As consequências do movimento foram sentidas muito além do aspecto religioso

Transformações: pastora Scheila Janke explica quais são as contribuições da Reforma até os dias atuais
A Reforma Protestante ou Luterana impactou não apenas o mundo religioso, mas também a sociedade como um todo. Através dela foram abertas as portas para a Idade Moderna, trazendo à tona discussões que levaram ao incentivo da educação e ao amadurecimento do pensamento crítico.
A pastora Scheila Janke, da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Apóstolo Paulo, de Pomerode Fundos, explica que o movimento reformatório nasceu dentro da Faculdade de Wittenberg e contava com diversos pensadores além de Martinho Lutero. “Apesar dele ter sido o mais bem sucedido dos reformadores, por contar com o apoio político e proteção do príncipe eleitor da Saxônia, Frederico III, ele não foi o único a ter o anseio de promover mudanças dentro da Igreja”.
Contando com a proteção do príncipe, Lutero pôde se refugiar no castelo e traduzir a Bíblia para a língua do povo (alemão). Apesar dessa não ser a intenção de Lutero e dos reformadores, o movimento provocou a ruptura com a Igreja Católica e deu origem ao Luteranismo. “Ele não pretendia criar uma nova religião, o que desejava era uma mudança de postura, pois considerava que a Igreja precisava retornar ao princípio bíblico, ao fundamento da palavra de Deus”, explica.
Assim como não foi o único, Lutero também não foi o primeiro reformador, mas, muito em função do apoio que encontrou na sociedade, conseguiu sobreviver e questionar aquilo que julgava necessário.
Agora, no aniversário de 502 anos do movimento, os reflexos das atitudes de Lutero e dos demais pensadores que se engajaram na causa ainda podem ser sentidos na sociedade. “A Reforma teve um grande impacto em vários setores, um dos principais foi na Educação. Atitudes como traduzir a Bíblia para o Alemão eram parte da intenção de transformar cristãos e cristãs em cidadãos conscientes em sua fé. Martinho acreditava que o Evangelho deveria se tornar mais acessível às pessoas, não fosse apenas um privilégio do Clero”.
Esse reflexo, claro, não foi imediato, já que a maior parte dos cidadãos era analfabeta. Mas o engajamento de Lutero no aspecto educacional levou a uma postura que transformaria o acesso ao conhecimento. “Quando aconteceu o movimento de colonização no Brasil, por exemplo, havia a preocupação de construir logo na chegada às comunidades uma Igreja e depois uma escola. Ou então, muitas vezes, um mesmo prédio servia para atender ambas as necessidades, incentivando que as pessoas aprendessem a ler, escrever e se tornassem conscientes e críticos. Temos o lema ‘Igreja sempre Reformada’, ou seja, sempre quando nos afastamos da base, precisamos nos questionar. É para isso que a Reforma queria que fôssemos adultos na fé. Pois todos temos nosso papel enquanto cristãos conscientes”.
Esse é um dos principais objetivos das comemorações de 31 de outubro, trazer à tona a importância de que todos assumam sua responsabilidade, enquanto cristãos, em zelar pelo Evangelho.
Sobre as bases atuais do relacionamento entre Luteranos e Católicos, pastora Scheila esclarece que ambas as igrejas estão engajadas no movimento ecumênico, com o objetivo de lembrar que compartilham 1500 anos de história. “Temos muitas coisas em comum, então temos que pensar naquilo que nos une, que é a fé cristã”, finaliza.
































