais três filhos: Altair, Edison e Anderson. Os dois últimos, Maria teve com o procedimento de cesariana, porém, todos os outros vieram ao mundo pelas mãos da sogra de Maria, que era parteira.
“A gente não parava. Trabalhava na roça junto dos meus pequenos, eles ainda não tinham idade pra trabalhar, mas iam junto do mesmo jeito. Ficavam dentro dos balaios e se protegiam do sol com o guarda-chuva”, Maria recorda de toda a luta ao longo da vida.
Os anos foram passando e as crianças crescendo. O casal era caseiro de um sítio, viviam da agricultura, da criação de animais e cuidando também de granjas. Todos juntos trabalhavam incansavelmente, até que em 1993, Arlete, a filha mais velha, mudou-se para Pomerode.
Após uma visita que a família fez à filha aqui na cidade, em 1995, depois da insistência de Edison e Anderson para trabalhar nas indústrias, a família Bertoldo decidiu mudar-se para Pomerode. “Eles tinham 14 anos e eram loucos pra trabalhar fora e realmente aqui tinha muito serviço” fala a mãe. Construíram uma casinha de madeira, no meio de mato. Com apenas 45m² a casa abrigava João e Maria e os seus cinco filhos. “Estávamos todos juntos, dávamos um jeito, mas o que não faltava era o amor”, diz Maria com felicidade.

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Aos poucos todos foram conquistando as suas coisas, a família foi ampliando a casa e migrando para um terreno na frente da antiga residência. E Maria, que além de dona de casa também trabalhava fora, diz que se sentia muito orgulhosa. “Ver meus filhos trabalhando, era lindo demais de ver”.
O crescimento de fato foi baseado na união e no amor deste casal, pois não havia nenhuma herança monetária nas famílias. Tudo que conquistaram foi através do próprio suor. “Meus filhos dão valor porque lutaram pra conseguir as coisas com muito esforço. Nós podíamos dar comida e muito sentimento, pois não tínhamos dinheiro. Eles foram trabalhando e vencendo”, confessa Maria, muito emocionada.
E a falta de dinheiro na época, não foi desculpa e não tornou-se sinônimo de incapacidade para os filhos de Maria. “Sempre ensinamos eles a não roubar, a serem pessoas verdadeiras e honestas. Graças a Deus todos se tornaram pessoas de bem”, com os olhos totalmente marejados, diz a mãe muito honrada.
Aos 54 anos de matrimônio, o casal recebe constantemente seus filhos, netos e bisnetos em sua casa, sem nem precisar ter festa como um motivo de reunião. “Eles vêm almoçar com a gente, estão aqui aos fins de semana. Em datas comemorativas recebemos todos os nossos familiares de todas as regiões do Brasil. Somos muito unidos”, fala.
O mesmo banquete que nos recebeu, é o banquete que Maria, mais conhecida como Nona, faz para todos que ela recebe em sua casa. “O que eu puder fazer de diferente eu faço. Gosto muito disso”, comenta. E quando questionada o porquê que todos gostam tanto de ir à casa da Nona, ela responde de forma rápida e precisa. “Aqui não tem briga. É só amor desde a infância”, explica sorridente.

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Difícil perguntar para ela, que é tão amorosa, qual a melhor parte de ser mãe. Muito emotiva sempre que fala da família, Maria vê a vida passando pelos olhos. “A melhor parte é poder ter criado meus filhos e ter participado de tudo, até hoje. Tenho eles perto de mim, sempre nos respeitaram, ver eles vencendo na vida me faz vencedora junto”, finaliza.
Os filhos e netos possuem diversos mercados na cidade, já são donos da marca que produz diversos itens como: carvão, conservas, mostarda e até mesmo cucas.
Reuniões são feitas semanalmente entre os cinco irmãos, para decidir sobre a organização dos negócios e futuros empreendimentos. Recentemente, os irmãos Bertoldo também adquiriram dois ônibus e iniciando, já com muito sucesso, dentro do segmento do turismo.
Você ainda ouvirá falar muito deles aqui na cidade e quando ouvir, lembre-se que a base do sucesso começou com dona Maria e seu João. A mãe que através do amor e de sua garra, fez a família decolar para o sucesso.
Imagens

Foto: Arquivo Pessoal
União: Maria e João Bertoldo junto de seus filhos: Altair, Anderson, Arlete, Arlei e Edison.
Foto: Michele Utech 
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Exemplo: Aos 54 anos de casado, o casal esbanja romantismo e cumplicidade.
































