Magrit fala sobre o orgulho que sente da filha Bruna, que nunca deixou a deficiência auditiva interferir em seus sonhos

Parceria: para Magrit ver Bruna realizar seus sonhos, como o de ser rainha de um Clube de Caça e Tiro dá ainda mais certeza de que a inclusão é possível.
Havia algo de diferente com Bruna, com um ano e oito meses a pequena ainda não falava e a situação fez com que os pais procurassem por aconselhamento médico. Magrit Weiler, de 43 anos, conta que na época não havia recursos como o Teste da Orelhinha, que hoje é realizado nos recém-nascidos. Então, o diagnóstico de surdez da filha veio só mais tarde. “O médico solicitou um exame e já no momento tivemos o resultado de que a Bruna não possuía audição nos dois ouvidos. Foi um choque muito grande, porque você não sabe o que deve fazer primeiro ou a quem deve procurar”, conta.
Magrit revela que por indicação do médico, fez diversas viagens a São Paulo em busca da possibilidade de realizar o implante coclear (um aparelho eletrônico digital de alta complexidade tecnológica, que tem sido utilizado para restaurar a função auditiva nos pacientes portadores de surdez severa a profunda que não se beneficiam com o uso de próteses auditivas convencionais).

Arquivo pessoal/
Após a realização de mais exames, os médicos detectaram que Bruna tinha resposta à utilização do aparelho auditivo, então o implante foi descartado na época. “Ela poderia fazer agora, mas optou por continuar utilizando o aparelho”, explica Magrit.
A jornada de Bruna, hoje com 20 anos, reflete também todo o crescimento e o aprendizado de Magrit como mãe. Ela conta que no início levava Bruna ao fonoaudiólogo duas vezes por semana na cidade de Blumenau, as viagens eram feitas de ônibus e o ponto de descida ficava longe do consultório. Com Bruna nos braços, fizesse chuva ou sol, percorria o caminho pensando unicamente no bem da filha. Muitos outros desafios se seguiram a este. “Na escola sentimos muita dificuldade para que ela conseguisse se comunicar. Hoje, graças a Deus, conseguimos conversar através da linguagem de libras e leitura labial. Tivemos muitos problemas no início, mas tudo valeu a pena. A Bruna me ensinou a ter muita força de vontade e jamais desistir. Hoje em dia sempre digo a ela para que jamais desista dos sonhos, apesar das dificuldades de inclusão”.

Arquivo pessoal/
O coração de Magrit se enche de orgulho das conquistas da filha, mas, em alguns momentos, fica muito apertado. “Há um episódio que me marcou bastante. No momento final da formatura do Ensino Médio, quando caíram os balões, todos os alunos e amigos se abraçaram, e a Bruna ficou no cantinho dela. Para ela isso foi normal, pois já estava acostumada a ficar mais quietinha, já que os colegas não conseguiam se comunicar com ela, mas, como mãe, isso me deixou muito triste. Essa situação também me faz pensar que as escolas deveriam ter o ensino de libras, para que crianças com deficiência auditiva possam ser incluídas pelos demais colegas”, reflete.
Acostumada à luta diária para oferecer à filha todas as chances possíveis, Magrit não se deixa esmorecer. “Ser mãe da Bruna é maravilhoso, amo mais que tudo e espero que ela seja muito feliz e consiga realizar seu sonho, que é ser fotógrafa”. Bruna começou a frequentar o curso de fotografia no início do ano, depois que a mãe conseguiu para ela um intérprete. “A palavra mãe para mim significa amor, dedicação, renúncia a si própria, força e sabedoria. O que posso dizer às outras mães é para que nunca desistam de lutar pela felicidade e pelos direitos dos seus filhos, apesar das dificuldades que encontramos pelo caminho”, conclui.
































