Professor Irani Frello de Oliveira é funcionário público há 23 anos

Alegria: professor Irani tem o alto astral como uma de suas marcas registradas.
O servidor público tem papel vital no funcionamento de todas as instâncias da sociedade. Desde o agente de saúde que vai de casa em casa, o atendente que lhe presta informações em alguma das repartições da Prefeitura ou o professor, que passa ensinamentos capazes de transformar o futuro de seus alunos.
E para comemorar o Dia do Servidor Público, o Testo Notícias entrevistou uma figura muito conhecida, sobretudo pelos moradores de Testo Central, alunos e ex-alunos da Escola Olavo Bilac: professor Irani Frello de Oliveira. Hoje com 55 anos, dedicou 30 deles a educação.
Natural de Criciúma, Irani mudou-se para o Médio Vale para estudar. Seu primeiro trabalho na região foi no Jornal de Santa Catarina, no setor de almoxarifado e compras. Em seguida, mergulhou naquela que se transformaria na paixão profissional, a arte de ensinar. “Eu fazia faculdade de Ciências Sociais, que na época habilitava para ensinar história, geografia e sociologia. Ainda como estudante, comecei a trabalhar como professor ACT (contratado).

Carinho: com emoção, ele guarda e registra as mensagens entregues pelos alunos. Arquivo Pessoal
Foram sete anos atuando em diferentes escolas e cidades até que, por sugestão da esposa, decidiu buscar uma vaga em Pomerode. Chegando à cidade, foi informado de que não havia disponibilidade momentânea para professores contratados, mas logo seria aberto um concurso público. Irani realizou a prova e foi aprovado, em primeiro lugar, nas disciplinas de História e Geografia.
De lá para cá já se vão 23 anos. “No primeiro ano trabalhei na Olavo Bilac e também na (E.B.M.) Hermann Guenther. Depois passeio a lecionar apenas na Olavo. Sou parte desse lugar e quando falam que essa escola é uma das referências de educação em Pomerode, me sinto realizado, porque faço parte dessa história”, conta, emocionado.
Irani revela que ser funcionário público significa fazer o seu melhor pelas pessoas que atende, no seu caso, os alunos. “Lidamos com pessoas em formação, que estão buscando conhecimento e não apenas no sentido de conteúdo, mas também de conselhos para a vida”, exemplifica.
É nessa interação com os alunos que residem as maiores alegrias de Irani nessas três décadas de história com a educação, 23 deles como servidor público. “Posso dizer que o melhor momento é o atual. Sempre há problemas e todos temos falhas, mas sinto que a grande maioria dos alunos tem carinho por mim. Assim também como os ex-alunos, que me encontram nos mais diversos cantos e vêm conversar, pedem para tirar fotos para enviar aos familiares dizendo que eu fui professor deles, como se eu fosse uma celebridade. Isso é maravilhoso, me sinto profundamente marcado por esses gestos”.
Ele também destaca o orgulho que sente ao ver um ex-aluno construindo sua vida profissional. “É claro que foi fruto do esforço dele, mas, como professores, tivemos nossa parcela de contribuição. Já que, invariavelmente, toda profissão passa pela educação”, pontua.
Irani explica que um dos maiores desafios da educação atualmente é a falta de comprometimento que algumas famílias demonstram com relação à escola e ao próprio filho. “Esses problemas familiares acabam sempre refletindo na sala de aula. Infelizmente alguns pais deixam para se preocupar quando ‘a corda já está no pescoço’. Costumo dizer que muitos alunos são órfãos intelectuais. De forma geral, esse é o grande entrave da educação atualmente”. Irani reforça o orgulho que sente da Escola Olavo Bilac e do patamar alcançado pela Educação de Pomerode. “Ainda temos desafios a vencer, passos a avançar (ele cita, por exemplo, as ferramentas de tecnologia), mas conversando com os colegas que trabalham em outras cidades, percebemos a admiração que eles sente pelo trabalho que está sendo realizado aqui, e isso me deixa feliz”.

Professor Irani afirma sentir nada mais nada menos do que amor pela profissão e também pela relação com os alunos. Revela também que os tempos mudaram desde sua estreia em sala de aula, principalmente com relação à tecnologia, e tenta trazer isso para suas aulas. “Sou um professor que mescla o tradicional com atividades variadas. Acredito que as provas ainda são necessárias, pois elas fazem com que os alunos leiam mais, e a leitura é algo que está faltando atualmente”. Mas as atividades desenvolvidas por ele em sala de aula vão muito além do convencional, com projetos que estimulam a criatividade e o trabalho em equipe. Dentre eles está o teatro de sombras, que tem engajado os alunos de forma exemplar e já ultrapassou os portões da escola para ser levado á comunidade em várias ocasiões. Dentro os projetos criados por Irani estão o História em Movimento, Arte no Papiro (que usa palhas de milho para recriar papiros) e a criação de maquetes que funcionam como ferramenta de ensino. “É preciso haver uma razão pode trás dos trabalhos propostos, esses projetos são ferramentas. Além disso, o que preciso destacar é o trabalho e a dedicação dos alunos, pois nós somos responsáveis por lançar as ideias, mas são eles que agarram com unhas e dentes e fazem acontecer”, destaca.
Para finalizar, o professor faz uma estimativa de quantas pessoas já passaram por suas salas de aula. “Levando em conta os anos como ACT, que me levaram a trabalhar em diferentes escolas para fazer substituições por curtos espaços de tempo, calculo que entre 40 e 50 mil pessoas já passaram pelas minhas mãos”.
Imagens

Foto: Arquivo pessoal
Carinho: com emoção, ele guarda e registra as mensagens entregues pelos alunos.
Carinho: com emoção, ele guarda e registra as mensagens entregues pelos alunos.




Foto: Janaina Possamai
Alegria: professor Irani tem o alto astral como uma de suas marcas registradas.
































