No sabor da infância, a inspiração de um novo negócio

Zuleika Kanis buscou nas receitas da avó uma fonte de renda extra para a propriedade da família

Foto: Matheus Kurth
Receitas de família: foi a avó Crista Kanis a grande inspiração para o novo negócio de Zuleika.

Foram as tradicionais receitas da avó, feitas no forno à lenha, recheadas de amor e com aquele gostinho inconfundível de infância, a inspiração para o modelo de negócio de Zuleika Suzane Kanis, 29 anos. “Desde criança eu ajuda a minha ‘oma’ a fazer as bolachas em épocas como o Natal. Era comum nessas datas, as mesas sempre postas com cucas e bolachinhas. E quando ela fazia, eu e minha irmã sempre estávamos por perto para pintar e colocar as miçanguinhas. Isso era algo que fazíamos todos os anos”, conta.

Apaixonada pela propriedade rural, na localidade de Pomerode Fundos, a jovem sempre sonhou em manter a vocação da família para a criação de animais. Cachorros, gatos, gado, patos, galinhas e até um ganso, o mascote do sítio, carinhosamente chamado de Fred. “Eu ainda continuo ajudando minha avó e meu pai nas outras atividades aqui de casa. Gosto muito de mexer com os bichinhos e, enquanto eu estou no meio deles, esqueço de todo o resto”, afirma.

A fábrica de bolachas começou a ganhar forma há três anos e, por coincidência, também o período do Natal. Na época, Zuleika ainda trabalhava em uma pizzaria. “Tudo começou quase como uma brincadeira quando eu levei algumas bolachinhas para as pessoas que trabalhavam comigo experimentarem, logo os pedidos por mais pacotes começaram a aparecer”, relembra.

Matheus Kurth /Gostinho da infância: Zuleika chega a produzir mais de 300 quilos por mês dos docinhos que seguem à risca a receita da avó.

E para dar vida aos sonhos da neta, a avó Crista Kanis, além de emprestar as famosas receitas também cedeu o espaço de uma antiga cozinha que foi a primeira fábrica de Zuleika. “Era uma antiga cozinha nos fundos da casa dela, fizemos as adaptações necessárias e dali em diante nunca mais parei. Os pedidos começaram a aparecer e também fechei uma parceria para vender minhas bolachas na loja ‘Feito em Pomerode’, focada em artigos para turistas e logo o negócio foi ganhando forma”.

Da cozinha emprestada pela avó, um novo e maior espaço foi construído ainda na propriedade da família. As bolachinhas da Zuleika ganharam nome e nove variedades diferentes, entre elas a famosa bolacha de Natal, além do biscoito amanteigado, de amendoim, de coco, araruta, o casadinho e orelha de gato. “Tudo o que é feito, tem que ser feito com carinho. Tendo amor pelo que se faz não tem como dar errado”, garante.

Matheus Kurth /Amor pelas coisas simples: Zuleika decidiu procurar novos formatos de negócios para ficar na propriedade da família em Pomerode Fundos.

Zuleika reforça que sempre seguiu à risca a receita da avó. Das poucas adaptações feitas estão a grossura da bolacha e o glacê usado. “As receitas não têm segredo. Agora as pessoas querem o biscoito mais fininho e a parte do glacê, que antes era feita com claras de ovos e agora foi substituída por um preparo já pronto. Até porque com a demanda de hoje eu não teria tantos ovos para fazer com a clara como antigamente”, fala sorridente.

E os períodos com mais produção de bolachas são datas especiais como Páscoa e Natal quando, em média, Zuleika chega a produzir mais de 300 quilos por mês. A doceira afirma que já consegue manter uma produção constante e vislumbra aumentar ainda mais as metas, mas sem deixar as coisas produzidas no sítio de lado. “E não é apenas a questão das bolachas, mas também outras atividades herdadas da minha família e que eu ainda faço questão de manter. Eu valorizo bastante as coisas feitas em casa, elas têm um sabor especial”, reforça.

Ter um negócio ganhando forma com uma receita de família é algo extremamente valioso para Zuleika. “Sinto orgulho de ainda manter essas origens o que era tão importante para eles. Só espero que eu possa continuar preservando isso para, de certa forma, contar a história e um pouquinho das tradições aqui de casa”, finaliza.

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