A multiplicação instantânea do amor

Ane só descobriu que estava grávida de gêmeas no momento do parto

Foto: Arquivo pessoal
Gêmeas: mesmo com a surpresa e os desafios, o crescimento das meninas sempre esteve envolto em muita alegria.

Por trás de toda gestação existe uma história única, verdadeira e cheia de emoções. Para Eleana Siewert, carinhosamente chamada de Ane, hoje com 53 anos, o nascimento das filhas foi um momento de grandes surpresas e de alegria em dobro. Na época com 20 anos, sua primeira gestação corria sem nenhum sobressalto.

Eram outros tempos, então o acompanhamento gestacional era feito a cada três meses. Já o exame de ultrassom só existia em Blumenau e, desta forma, não foi solicitado pelo médico que acompanhava sua gestação.

Chegou então o esperado momento do parto. Ane acordou por volta das 5h da manhã do dia 31 de julho e sentiu que a bolsa já havia estourado, foi então para o hospital. O trabalho de parto durou longas horas e ela lembra de sentir as fortes dores que precediam o momento de maior surpresa de toda sua vida. Ela foi para o hospital sem saber se teria um menino ou uma menina, certamente, não esperava o que estava por acontecer. “Quando a Sabrina nasceu, às 14h35min, o médico olhou para mim, sorriu e disse: ‘tem mais uma'”.

Foram apenas mais cinco minutos até a chegada de Suzana, no entanto, para Ane, aquele breve instante foi mais do que suficiente para que um filme passasse por sua cabeça. “Eu pensava: meu Deus, o que vai acontecer agora?” Todo o enxoval estava preparado apenas para uma criança, assim como a expectativa dos pais ainda não estava ajustada para o dobro da felicidade daquele fim de julho.

Ane conta que as irmãs dividiam a mesma placenta e acredita que por este motivo o médico tenha escutado apenas um coração durante toda a gestação. “Foi uma emoção muito grande, meu marido chorou muito quando viu as duas meninas. Apesar do susto e das dúvidas, o que nós dois mais sentíamos era alegria. Uma emoção tão forte que não posso explicar”.

Os primeiros meses após o nascimento das gêmeas trariam ainda muitos desafios e fortes emoções. “A Suzana não conseguia mamar porque tinha sido machucada no útero, ela não tinha força o suficiente, então tirávamos o leite e dávamos para ela com uma colher. As duas perderam peso no hospital, então precisamos esperar alguns dias antes de ir para casa”, conta.

O momento mais difícil ainda estava por vir, com cinco semanas, as meninas tiveram pneumonia. O quadro era grave e Ane enfrentou uma das situações mais desafiadoras pelas quais uma mãe pode passar.

“Nós fazíamos o acompanhamento e estávamos levando elas ao médico, pois estavam gripadas, mas sempre nos mandavam para casa. Até que naquele dia eu estava no consultório, acompanhada da minha sogra, o médico ainda não estava lá, mas a Suzana começou a ficar toda roxa. A secretária saiu para procurá-lo e quando chegou, ele pegou a Suzana e colocou sobre a maca. Começou então a fazer massagem cardíaca e respiração boca a boca, houve um momento em que ela olhou para mim com os olhos grandes, parecia que estava dando tchau, foi aí que comecei a chorar. O médico a pegou e correu para cima, para os quartos do hospital. Quando eu cheguei lá ele já tinha raspado a cabecinha dela para colocar o soro; também já tinha colocado ela no oxigênio”, relembra emocionada.

Foram nove dias de internação, até que as duas meninas venceram a pneumonia e puderam voltar para casa. Ane e o marido moravam com os sogros e puderam contar ainda com a ajuda dos pais e da irmã de Ane, Rosemeri. “Nós sentíamos uma alegria enorme a todo momento, mas tudo também foi muito difícil, porque as meninas tinham imunidade baixa e ficavam doentes com facilidade. Isso durou quase toda a infância”, revela.

Com o passar dos anos, o casal trabalhou muito para ter condições de construir a própria casa e oferecer o melhor às filhas. Sabrina e Suzana, hoje com 32 anos, se tornaram mulheres fortes e que enchem a mãe de orgulho. Ane conta que elas têm diferentes personalidades, mas são muito ligadas. Suzana é graduada em Administração em Recursos Humanos, e Sabrina em Ciências Contábeis, o que faz os olhos de Ane brilharem com a intensidade da alegria que só uma mãe é capaz de sentir. “O nascimento delas foi uma surpresa sim, mas foi a melhor surpresa que alguém pode receber. Passamos por alguns desafios, mas tudo o que fica é o amor e a alegria, tenho muito orgulho das minhas filhas”. 

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