Com coragem, amor e dedicação, Rut Glasenapp conta como a família superou as perdas para construir momentos de alegria

A vida encontra muitas maneiras de testar a força e a coragem de cada ser humano. Certas vezes o choque imposto por ela é tão severo que fica difícil reunir forças para encontrar o equilíbrio sobre as próprias pernas e seguir caminhando. Para estes momentos, Rut Glasenapp ensina que é preciso encontrar motivação na união da família.
Hoje com 56 anos, tinha apenas 13 quando a mãe faleceu vítima de um derrame cerebral. Rut lembra daquele 13 de dezembro de 1975 com profunda emoção. Começava ali uma série de desafios para ela, o pai e os irmãos. Seu irmão mais velho, Rudi, tinha 14 anos; os mais novos eram Anila (in memoriam) e Ati (com nove e sete anos) e finalmente o caçula Germano, com apenas dois aninhos. “Meu pai escolheu não casar novamente, dizia ter vivido bem com a primeira esposa e não queria uma segunda. Também negou um pedido de adoção do nosso irmão mais novo e disse que ficaria com todos os filhos”, conta.
Os dias seguintes foram de muita dificuldade. A lembrança da proximidade das celebrações de fim de ano naqueles primeiros dias após a morte da mãe traz lágrimas aos olhos de Rut. “Não tínhamos nada para o Natal, então os vizinhos e parentes se juntaram e fizeram uma espécie de vaquinha para nos dar alimentos e outras coisas”, relembra com a voz embargada.
Como o pai de Rut trabalhava fora, cabia a ela e aos irmãos a tarefa de cuidar dos animais e da casa. “Ele vendeu algumas vacas para que o trabalho diminuísse, daquelas que ficaram nós tirávamos leite e colhíamos o trato para alimentá-las. No verão meu pai conseguia cortar o trato ao chegar do emprego, mas no inverno isso não era possível”.
A família morava no Morro do Trettin, então Rut e os irmãos caminhavam vários quilômetros por dia para conseguir frequentar a escola. Sem macadame na via, os dias de chuva se transformavam em um verdadeiro desafio. “Quando chegávamos embaixo, às vezes tínhamos caído e a mulher pegava um facão para conseguir tirar a lama da nossa saia. Passávamos um pano e íamos para escola assim mesmo”. A família também não tinha energia elétrica e calçados eram artigos difíceis de adquirir.
Os anos foram passando e as dificuldades sendo vencidas até que Rut conheceu Wigold, com quem se casou pouco antes do casal completar um ano de namoro. “Conheci ela no baile do Vasquinho, aí ficamos meses sem nos falar, eu sabia que ela morava no Morro do Trettin, então quando soube que tinha baile lá perto, fui com intenção de encontrá-la novamente. Dito e feito”, conta Wigold.

Pouco depois do casamento a família precisou enfrentar outra situação difícil. O irmão mais novo, na época com 16 anos, também sofreu um derrame cerebral. “Quando minha mãe faleceu os médicos pediram que nós fizéssemos exames, pois poderia ser hereditário. Todos nós fizemos e nada foi detectado. Anos mais tarde, sem nenhum sinal prévio meu irmão sofreu o derrame e precisou ser operado”. Os meses seguintes foram de muita luta, Germano precisava de ajuda para realizar todas as tarefas e, nesta época, morou com Rut. Felizmente ele foi se recuperando e hoje, apesar das sequelas, vive uma vida independente ao lado da companheira.
“Tivemos momentos de muita tristeza, mas outros de imensa alegria, assim fomos vivendo dia após dia e conseguimos superar tudo”, revela com serenidade. Mais tarde Rut enfrentou também a perda da irmã e, há dois meses, a partida do pai. “Ele morou conosco por 12 anos e partiu em março. Tenho muitas lembranças dele sentado no banco da varanda e de nossa netinha vindo sentar com ele, registrei isso inclusive em uma foto”.
Ao contar os momentos mais felizes de sua vida, Rut fala da alegria do nascimento das três filhas: Lorena (38 anos), Luana (35) e Liliane (31) e da chegada dos quatro netos. “Não há palavras para descrever a sensação de ser mãe e avó. São muitas lembranças felizes, como quando nossas filhas eram crianças e íamos visitas meus sogros e meu pai, eles corriam para matar as saudades, são memórias que aquecem meu coração”. Ao lado do marido, Rut batalhou muito para construir um lar repleto de amor, por este motivo, a palavra família tem um significado especial. “Nós sempre queremos estar próximos, unidos, deixo tudo para estar com a minha família”, finaliza.

































